quinta-feira, 10 de março de 2016

Estado Policial arromba nossa porta

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Chegamos ao ponto em que os monstros começam a sair da barriga da crise.

O Estadão anuncia que hoje os delegados da Polícia Federal lançam a campanha por uma Emenda Constitucional que conceda autonomia à instituição para afastar ‘interferências políticas e governamentais’.

Ou seja, transformar a Polícia Federal em um órgão semelhante ao Ministério Público, desvinculado, na prática, da vontade popular manifestada no ato de eleger governos.

Não é preciso mais que os fatos em curso para ver no abuso de poder e na transformação do Estado, desabridamente, numa máquina de perseguição dos desafetos ideológicos das corporações.

Até porque não há um fato concreto que possa ser exibido como prova de que a atividade policial esteja sendo cerceada.

Ao contrário: os vazamentos, a exposição deprimente dos atingidos por suas ações, a exibição de aparatos de força absolutamente desnecessários e o silêncio sepulcral diante das irregularidades flagradas ali – cadê o resultado da sindicância da escuta ilegal nas celas da PF paranaense? – tudo mostra exatamente o contrário.

O que está em curso é a transformação do Brasil em um estado autoritário, onde as corporações judiciais e parajudiciais detém o poder de fato e relegam o poder de direito do voto à condição de refém de sua arrogância, patrocinada (ou abafada, quando os governantes são do agrado) pela mídia.

Os processos ditatoriais que se tornaram inviáveis pela via aguda dos golpes militares, encontraram outros caminhos.

Que não seja tarde demais para barrá-los.

3 comentários:

Heleno disse...

E continuamos sem um ministro da justiça que ponha ordem nessa zona. Culpa da presidenta catatônica.

Pros íntimos disse...

DARCY BRASIL RODRIGUES DA SILVA ( a sua conta no face foi bloqueada sem explicação). AVATAR: Darcy Alves Brasil, sendo Alves Brasil o sobrenome de solteira da mãe de Darcy Brasil Rodrigues da Silva.

O Estado jamais teve a sua natureza alterada. Sergio Moro, por exemplo, não deve ser visto como uma ovelha desgarrada do Estado que ele representa. Ao contrário, sua atuação corresponde plenamente ao papel do Estado, se definido conforme o fizeram Marx, Engels e Lênin, ou seja, o Estado como instrumento de dominação da classe dominante. Nesse sentido, Sergio Moro atua como agente da plutocracia à qual está associada toda a classe média tradicional de onde ele provém, através da ideologia, da concepção do mundo. Este grupo social fornece a maioria absoluta dos intelectuais orgânicos da plutocracia, dos quadros do Estado brasileiro. A maioria do Estado o apoia de forma passiva, através, por exemplo, da omissão do Conselho Nacional de Justiça e do STF. Outras partes do Estado, que têm a mesma composição social da Justiça Federal, ou seja, que são formadas por intelectuais orgânicos provenientes da classe média tradicional, o apoiam ativamente, como a Polícia Federal e o Ministério Publico. O grosso do poder do Estado se manifesta através desses seus agentes estatais, não eleitos pelo voto. A composição do Estado não se modifica com a vitória presidencial, mesmo que essa vitória viesse acompanhada de uma milagrosa hegemonia sobre o Parlamento. O alerta presente no Manifesto de que "a Comuna, nomeadamente, forneceu a prova de que 'a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina de Estado [que encontra] montada e pô-la em movimento para os seus objetivos próprios'", continuará sendo sempre atual. O Estado brasileiro tem marca indelével de classe. As ilusões liberais dos social-democratas sobre a existência de um "Estado Democrático de Direito" neutro são uma das causas de nossos erros táticos e estratégicos. Em resumo, "o Estado tem caráter de classe". Por isso, que, sem a pressão organizada, permanente e consciente do povo, a partir das ruas, nenhuma eleição para presidente irá poder ir muito além do que se foi até agora. Em minha opinião, a esquerda tem se equivocado ao estimar o conceito liberal de "Estado Democrático de Direito" mais do que devia. O objetivo estratégico (aquele que virá quando as condições históricas assim permitirem, sem que se possa prever quando será) é trocar esse Estado controlado por dentro por indivíduos pertencentes ao mesmo grupo social de Sergio Moro, isto é, pela classe média tradicional, ideologicamente associada à plutocracia dominante, por um outro Estado, controlado por dentro por indivíduos procedentes de outras classes sociais ( ou seja, das classes trabalhadoras e do restante do povo). Somente a mobilização popular poderá inibir esse Estado de realizar a derrubada do governo petista.
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Anônimo disse...

A burguesia não é tola. O projeto só será votada se a Dilma ficar. Se houver impeachment, eles arquivam porque ninguém é trouxa pra dar corda pros canas.