domingo, 17 de abril de 2016

A hora da escolha: Dilma ou Temer/Cunha

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Hoje, no final da votação do pedido de impeachment, o Brasil estará diante de um novo destino - cujo traçado final será resolvido pelos 513 deputados federais. Não será um desenho definitivo, até porque a história é um movimento perpétuo, que admite avanços e retrocessos, que refletem as insondáveis motivações da luta política e da alma humana.

Se, como acredito, a tentativa de encerrar o mandato de Dilma for derrotada, a principal instituição de uma democracia - o respeito pelo voto popular - terá sido preservada.

Terá sido reaberto, assim, o caminho para a reconstrução de um governo destroçado pela combinação perversa de erros graves cometidos por seu núcleo dirigente com a feroz atividade golpista de adversários.

Antes mesmo do início do segundo mandato, obtido nas urnas de outubro de 2014, estes já se mostravam capazes de mobilizar parcelas inteiras do poder econômico e político, aí incluído setores inteiro da cúpula do Estado, para vencer um governo que não foram capazes de dobrar pelas urnas.

Caso a votação seja favorável a um golpe cometido com base numa expressão ("pedalada fiscal") que não é configurada como crime em nenhum código jurídico em vigor no país, a formidável resistência que tomou as ruas de nossas cidades nos últimas semanas entrará em novo curso, mais áspero, mais duro, nem por isso menos necessário.

Até por essa razão, do ponto de vista do interesse da maioria dos brasileiros a melhor solução é a recusa do pedido de impeachment, hoje, para que se encerre de vez uma aventura condenável e ruinosa -- como são todas iniciativas cuja essência consiste em sabotar a democracia.

Esta é a escolha que deve ser feita, numa encruzilhada na qual os dados estão claros -- na medida em que isso pode acontecer numa sociedade submetida a um monopólio de ferro dos meios de comunicação que condiciona boa parte do debate político.

Conforme o lugar de cada um, todos têm sua parcela de responsabilidade pelo que vai acontecer. O país assiste a um golpe de Estado que todo cidadão tem obrigação de combater na rua, em casa, no trabalho, na padaria. Não há dúvida possível a esse respeito. Eduardo Cunha comanda o processo com suas contas na Suíça. De olho no butim, o vice Michel Temer não demonstra o mais leve pudor para derrubar a presidente eleita, depois de passar cinco anos e três meses sem jamais exibir qualquer divergência, qualquer crítica, a sua gestão. Demonstrou uma solidariedade absoluta para assinar decretos idênticos àqueles que tem servido de pretexto contra Dilma -- mas não contra ele.

O crime do dia é se fazer de ignorante, adaptar-se à brutalidade em curso e fingir que o país está colocado diante de uma alternativa aceitável para mudar um governo que deu sucessivas provas de incompetência. Este sempre foi o pretexto para golpes de Estado à brasileira, que, compreensivelmente, nunca ousaram dizer seu nome, nunca produziram bem estar para a maioria da população e, após sacrifícios previsíveis, sempre acabaram vencidos pela força do povo.

Esta é a escolha da hora.

3 comentários:

Anônimo disse...

Se o Cunha for derrotado hoje, faltará derrotar, em seguida:
1) o TSE do Gilmar
2) o STF do Gilmar
3) a PGR do Janot
4) o MPF do Moro
5) a PF do Daiello
6) o P$DB + PMDB na Câmara e no Senado
7) a CIA + NSA + Wall Street + City of London
Acho, que é "só" isto ...

emerson disse...

FAZEI QUE NÃO HAJA GOLPE

Quando falava com Deus
pedia-lhe com todo o fervor
da verdade
que habitava minha fé

Pedia gols e defesas
boas provas, boas notas
viagens à Conchinchina
de que me fala Lia,
da Loca: mistério sem fim

Pedia menos crueldade
para com nós, viventes
e que na vida dos mortos
não houvesse tanta missa

Sofri, cresci e aprendi
também a pedir-lhe Justiça
aflito pelos Antigos
que como eu
nunca a viram

Que lhe posso pedir hoje
com minha fé combalida
neste fatídico 17 de abril de 2016?
Há milhões de vidas ameaçadas
por trapaceiros diabólicos
por traidores, covardes
indignos até mesmo
de seus rotos espelhos

Todas as liberdades estão ameaçadas
inclusive aquela
de falar francamente com Deus.

Recife, Marco Zero, 17\04\16
16:38

Claudio Elias Do Nascimento disse...

E precisamos orar por Lula