terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Trump e a insanidade do capitalismo

Charge: Aroeira/247
Por Jair de Souza

Um dos temas mais veiculados nos meios de comunicação nos últimos dias refere-se a uma suposta insanidade mental que estaria acometendo o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Não há dúvidas de que a gestão do atual mandatário da potência estadunidense está se caracterizando pela consecução de crimes abomináveis contra os povos de outras nações, assim como contra a população de seu próprio país. Porém, creio que atribuir a culpa principal por todas essas perversidades à insanidade mental de seu dirigente máximo é muito mais uma rota de fuga das verdadeiras causas do que uma preocupação real na busca de eliminar os problemas.

Cadastramento no Território Mídias Brasil

https://territoriomidiasbrasil.com.br
Do site do Centro de Estudos de Mìdia Barão de Itararé:


A partir desta segunda-feira, 19 de janeiro, começa o cadastramento de mídias periféricas, comunitárias e independentes na plataforma do Território Mídias Brasil (TMB). A iniciativa chega para fortalecer quem faz comunicação na base, enfrentando diariamente os desafios de informar, registrar e defender os territórios.

Em parceria com o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a Fundação Banco do Brasil, o TMB está crescendo e agora, além de reunir comunicadoras e comunicadores populares do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul, a rede também inclui iniciativas de Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Pará e do Distrito Federal.

RedeTV! demite a bolsonarista Luciana Gimenez

Foto: Divulgação
Por Altamiro Borges


Na sexta-feira passada (16), a combalida RedeTV! demitiu a apresentadora Luciana Gimenez, que comandou por 25 anos o programa SuperPop – um dos principais palanques do fascista Jair Bolsonaro na televisão brasileira. Ela estava curtindo suas férias em Nova York, quando foi comunicada da dispensa sumária. Em um vídeo postado no Instagram no domingo (18), a celebridade midiática tão paparicada pelos bolsonaristas aparece aos prantos e desabafa:

“[Tô aqui] pra agradecer todas as mensagens de carinho, motivacional, de amor que me mandaram. Quero dizer que o SuperPop foi um marco na minha vida e eu fiz sempre com muito carinho, com muita dedicação, alegria e muita vontade. Eu ia pra RedeTV! com meu coração cheio de vontade de fazer a diferença, de conhecer pessoas, e uma coisa que sempre me propus a fazer é mostrar a realidade de forma leve, despretensiosa, clara, humilde”.

As agressões de Trump ao Irã e à Venezuela

Charge do site Instaforex
Editorial do site Vermelho:


Os acontecimentos simultâneos no Irã e na Venezuela que se somam a um conjunto de outros países agredidos, são produtos do mesmo ato, a ofensiva belicosa e neocolonial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Não é mera coincidência que Irã e Venezuela, a agressão da vez, respectivamente, tenham a 3ª e a 1ª reserva de petróleo do mundo.

Trump age sem pudor e apostando na impunidade ao pisotear a Carta das Nações Unidas, elaborada sob os escombros da Segunda Guerra Mundial. E vai além ao passar por cima até de aliados históricos dos Estados Unidos, como a chamada Europa Ocidental, ameaçando se apossar da Groelândia de uma forma ou de outra, forçando, inusitadamente, Alemanha, França, Suécia, Noruega, Holanda e Inglaterra a enviarem tropas à região para se juntarem a efetivos da Dinamarca.

A jogada de Tarcísio com o boné da Faria Lima

Charge: Gilmal/BNC
Por Moisés Mendes, em seu blog:


A grande sacada de Tarcísio de Freitas, desde que chegou ao governo paulista, não foi aquela foto desastrosa com o boné de Trump. Aconteceu agora, com a declaração em vídeo de que o Brasil precisa de um novo CEO para se ver livre do PT.

A primeira-dama, Cristiane Freitas, em jogada ensaiada, foi lá, curtiu o vídeo e deixou esse comentário: “Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido!”. Tarcísio teria produzido uma eureca em família.

Comentaristas de ponta da direita nos jornalões captaram o recado como algo excepcional. Enquanto Michelle fala de Lúcifer, com a linguagem do povo evangélico, Cristiane vem aí com a fala do pessoal da Faria Lima.

Recauchutam e tentam ressuscitar a ideia gasta do político gestor, que com certeza saiu da cabeça de algum marqueteiro reciclador de sacadas usadas.

Breves anotações sobre Defesa Nacional

Ilustração e montagem: Klawe Rzeczy/Político
Por Manuel Domingos Neto

A capacidade militar do Brasil, desde a Segunda Guerra Mundial, é concebida como extensão do poderio do Pentágono. Uma nova conflagração generalizada se desenha e, seja qual for o seu desenrolar, obedecendo ou contrariando Washington, seremos afetados.

Se, na melhor hipótese, forem usadas armas convencionais a carnificina se prolongará por tempo indeterminável.

Na pior, armas nucleares encurtarão a guerra e o resultado será inimaginável.

Nas últimas décadas, orientações de nossa Defesa Nacional (DN) foram reescritas sem novidades substantivas. Consistem em generalidades e truísmos sobre o quadro geopolítico acompanhadas de proposições rotineiras das Forças Armadas.

Esses documentos mostram a DN como matéria da alçada militar.

Revelam que as armas mais complexas são importadas e o desenvolvimento de tecnologia própria não acompanha o ritmo frenético dos grandes atores internacionais. Parcerias tradicionais são preservadas. As fileiras estão prontas para preservar a Lei e a Ordem e cumprir múltiplas funções. Finalmente, concluem que a DN estaria melhor, não fosse a avareza do Estado.

A política externa do império

Charge: Osama Hajjaj/Cartoon Movement
Por Roberto Amaral

Nada do que estamos assistindo é estranho à história da formação da sociedade estadunidense, marcada pela violência da colonização, que é a semente de suas relações com o mundo, dos tempos ingleses e espanhóis dos primeiros aventureiros até aqui: animus de beligerância à beira da barbárie sem descanso, que, aos olhos da humanidade de hoje, apenas se aprofunda, pragmaticamente desapartada de limites éticos ou de cuidados semânticos, aposentado o vencido cinismo liberal do discurso “politicamente correto”.

O big stick permanece a postos; variável é tão-só a fala.

O far west não é um só momento da saga dos pioneiros. É uma ideologia de expansão e domínio. É o direito (ou a força que se transforma em direito) que se legitima pela efetividade. Ou, para usar termos mais amenos, que se efetiva pela sua naturalização. Frantz Fanon já nos falou sobre a alienação do colonizado, reproduzindo como seus os interesses do colonizador. Há pouco nos foi dado conhecer as incursões mais ou menos bem-sucedidas de políticos brasileiros de extrema-direita obrando junto à Casa Branca contra interesses nacionais. Igualmente são públicas as tratativas de plantadores de soja e exportadores de carne negociando, em nosso nome, em Washington, o tarifaço de Trump.

Em Trump, o nazismo ressurge com ferocidade

Charge: Ridha/Daoly Mail
Por Jair de Souza


Alguns acontecimentos dos recentes dias servem como provas evidentes de que o espírito e a prática que caracterizaram o nazismo hitlerista voltaram a ocupar o centro da política no atual país símbolo do mundo ocidental. Logicamente, estamos fazendo referência aos Estados Unidos e às políticas determinadas e levadas adiante por Donald Trump e seus auxiliares.

Não há como não fazer uma associação direta entre as blitzkriegs hitleristas contra a França, Bélgica e Holanda nos períodos prévios à II Guerra Mundial, por exemplo, e a recém efetuada agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela, a qual redundou no assassinato de cerca de uma centena de pessoas e no sequestro do legítimo presidente deste país latinoamericano e de sua esposa. As semelhanças são por demais visíveis para não serem notadas de imediato.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Bolsonaro vai para a Papudinha, sem smart TV

Charge: Aroeira/247
Por Altamiro Borges


Após muito mimimi vitimista, Jair Bolsonaro foi transferido nesta quinta-feira (15) da sua cela na Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar (PMDF), a famosa Papudinha, que integra o Complexo Penitenciário da Papuda no Distrito Federal. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a organização criminosa (Orcrim) que orquestrou um golpe de estado no país. O fascista ficará alocado na chamada “Sala de Estado-Maior” no local.

2,6 mil brasileiros estão presos nos EUA

Charge: Dario Castillejos
Por Altamiro Borges


Com seu complexo de vira-lata diante do império, a mídia monopolista brasileira não deu qualquer destaque à informação prestada pelo Itamaraty de que 2,6 mil brasileiros estão presos nos EUA por questões migratórias. Ela que adora rotular governos contrários aos interesses do imperialismo ianque, bem que já poderia tachar Donald Trump de “ditador”, mas prefere a cumplicidade servil e segue cumprindo seu papel de sucursal rastaquera.

A estimativa do Ministério de Relações Exteriores foi apresentada em dezembro passado em resposta a um requerimento de informação protocolado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP). Segundo a pasta, o número de encarcerados foi apurado pelas repartições consulares e considera apenas brasileiros detidos por problemas migratórios. O Itamaraty se queixou ainda da ausência de informações mais precisas do governo estadunidense:

Verdades e mentiras sobre a Venezuela

Reprodução da internet
Por José Manzaneda, no site Cubainformación:

Os grandes meios de comunicação silenciam todas as vozes que apoiam o governo venezuelano e seu presidente, sequestrado pelos EUA, Nicolás Maduro.

O assassinato, para executar esse sequestro, de mais de cem pessoas, ou é censurado ou reduzido a um mero detalhe informativo (1). Enquanto isso, programas de entrevistas na televisão e no rádio, artigos e reportagens na imprensa justificam a barbárie, o terror e a destruição do direito internacional por parte do governo de Donald Trump (2).

A apologia ao terrorismo de Estado goza de tal impunidade graças à chuva fina de mentiras, durante anos, sobre a opinião pública internacional (3). Vamos recapitular.

1. A Venezuela é uma ditadura. Falso.

A escolha das tarefas sindicais

Por João Guilherme Vargas Netto


Exceto nos casos de emergência que exijam pronta atuação, os dirigentes sindicais têm a prerrogativa de escolherem as tarefas a serem enfrentadas e cumpridas.

No dia a dia da ação sindical isto se processa quase intuitivamente com as escolhas sendo feitas pela exigência de prioridades.

As reuniões da diretoria, os seminários para definição de pauta, os congressos e eleições estatutários têm, todos, entre suas atribuições a de escolher as tarefas a serem enfrentadas exercitando a planificação.

As campanhas salariais em torno das respectivas datas-bases são um bom exemplo de como se escolhem as tarefas: aprovação da pauta de reivindicações, mobilização da categoria, definição de procedimento, conquista de ganhos reais e avanços nas cláusulas sociais e sindicais e a divulgação da vitória.

O ditador (preferido) da rede Globo

Charge: Diego Mallo/The New Yorker
Por Rosângela Ribeiro Gil, no site A terra é redonda:


1.

Em tempos obscuros como os atuais, precisamos redobrar a atenção sobre o que vemos, ouvimos e lemos; e que pretensamente nos dizem ser a verdade dos fatos.

A hegemonia política das classes dominantes, conforme formulação de Gramsci, não se sustenta apenas pelo uso da força, mas pelo convencimento ao disseminar valores, ideias e narrativas. Este último aparato encontra forte sustentação no poderio comunicacional monopolizado por grandes grupos econômicos. Nada é por acaso, nenhuma palavra é usada num discurso jornalístico sem medidas e desmedidas ideológicas. É o que se percebe, cotidianamente, na circulação massiva, por exemplo, no “jornalismo profissional” do Grupo Globo, mais especificamente da TV Globo (e adjacências, como a GloboNews).

Três fatos sequestrados pela mídia brasileira

Ilustração: Vano Meparidze
Por Ângela Carrato, no site Viomundo:

Sequestro 1

A solenidade do Dia da Democracia, comemorada na quinta-feira (8/1) pelo governo federal, para marcar os três anos da derrota da tentativa de golpe de estado no Brasil foi sumariamente boicotada pela mídia corporativa. Boicote que se estendeu às dezenas de manifestações populares que aconteceram nas capitais e principais cidades.

Ao contrário dos manipulados protestos contra a então presidente Dilma Rousseff, entre 2013 e 2016, que tiveram nesta mídia uma espécie de porta-voz e espaço para a sua convocação, a comemoração da vitória da democracia foi desconsiderada.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Estamos correndo um risco existencial

Charge: Aroeira/247
Por Paulo Nogueira Batista Jr.

“Os Estados Unidos são os primeiros a passar da barbárie à decadência sem conhecer a civilização.” Georges Clemenceau, primeiro ministro francês

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela deixa escancarado o risco que correm o Brasil e outros países. Prevalece a lei da selva. A superpotência imperial mostra-se plenamente disposta a usar a força militar para avançar seus interesses. O Hemisfério Ocidental inteiro, da Groenlândia à Patagônia, passou a ser visto, abertamente, sem disfarces, como “quintal” dos EUA.

Em 2019, publiquei um livro com o título O Brasil não cabe no quintal de ninguém. De fato, o nosso país é um dos maiores do mundo em termos geográficos, populacionais e econômicos. Mas repare bem, leitor ou leitora, na escolha das palavras. Escrevi: “de fato”. Esses fatos objetivos – território, demografia e PIB – não são suficientes. Falta-nos uma dimensão crucial da soberania: a convicção por parte do brasileiros de que temos a obrigação de nos comportarmos à altura das dimensões do Brasil, o que inclui, por suposto, a disposição de resistir com energia a qualquer ameaça ou incursão vinda do exterior. E pior: faltam-nos camadas dirigentes ligadas visceralmente ao país. A verdade é que embora o Brasil não caiba no quintal de ninguém, grande parte da elite brasileira cabe no quintal de qualquer um.

Venezuela e os assuntos estratégicos

13/01/26: Trabalhadores do transporte de Caracas exigem
a libertação do presidente Maduro e de Cilia Flores/RNV
Por Pedro Carrano


Se engana quem acha que a luta contra a extrema direita/neofascismo no Brasil está separada da solidariedade à Venezuela. Ou que o "melhor" seria não misturar as coisas. As políticas do imperialismo – ditadura nos anos 60 e 70, aplicação do neoliberalismo nos anos 90; passando por golpes recentes de novo tipo etc -, sempre foram ditadas no continente como um todo, guardadas as particularidades de cada país.

O sequestro de um presidente e bombardeio no país vizinho é uma ameaça central ao Brasil. É por petróleo e recursos minerais, aquíferos e por terras raras.

A dificuldade de dialogar sobre o tema da Venezuela com os trabalhadores, na contramão da mídia empresarial, justifica abandonar uma questão estratégica, em nome de calculismo imediato?

Pax Americana: o império sem máscara

Charge: Deniz O. Ilhan/Cartoon Movement
Por Roberto Amaral

“Vamos recuperar nosso quintal” - Peter Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA

Há escassa novidade por trás dos fatos: raramente o processo histórico se manifesta de forma tão coerente, clara e reveladora como nos últimos eventos que se abateram, se abatem e por muito tempo ainda se abaterão sobre a Venezuela e a América do Sul (passando pelo Brasil, ninguém se iluda), prolongando a tragédia do país vizinho, levado à miséria por ser naturalmente rico.

País soberano - ao menos no formalismo arcaico do direito internacional, sem forças de efetividade, portanto inútil, como é hoje a ONU, reduzida a mero fórum de debates sem consequência -, a República Bolivariana da Venezuela caminha de volta ao quadro colonial dos maus tempos espanhóis. Paga a pena de abrigar o maior estoque de reservas de petróleo bruto do mundo, nada menos que 303 bilhões de barris (cerca de 1/5 das reservas mundiais), superando Arábia Saudita e Irã. E superando, de longe, os EUA (detentores de algo entre 45 e 55 bilhões de barris), o que começa a explicar muita coisa.

Disposição de luta do sindicalismo

Divulgação
Por João Guilherme Vargas Netto


Os números da economia brasileira traduzem uma situação positiva para o emprego e a renda dos trabalhadores e das trabalhadoras, que formam a maioria da sociedade.

E, no entanto, persiste uma certa “suspensão de juízo” sobre a situação, acarretando um ambiente em que as boas notícias são neutralizadas, não pelas más notícias, mas pela incompreensão, pela “mala vita” preexistente e continuada e por uma oposição ranheta que insiste em não reconhecer os avanços.

No movimento sindical, as conquistas e os serviços prestados pelos dirigentes não têm tido sucesso, por si sós, para sensibilizar, organizar e mobilizar os trabalhadores e as trabalhadoras, a maioria.

Venezuela: o Império ameaça – e está nu

Charge: Luc Descheemaeker/Cartoon Movement
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

A Venezuela não é para principiantes. No último sábado (3/1), um ataque militar maciço dos Estados Unidos, que concentram no Caribe a maior força naval agressora já reunida nas Américas, sequestrou Nicolás Maduro e decapitou o governo do país. Desde então, Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, têm multiplicado ameaças. Falaram num “segundo ataque”. Alardearam que “qualquer integrante do governo ou das forças armadas” pode sofrer o mesmo que impuseram a Maduro. Acrescentaram que Delcy Rodriguez, a vice-presidente agora em exercício, pode defrontar-se com “algo pior”. Na vociferação mais recente, o próprio Trump “assegurou” num post em rede social, em 6/1, que Washington exigirá de Caracas de 30 a 50 milhões de barris de petróleo (dois meses de produção), cuja receita seria administrada por ele em pessoa…

Irã: centro de uma disputa geopolítica global

Charge: Miguel Paiva/247
Por Marcelo Zero, no site Brasil-247:


“Isto também passará” - Frase persa.

É muito difícil saber, com precisão, o que está acontecendo, de fato, no Irã. Como sempre, a mídia ocidental fala na “sangrenta ditadura” do Irã e que centenas de pessoas já teriam sido mortas pela repressão do regime iraniano. De outro lado, imagens difundidas no Ocidente mostram incêndios de carros e construções, e o regime acusa alguns grupos de manifestantes de terem atirado e matado policiais iranianos.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, moderado e progressista, já fez vários apelos ao diálogo.

Nesse contexto nebuloso e contraditório, é preciso considerar que Israel e os EUA estão fortemente empenhados na derrubada do regime iraniano há muito tempo. Tanto o governo de Israel quanto o governo dos EUA têm capacidade de promover a chamada “guerra híbrida” e de articular e promover protestos via redes sociais e internet.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O erro do Barão

Simón Bolívar, o Libertador
Por Manuel Domingos Neto

Com o rapto de Maduro, o flibusteiro que ainda dá as cartas no jogo internacional estendeu a guerra à América do Sul, espaço que Washington sempre julgou reservado para si.

Agora, o Brasil sofre por não ter corrigido o erro cometido pelo Barão do Rio Branco há mais de um século: agregar quase um milhão de quilômetros quadrados ao nosso território brasileiro contando com aparato militar dependente da Alemanha.

O Barão convenceu Hermes da Fonseca a enviar oficiais brasileiros para estagiar no Exército do Kaiser. Inadvertidamente, ou não, nos meteu em marmotagem dispendiosa e enganadora: introduzir modernidade militar em país arcaico.

Defesa Nacional não se compra em balcões. Potência militar que vende material de guerra compra a submissão do cliente.

Não era profecia, senão que sabedoria

Fidel Castro e Hugo Chávez. Foto: José Goitia/AP
Por Jair de Souza


Em uma entrevista dada em 2006, o líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, já fazia um alerta sobre o uso do pretexto do combate ao narcotráfico por parte dos Estados Unidos, para pôr fim ao processo de busca de soberania que estava incomodando ao grande capital do centro do império. Vale muito a pena rever o vídeo neste momento e fazer as devidas reflexões.

Fiz a tradução e legendagem do vídeo ao português, e ofereço à continuação sua transcrição completa.

Doutrina Donroe: Mistura de Corleone e Monroe

Sarah Levy retrata Donald Trump com seu sangue menstrual após
comentários sexistas. Nome da obra: "Whatever" (Tanto Faz), 2015.
  
Por Marcelo Zero

O que aconteceu na Venezuela já era esperado há tempos.

O que pode ter causado surpresa aos desavisados (há muitos e são vocais) foi a facilidade com que a operação foi feita e a “franqueza” de Trump.

“Don Trump” deixou claro que agrediu a Venezuela e sequestrou Maduro para ter acesso facilitado ao petróleo e a outros recursos naturais (bauxita, ouro etc.) da Venezuela.

Confessou que a agressão não tem nenhuma relação com defesa da democracia, e dos direitos humanos, escusa esfarrapada que os EUA sempre usaram para derrubar regimes não-alinhados a seus interesses e destruir países.

Trump e os EUA também confessaram que a agressão não tem nada ver com “narcoterrorismo”.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O sequestro de Maduro e a Doutrina Donroe

Charge: Henrique Monteiro/Cartoon Movement
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, no site A terra é redonda:

1. A crônica de um ataque anunciado

A intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, culminando no sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, vem sendo preparada há muito tempo. Em artigo publicado na Carta Capital em fevereiro de 2019, intitulado “Donald Trump, o fim do globalismo e a crise na Venezuela”, argumentei que o então presidente revelava com franqueza inédita os verdadeiros objetivos do imperialismo estadunidense: não a defesa da democracia ou dos direitos humanos, nem o respeito (seletivo) de tratados internacionais pautados na ideologia liberal, mas o controle sobre recursos com valor estratégico e econômico. Já naquele momento, Trump criticava abertamente seus antecessores por não terem “tomado o petróleo” da Venezuela ou do Iraque, ou as terras raras do Afeganistão, explicitando uma lógica predatória que o discurso liberal tradicionalmente dissimulava.

A Venezuela e a lógica da dominação

Charge: Miguel Paiva/247
Por Theófilo Rodrigues, no site da Fundação Maurício Grabois:

Em 1914, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Karl Kautsky, então principal dirigente da social-democracia alemã e da II Internacional, publicou na Die Neue Zeit o artigo Ultra-imperialismo, que se tornaria referência nos debates da época. Seu argumento era relativamente simples: a rivalidade violenta entre as potências capitalistas tenderia a dar lugar, em um estágio posterior, a uma cooperação entre elas – uma espécie de cartelização da política externa ou “santa aliança dos imperialistas” – capaz de conter a corrida armamentista e estabilizar o sistema internacional.

Lênin discordou frontalmente dessa leitura. Em Imperialismo, fase superior do capitalismo (1916), argumentou que o ultra-imperialismo não passava de uma “consolação arqui-reacionária das massas”, pois ignorava o caráter estrutural da concorrência capitalista. Para ele, a exportação de capitais – traço central do capitalismo financeiro – não atenuaria, mas aprofundaria as contradições entre Estados, tornando as guerras não acidentes históricos, mas expressões da luta pela redistribuição de mercados, territórios e esferas de influência.

Ato condena ação de Trump na Venezuela

Foto: Elineudo Meira, Guilherme Gandolfi e Lucas Martins/Mídia Ninja
Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:


Mais de mil pessoas se reuniram na tarde desta segunda-feira (5), em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na zona sul de São Paulo, em um ato de solidariedade ao povo venezuelano e de repúdio à escalada militar do governo Donald Trump contra a Venezuela e a América Latina.

Convocado por um amplo conjunto de organizações populares, partidos e movimentos sociais, o ato em São Paulo foi marcado pelo caráter unitário entre diversas forças políticas e sociais, reunindo lideranças partidárias, movimentos da juventude, militantes de organizações populares, comunicadores e venezuelanos residentes em São Paulo.

Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, a ação dos Estados Unidos é um grave ataque à Venezuela, à América Latina e também ao Direito internacional. “O sequestro do presidente legítimo Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, representa um assalto à soberania do povo venezuelano e de todos os povos do continente. O que está em jogo é o nosso futuro, o futuro dos nossos recursos naturais”, afirmou. Segundo ele, a ofensiva não se limita à Venezuela: “O recado vale também para o Brasil, para a Colômbia, para o México e para os demais países da região”.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O duelo de Trump com Delcy será dramático

Diosdado Cabello, Nicolás Maduro e Delcy Rodríguez/Reuters
Por Moisés Mendes, em seu blog:

Se fosse possível juntar tudo o que já se disse sobre o sequestro de Nicolás Maduro, teríamos pelo menos uma centena de teorias sobre o que aconteceu e previsões sobre o que vai acontecer.

Temos desde a conclusão mais óbvia e repetitiva, de que Trump quer o petróleo da Venezuela (até porque ele admitiu isso publicamente), até a advertência de que o Brasil é o grande alvo, ao lado de alvos de passagem como Cuba e Colômbia.

Quase todo o resto é chute. O primeiro deles diz respeito ao papel da vice-presidente, Delcy Rodríguez, que já assumiu a presidência e avisou que irá defender os interesses da Venezuela.

Essa é a sua frase mais publicada pelos jornais venezuelanos, mesmo os alinhados com a direita antichavista: “Jamais seremos colônia de nenhum império”.

Os pilares do novo colonialismo dos EUA

Charge: Angel Boligán
Por Bepe Damasco, em seu blog:


O que menos importa no momento é avaliar as convicções democráticas do presidente Maduro e discutir se as últimas eleições venezuelanas foram legítimas ou não. Até porque compromisso com a democracia não é parâmetro para os EUA na hora de decidir quem deve ser atacado.

Podia citar aqui dezenas de exemplos de regimes ditatoriais que não foram e nunca serão alvo dos EUA. Fiquemos com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, onde não há parlamento, nem eleições e tampouco imprensa livre. Há alguns anos, vamos lembrar, um jornalista foi assassinado e esquartejado, tudo indica por sicários a soldo do família imperial.

Então, só idiotice crônica ou má-fé pode levar alguém a achar que os EUA estavam preocupados se o pleito venezuelano foi fraudado ou não.

Agressão e sequestro nazitrumpistas

Charge: Dave Granlunds/Political Cartoons
Por Jair de Souza

É inegável que sofremos um golpe muito duro com a agressão assassina feita pelo governo nazitrumpista dos Estados Unidos contra a Venezuela. Além da quase uma centena de mortes causadas a valorosos defensores da soberania latino-americana, as forças nazitrumpistas também sequestraram o legítimo presidente da nação, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.

Entretanto, sem pretensão de pintar uma catástrofe com cores alegres, acredito que podemos, sim, detectar um saldo positivo para o campo popular a partir desta agressão infame e vil. Para extrair esta conclusão, basta observar que as instituições de poder se mantiveram intactas, todas sob o comando dos bolivarianos, e enquanto as ruas e praças eram tomadas pelas massas leais ao presidente sequestrado, os opositores pró-imperialistas não tiveram a audácia de colocar a cabeça para fora, ninguém deles teve coragem de se manifestar em público.

Mídia preparou terreno pra Trump na Venezuela

Charge: Daryl Cagle
Por Ângela Carrato, no site Viomundo:


O bombardeio do governo Trump à Venezuela, seguido pela prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, acontecido na madrugada deste sábado (3), é gravíssimo.

É gravíssimo por se tratar de um ato de guerra cometido pelos Estados Unidos contra um governo soberano, com o explícito objetivo de roubar petróleo.

A Venezuela, como se sabe, possui a maior reserva de petróleo do mundo e a distância entre Caracas e Miami não passa de 3 mil km. Distância seis vezes menor do que a rota feita por petroleiros estadunidenses ao irem ao Oriente Médio em busca do mesmo produto.

A entrevista coletiva de Trump sobre o assunto é das coisas mais cínicas e cretinas de que se tem notícia.

Na cara dura, disse que irá comandar a Venezuela até transição e controlará o petróleo do país, ao mesmo tempo em que divulgava imagem do presidente Maduro algemado e de olhos vendados, a bordo de navio, a caminho de Nova York.

Paz e soberania na Venezuela!

Foto: Cubadebate
Editorial do site Vermelho:

O ano de 2026 tem início com um brutal ato de guerra dos Estados Unidos contra a Venezuela. Sob ordens diretas de Donald Trump, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e se encontram, ilegalmente e injustamente, presos em Nova York. É a primeira vez que um país da América do Sul sofre uma intervenção militar direta, de grande porte, dos EUA. E Trump deixou claro qual objetivo dessa torpe operação bélica: assumir, sem intermediários, o governo venezuelano e se apossar das maiores reservas de petróleo do mundo, que pela ambição ianque passariam a ser exploradas por grandes empresas estadunidenses. Isto tem nome: é neocolonialismo. O imperialismo dos EUA, em novas circunstâncias, retoma as velhas guerras de saque e pilhagem.

Ataque à Venezuela tem as digitais da mídia

Charge: Aroeira/247
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:


O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé condena com veemência a agressão criminosa dos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrida na madrugada deste sábado, com bombas lançadas sobre diversas áreas do país, inclusive a capital Caracas, colocando em risco a população civil. Ápice da escalada militar impulsionada por Donald Trump, o episódio traz ventos de guerra não apenas ao país caribenho, mas para toda a América Latina.

Esse ataque representa a expressão mais grotesca de uma política de agressão sustentada, ao longo de décadas, por uma campanha midiática internacional difamatória contra a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano.

Agressão à Venezuela e cumplicidade da mídia

Reprodução
Do site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj):

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifesta seu mais veemente repúdio à agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela, ocorrida na madrugada deste sábado (3/01), com ataques que atingiram diversas regiões do país, inclusive a capital Caracas, colocando em risco a população civil e aprofundando a instabilidade em toda a América Latina e o Caribe.

A ofensiva, impulsionada pela escalada belicista do governo de Donald Trump, representa mais uma grave violação da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e do princípio da autodeterminação dos povos. Trata-se de uma ação que retoma a lógica da guerra, da ingerência e da força como instrumentos de política externa, com consequências imprevisíveis para a região.

Trump declarou guerra a toda América Latina

Charge: Latuff/Sovereign Media
Por José Reinaldo Carvalho, no site Brasil-247:

A ação desencadeada pelos Estados Unidos contra a Venezuela neste sábado (3) constitui um episódio de extrema gravidade e marca uma inflexão perigosa nos conflitos internacionais contemporâneos.

Trata-se de uma operação brutal, cuidadosamente planejada e executada como demonstração explícita de força, destinada a impor pela violência aquilo que Washington já não consegue assegurar por meio da diplomacia, do direito internacional ou de qualquer forma mínima de consenso entre as nações. Ficou patente a brutalidade dessa ofensiva, executada pela chamada Força Delta, uma divisão apresentada como da elite das forças armadas dos EUA, que é na prática uma organização terrorista com raio de ação internacional. A ação deixou evidente ainda o desprezo absoluto pela soberania de um país e pela vida de seu povo.