quarta-feira, 3 de junho de 2026

O capitalismo e o crescimento para poucos

Por Roberto Amaral

“O empresário tende inevitavelmente a se transformar em rentista e a dominar cada vez mais aqueles que só possuem sua força de trabalho. Uma vez constituído, o capital se reproduz sozinho, mais rápido do que cresce a produção. O passado devora a produção.” - Thomas Piketty, O capital no século XXI.

Ao contrário do que afirma Paulo Gala em seu excelente “Rumo a 2050” (Carta Capital, 27/05/2026), o crescimento da economia, por si, não altera a estrutura distributiva. Ao contrário, não apenas convive com alta concentração de renda, como a promove.

Trata-se, simplesmente, de determinismo da lógica de acumulação do capitalismo, e sua consequência irrecorrível é a concentração da riqueza, na contramão da valorização do trabalho como um dos fatores da produção. Mesmo o aumento da produtividade não implica aumento proporcional dos salários. De um lado, os lucros do capital são reinvestidos, ampliando a escala do capital e, como em um círculo vicioso, reforçando sua concentração; doutra parte, o desemprego estrutural - alimento do exército industrial de reserva - pressiona os salários para baixo, quadro tendencial da globalização do capitalismo, a que se somam o desenvolvimento científico e as novas tecnologias, poupadoras de mão de obra e intensivas em capital, e a articulação de grandes e poucas corporações operando em escala global, de forma oligopolista, transitando para o monopólio, com níveis inéditos de concentração de mercado e de poder político, frequentemente avançando sobre as soberanias nacionais.

Uma vitória estrondosa dos trabalhadores

Por João Guilherme Vargas Netto

Geralmente o grito “a luta continua!” é ouvido depois de uma derrota.

Mas na quarta-feira da semana passada (dia 27) o grito foi ouvido depois de uma estrondosa vitória obtida pelos trabalhadores na Câmara Federal: a aprovação da PEC com a extinção da escala 6 x 1, a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas sem redução de salário e um período de transição.

E a luta continua mesmo, porque agora a PEC precisa ser aprovada no Senado, também em duas votações com maioria qualificada e com os adversários tentando criar muitas e ridículas dificuldades.

Quando a economia não explica o voto

Por João Feres Júnior, no site A terra é redonda:

1.

Apareceram nas últimas semanas dois textos que se propõem a explicar o paradoxo do terceiro mandato de Lula: indicadores macroeconômicos sólidos, com desemprego em mínima histórica, PIB acima da média do G-20 e salário real em recuperação, convivendo com avaliação popular medíocre e desempenho de campanha pior do que se esperaria. O primeiro é o ensaio de Laura Carvalho e Guilherme Klein, publicado na Folha de S. Paulo, “Por que o desempenho econômico de Lula 3 não se converte em popularidade”. O segundo é o artigo de Carlos Pinkusfeld Bastos e Luis Berner no Jornal dos Economistas, que abre com o título irônico “Não é a economia, estúpido??”.