Depois de uma derrota, o termo mais utilizado é “eu não disse?”. Por isso, vou evitá-lo.
A onda da direita decorre da incapacidade de enxergar no status quo qualquer perspectiva de auto-mudança. Essa é a praga que acomete governos longevos. O mundo e as pessoas mudam, por mérito ou culpa de seus governos, mas há uma resistência persistente em entender o novo.
Essas eleições marcam o fim da geração das Diretas, aquela que legou lideranças como Fernando Henrique Cardoso, Lula, Mário Covas e Franco Montoro, entre outros. Essa geração aprofundou a democracia e amenizou a selvageria do capitalismo brasileiro, mas foi incapaz de construir o futuro. Foi contaminada pelo pecado capital de FHC e pela chamada teoria do choque na transição de uma economia centralizada para uma economia de mercado.