segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Alexandre de Moraes, falastrão e corrupto?

Por Altamiro Borges

Alexandre de Moraes chegou em Brasília com a bola toda. Ele parecia o homem talhado para o cargo de ministro da Justiça do covil golpista. Como secretário de Segurança de Geraldo Alckmin (PSDB), ele ganhou a simpatia e os holofotes da mídia ao agir com truculência contra os movimentos sociais, principalmente contra os secundaristas que ocuparam as escolas públicas de São Paulo. Ele também mostrou eficiência ao fraudar os dados sobre os homicídios praticados pela polícia e ao atuar em conluio com setores do Ministério Público, escondendo os pobres do tucanato paulista. Ao ocupar um cargo estratégico no governo ilegítimo, ele já era tido como peça-chave na repressão e no esforço para "estancar a sangria" da midiática Operação Lava-Jato. Seria a expressão da nova ditadura no país!

A aposta no brucutu, porém, parece que deu zebra. Até a mídia golpista confessa que o novo ministro virou um estorvo para o Judas Michel Temer. Em editoriais recentes, Folha e Estadão já pediram sua careca. Na edição desta semana, a revista Época, da famiglia Marinho, disparou um torpedo que pode indicar que o egocêntrico será exonerado em breve – será o quinto ministro defecado do covil golpista em menos de cinco meses. Com o título "Alexandre de Moraes, o falastrão na Esplanada", a matéria assinada por Bárbara Lobato cita vários episódios em que o ministro "constrangeu" e "irritou" a máfia que assaltou o Palácio do Planalto. O relato deixa implícito que seus dias estão contados em Brasília.

Uso político da Lava-Jato

Entre os casos relatados, o mais grotesco se deu na véspera da eleição municipal durante um comício do candidato do PSDB à prefeitura de Ribeirão Preto, no interior paulista. Diante dos fascistas mirins do Movimento Brasil Livre (MBL), o "falastrão" antecipou a ação da Polícia Federal que resultou na midiática prisão do ex-ministro petista Antonio Palocci. O caso, gravado em vídeo, bombou nas redes sociais e evidenciou que a Lava-Jato foi transformada em uma operação de boca de urna dos partidos golpistas. "A verborragia do ministro custou caro ao governo. O falastrão da Esplanada foi acusado de aparelhar politicamente a Polícia Federal", descreve a reportagem da Época.

A revista não poupa o vaidoso. "Temer já sofreu outras vezes com o Moraes falastrão. Quando ainda era presidente interino, o ministro da Justiça se contradisse numa entrevista coletiva para anunciar a operação de combate a células do Estado Islâmico no Brasil. Primeiro deu ar de gigantismo ao trabalho, e em seguida minimizou a importância do grupo. 'Era uma célula absolutamente amadora, sem nenhum preparo', disse. Tentava evitar o pânico, mas acabou deixando a impressão que a PF fez um escarcéu por nada. Temer ficou insatisfeito com seu desempenho".

Vaidoso e "provinciano"

"Em outra situação embaraçosa, Moraes levou o presidente ao erro ao discursar em Nova York, na Organização das Nações Unidas (ONU). Temer inflou o número de refugiados acolhidos pelo Brasil ao incluir 85 mil haitianos recebidos depois do terremoto de 2010. A convenção internacional define como refugiados apenas os que deixam seus países por temor de perseguição racial, religiosa, política ou social. Moraes fizera questão de elaborar o material da apresentação praticamente sozinho, sem auxiliares. À noite, encontrou Temer num jantar para esclarecer o fato. Temer, mais uma vez, acatou suas explicações". A paciência do Judas, porém, parece que estaria chegando ao fim!

A reportagem revela os piores traços de caráter do ministro da Justiça. Um puxa-saco de primeira, um carreirista que sonha em ser governador de São Paulo, um oportunista que já mudou várias vezes de partido – foi do DEM e do PMDB antes de se filiar ao PSDB. A matéria ainda pinta o ministro como vaidoso e provinciano. "Moraes zela pela própria aparência. Sempre que sabe que será filmado ou fotografado, certifica-se de que nada está fora do lugar – ajusta o terno, arruma a camisa e confere a gravata". Não dá para saber ainda os motivos da bronca da famiglia Marinho. Mas, tudo indica, a queimação é um jogo combinado com outros mafiosos do Palácio do Planalto. 

Denúncia de corrupção: R$ 4 milhões!

Para piorar a situação, na semana passada veio à tona a denúncia de que o escritório de advocacia de Alexandre de Morares recebeu R$ 4 milhões da firma investigada na Operação Acrônimo por desvio de verbas públicas. Segundo reportagem da Folha, a Polícia Federal encontrou sobre a mesa de um dos principais executivos da JHSF, empresa do setor imobiliário, uma planilha impressa com o nome "Alexandre Moraes". Ainda segundo o jornal, o advogado de defesa de José Auriemo Neto, dono da JHSF, "confirmou que a referência era mesmo ao ministro da Justiça", e acrescenta que o relator da investigação já solicitou a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Pelo jeito, o ministro truculento e falastrão – que se achava com poderes ditatoriais – não vai durar muito tempo no cargo. A fritura está em fogo alto!

2 comentários:

Luiz Delfino Oliveira disse...

Adorei seu seu artigo ácido, mais sem dúvida ,com muito humore Espírito jornalistico

Anônimo disse...

Alias, quem não é falastrão e corrupto neste GOLPE "SOFT" ???
Só não será "soft", para o bolso do contribuinte brasileiro ...
OUR GOLD WILL SAVE AMERICA !!!