quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Homem-forte de Doria deve R$ 61,7 milhões

Por Altamiro Borges

O novo prefeito de São Paulo – que o marketing travestiu de "João trabalhador" e os críticos chamam de "João Dólar" – adora posar de empresário eficiente e ético. Pura bravata para enganar os ingênuos. Não só a sua história nega estes adjetivos – com várias denúncias de ações lobistas para defender seus negócios privados –, como ele está rodeado de sinistras figuras, mais sujas do que pau de galinheiro. Na semana passada, a Folha revelou que o "homem-forte" de João Doria teve seus bens bloqueados e acumula dívidas de R$ 61,7 milhões. Ainda de acordo com a reportagem, este sujeito – um tal de Juan Quirós – deverá ocupar um cargo estratégico na prefeitura a partir de janeiro do próximo ano.

Segundo a matéria do jornal serrista, assinada pela jornalista Daniela Lima, "homem forte do comitê financeiro da campanha do prefeito eleito, João Doria (PSDB), e cotado para comandar a estrutura que vai organizar as concessões e privatizações na gestão do tucano, o empresário Juan Quirós teve todos os bens bloqueados pela Justiça paulista em 2014 e responde a ações por sua atuação na esfera privada. Ao todo seis propriedades da família foram bloqueadas em um processo no qual Quirós é acusado de usar uma rede de offshores para ocultar ser dono de uma firma que faliu".

Falência, ações trabalhistas e falcatruas

A reportagem dá detalhes sobre a atuação do "homem-forte" de João Dólar. "Juan Quirós, que hoje é presidente da Investe SP (agência do governo do Estado responsável por fomentar o investimento em São Paulo), é réu em ações trabalhistas e movidas por empresas envolvendo a sua atuação à frente da empreiteira Serpal. Ela integrava um grupo de sua propriedade, o Advento. A empreiteira quebrou em 2014, mas tinha a saúde econômica questionada desde 2012. Segundo a firma que administra a massa falida, ela acumula uma dívida de R$ 61,7 milhões". 

Juan Quirós teve os seus bens bloqueados após ação movida pela multinacional alemã Continental. A empresa contratou a Serpal para construir a sua segunda fábrica no Brasil e alega que pagou 135% do valor inicial do contrato – R$ 165 milhões – e a empreiteira entregou só 60% da obra. A falcatrua foi analisada pela juíza Maria Rita Rebello Pinho Dias, que deu ganho de causa para a multinacional em duro despacho contra o "homem-forte" de João Dólar. Documentos anexados ao processo indicaram que Juan Quirós recorreu a uma intrincada rede de offshores para ocultar a propriedade da Serpal. A juíza entendeu que há "indícios fortes" de que ele usou "uma empresa offshore de fachada" no golpe.

A juíza concluiu ainda que o "ético" empresário repassou bens a familiares, simulando transações de compra e venda. "Os documentos consistem em fortes indícios de que Juan Quirós esteja utilizando-se de sua filha para blindar seu patrimônio, dificultando a identificação de seu real proprietário". A Folha até procurou o chefe do comitê financeiro do tucano para ouvir suas explicações. Em uma nota lacônica, ele jurou que "nunca ocultei ou transferi patrimônio. As movimentações foram registradas e os impostos recolhidos". Mas o jornal lembra que ele já recorreu diversas vezes contra a decisão, mas nunca teve sucesso. "Ele continua tentando reverter o veredito e diz que o processo é 'absurdo'".

"Fogo amigo" no ninho tucano?

A nota ainda insinua que pode haver "fogo amigo" contra o aspone de João Dólar. Não custa lembrar que as bicadas no ninho tucano seguem sangrentas. A candidatura do empresário-picareta foi imposta por Geraldo Alckmin e faz parte da sua estratégia para ser o presidenciável do PSDB em 2018. Ela desagradou vários caciques da legenda, principalmente o eterno candidato José Serra e o cambaleante Aécio Neves. Dirigentes tucanos entraram na Justiça contra o apadrinhado do governador, alegando abuso de poder político e econômico. A Folha serrista conhece bem esta antiga rinha tucana.  

Na nota, Juan Quirós faz insinuações, mas não dá nome aos bois – ou seria aos tucanos. "Nas minhas atividades públicas, como presidente da Apex-Brasil, conselheiro do BNDESPAR e presidente do Lide Campinas (licenciado) nunca tive qualquer ato desabonador ou questionamento à minha lisura... Os autores destas denúncias, sobre temas não julgados em definitivo, agem justamente após minha participação na vitoriosa campanha de João Doria à prefeitura. Tentam misturar assuntos privados com públicos. Certamente não assimilaram a derrota democrática nas urnas".

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