quarta-feira, 20 de abril de 2016

Dilma: mídia assumiu atitude golpista

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Tranquila e bem humorada, apesar das circunstâncias dramáticas que a cercam. Assim posso descrever a presidenta Dilma Rousseff, durante a entrevista concedida a nove blogueiros.

E, no entanto, profundamente lúcida sobre a violência de que não somente ela é vítima, mas o próprio sistema democrático.

A presidenta foi muito dura com os que ela chamou de conspiradores, especialmente com seu vice, Michel Temer. Nunca se viu, disse a presidenta, no mundo ocidental, um caso tão torpe de traição de um vice contra um presidente da república de sua mesma chapa eleitoral, tentando usurpar o poder ao qual não tem direito, porque não teve votos.

Dilma repetiu diversas vezes que está disposta a lutar até as últimas consequências por seu mandato.

Seus adversários não terão vida fácil. Dilma deixou bem claro que dedicará sua vida a pespegar, na testa de cada um dos conspiradores, a pecha de golpistas.

Caso seja afastada ao fim de maio, após a aprovação do impeachment no Senado por maioria simples, Dilma disse que, mesmo assim, continuará presidenta da república, até porque a sua situação política e jurídica é dúbia.

A presidenta agradeceu aos brasileiros que lutam pela legalidade e os incentivou a continuarem nas ruas, lutando para o restabelecimento da normalidade democrática.

O Brasil apenas encontrará solução para seus problemas, disse a presidenta, dentro dos marcos da democracia.

Os blogueiros que entrevistaram a presidenta foram: Renato Rovai (Forum), Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Hilda (Rede Brasil Atual), Paulo Moreira Leite (Brasil 247), Eduardo Guimarães (blog da Cidadania), Kiko Nogueira (DCM), Miguel do Rosário (Cafezinho) e Stephanie Ribeiro (Blogueiras Negras).

Eu preparei duas perguntas bem duras para a presidenta, porque pensei que a crise profunda que vivemos pede um enfrentamento mais direto dos problemas.

Eu fiz a seguinte pergunta a ela:

Queria um comentário sobre a concentração da mídia brasileira e sobre as terríveis consequências que este desequilíbrio traz, como os fatos recentes comprovam, tragicamente, mais uma vez, à nossa democracia.

Já houve denúncias da comissão para liberdade de expressão da ONU, e a ong Repórteres Sem Fronteiras sempre menciona o problema da concentração da mídia brasileira em seus relatórios anuais.

O que vemos no Brasil é a mais grave e abjeta concentração de mídia em todo o mundo democrático. Setores expressivos da população, em especial a intelectualidade, a juventude, academia, além de todos os movimentos sociais, têm denunciado diuturnamente a participação do monopólio da mídia na articulação do golpe.

Ocorreram centenas, quiça milhares de manifestações no Brasil e no mundo denunciando o golpe em curso, que é considerado essencialmente midiático. Os cartazes mais frequentes nessas manifestações trazem referências à Globo. Por que golpe midiático ? Porque, dentre outras artimanhas, a mídia diminui, ou simplesmente omite, as manifestações pela legalidade e aumenta as manifestações golpistas. Com isso ela influencia o parlamento e o judiciário e intervém na democracia.


Em sua resposta, Dilma disse que o oligopólio da mídia, sobretudo de um ano para cá, assumiu uma "atitude golpista". E que ele tem endereço certo (pensei que ela fosse mencionar certo endereço em Paraty...).

A presidenta deixou claro que é a favor da regulamentação da mídia, para brecar a concentração dos meios de comunicação, mas que escolheu não fazer esta guerra em sua segunda gestão, porque não viu chance dela passar no congresso. Ela ressalta que pretendia trazer para o Brasil uma regulamentação parecida a que existe nos Estados Unidos e Europa, que veta a propriedade cruzada e limita a concentração dos meios.

Escute [aqui] o áudio com a resposta da presidenta.

***

Publiquei ainda, na fanpage do Cafezinho, um pequeno vídeo da entrevista com Dilma, para mostrar sua tranquilidade e bom humor ao falar do fatídico dia 17 de abril, quando 367 deputados votaram em favor de um relatório de impeachment ilegal, que não aponta nenhum crime de responsabilidade. Assista clicando aqui.

2 comentários:

Anônimo disse...


Joana Mortágua: “Entre deus e o mundo, tudo foi razão para derrubar a presidente do Brasil”

https://www.youtube.com/watch?v=b76pGr_5vQw&feature=youtu.be


A dica é de reed 21/04/2016 às 02:24

Vídeo de Deputada de Portugal:

Vale a pena assistir.

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.tijolaco.com.br/blog/veja-na-cnn-porque-palavra-golpe-assusta-tanto-aos-golpistas-quando-dita-ao-mundo/

rui disse...

A ocasião faz o ladrão!
O contribuinte PAROLO_ista faz o golpista!
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Ao passar um cheque em branco aos políticos... o contribuinte PAROLO_ista está a incentivar o golpista... a aplicar um 'chega-para-lá' no adversário político... porque o golpista sabe que ao fazê-lo fica com a faca e queijo na mão!
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O contribuinte não pode passar um cheque em branco a nenhum político!!!
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Explicando melhor 1:
- Em vez de ficar à espera que apareça um político/governo 'resolve tudo e mais alguma coisa'... o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)... de forma a que... possa existir o DIREITO AO VETO de quem paga!
[ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »]
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Explicando melhor 2:
- O contribuinte tem de ajudar no combate aos lobbys que se consideram os donos da democracia!
---»»» Democracia Semi-Directa «««---
Os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga - o DIREITO AO VETO de quem paga (vulgo contribuinte).
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Explicando melhor 3:
- Os parolizadores de contribuintes - ao mesmo tempo que se armam em 'arautos/milagreiros' em economia (etc) - por outro lado, procuram retirar capacidade negocial ao contribuinte, isto é, querem que os contribuintes passem carta branca aos políticos... para que estes possam fazer as mais variadas negociatas com os mais variados lobbys.
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Explicando melhor 4:
- Um político não se pode limitar a apresentar propostas (promessas) eleitorais... tem também de referir que possui a capacidade de apresentar as suas mais variadas ideias de governação em condições aonde o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!