quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Censura empurra o Brasil de volta ao passado

Por Mário Magalhães, no site The Intercept-Brasil:

Quando os ponteiros se roçaram à meia-noite, ou os relógios digitais e telefones celulares só mostraram números zero na virada do sábado para o domingo, bom seria que os dois senhores classudos vestindo camisas azuis para fora da calça, no palco montado sob os arcos da Lapa carioca, estivessem acertando contas com um passado amargo, e nada mais.

Mas Chico Buarque e Gilberto Gil falaram ao presente, ao cantar 45 anos mais tarde “Cálice”, parceria deles proibida pela ditadura. Foi a canção que elegeram para abrir sua breve apresentação conjunta no Festival Lula Livre, perante dezenas de milhares de manifestantes.

Na reta final das escolhas eleitorais

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Entramos na última semana para a aprovação de candidaturas e a montagem de alianças eleitorais. Doze partidos ainda não definiram suas estratégias e pelo menos seis devem lançar candidatos próprios nas convenções que acontecerão até o próximo domingo, 5 de agosto: Manuela D’Ávila (PCdoB), Henrique Meirelles (MDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Álvaro Dias (Podemos). Desde 1989, o quadro da disputa não se apresentava tão fragmentado, nem as perspectivas de governabilidade foram tão nebulosas.

O agrotóxico contaminou o jornalismo

Por Chicão dos Eletricitários

O Brasil realmente é um país impar que contraria a lógica (?) das previsões econômicas, sociais e políticas; além disso uma parcela dos formadores de opinião flerta diuturnamente com a contramão do bom senso e da responsabilidade social.

Enquanto vários países proibiram o uso indiscriminado, irresponsável e nocivo à vida e ao meio ambiente, de agrotóxicos, o nosso país do futuro caminha a passos largos em direção ao abismo aberto pela ganância do lucro fácil e pela hipnose coletiva que norteia a conduta profissional (?) de parte da imprensa. É lamentável que se gaste tanta energia para justificar o injustificável.

Reforma trabalhista não diminui desemprego

Por Ana Luíza Matos de Oliveira, Barbara Vallejos Vazquez e Euzebio de Sousa, no site Brasil Debate:

Dados da PNAD Contínua divulgados na terça-feira, 31 de julho, mostram que, apesar de o discurso do governo Temer de que milhões de empregos formais seriam criados com a reforma trabalhista, a realidade brasileira hoje é de ampliação de vínculos sem carteira.

Após seis meses de entrada em vigor da reforma trabalhista, os resultados são um reforço à situação de caos social. As taxas de desemprego aberto não apresentaram retração no período, conforme haviam prometido os defensores da reforma. A taxa de desocupação no trimestre compreendido entre abril e junho de 2018 foi de 12,4%, o que significa 13 milhões de desempregados.


Alckmin e seus dois fantasmas

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Nos próximos 30 dias, até que comece a propaganda eleitoral no rádio e televisão, a aposta de Geraldo Alckmin será num relativo silêncio.

Dois nomes o apavoram e não devem ser falados, mas a mídia parece que, apostando no seu “domínio intelectual” sobre o povão não entendeu, ou melhor, entendeu apenas a metade da lição.

Os nomes são os de Michel Temer e de Jair Bolsonaro.

Com Temer, a mídia ajuda.

Ele – a contragosto, diga-se – desapareceu do noticiário tanto quanto é possível a um presidente fazer.

Carta aberta ao PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL

Enviado por Flávia Calé

“Vamos
Levantar a bandeira da fé
Não esmoreçam e fiquem de pé
Pra mostrar que há força no amor
Vamos
Nos unir que eu sei que há jeito
E mostrar que nós temos direito
Pelo menos a compreensão
Senão um dia
Por qualquer pretexto
Nos botam cabresto e nos dão ração (...)
Pra lutar pelos nossos direitos
Temos que organizar um mutirão
E abrir o nosso peito contra a lei
Do circo e pão (...)
Por isso nós vamos”
Bandeira da Fé (Zé Catimba e Martinho da Vila)

Esta carta é um chamado às direções do PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL, tendo em vista a urgência da união de forças políticas e sociais interessadas em fazer da eleição outubro próximo um instrumento legítimo para o restabelecimento do Estado Democrático de Direito em nosso país.

Uma economia para poucos

Por Paulo Kliass, no site Vermelho:

O avanço do calendário eleitoral e a maior clarificação dos campos no espectro político e partidário começam a conferir maior visibilidade às diferentes avaliações da difícil situação por que passa a nossa economia. Além disso, o momento permite a discussão de propostas para a superação da profunda crise que o Brasil vem atravessando ao longo dos últimos anos. Para além da denúncia da injustificada e arbitrária prisão do líder das pesquisas, as eleições permitem a reflexão coletiva a respeito do quadro dramático em que fomos encurralados.

Bicudo abriu espaço para um filho da ditadura

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

A História é uma dama caprichosa.

Hélio Bicudo morreu na terça, dia 31, aos 96 anos.

Professor de Direito da USP, um dos primeiros membros notórios do PT (saiu em 2005), teve um papel fundamental em momentos-chaves do Brasil, para o bem e para o mal.

Promotor em São Paulo nos anos 70, encarou o Esquadrão da Morte, levando à condenação alguns de seus integrantes em pleno regime militar.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Uma homenagem ao lutador Waldir Pires

Direita insiste na democracia sem povo

Por Paulo Copacabana, no blog Viomundo:

O Brasil não é para iniciantes, diz uma célebre frase atribuída ao compositor, músico e maestro Antonio Carlos Jobim.

Eu diria que o Brasil também não é para amadores.

Aqui, nada do que parece ser é realmente.

Um dos exemplos mais emblemáticos são as estórias contadas pela Rede Globo, bastante distantes da história verdadeira.

Segundo a Globo, o golpe não foi golpe, mas um impeachment normal, mesmo que decidido por um parlamento corrupto e por motivos sem fundamentos.

EUA: quem lucra com as crianças separadas

Por Marianna Braghini, no site Outras Palavras:

Encarcerar crianças imigrantes, em atentado aos direitos humanos, pode ser também fonte de lucros? No mês passado o site norte-americano The Daily Beast publicou reportagem denunciando algumas das empresas que ganham muito, com a nova política de imigração do governo Trump. Como se sabe, elas vêm sendo sistematicamente separadas de seus pais e abrigadas em instalações provisórias do Estado. Conforme os relatos e imagens dos jornais, pode-se dizer, no mínimo, que se trata de condições inadequadas para crianças em situação de vulnerabilidade. Mas as revelações de agora fazem lembrar episódios mais dramáticos: o papel de grandes empresas alemãs (como a Volkswagen e a Krupp) e mesmo norte-americanas (Ford e General Motors) no apoio industrial e tecnológico ao regime nazista – e a seus campos de concentração.

Desânimo, doença senil do neoliberalismo

Por Isaías Dalle, no site da Fundação Perseu Abramo:

“Nossos inimigos não nos derrotam quando perdemos. Eles nos derrotam quando desanimamos”. Estas frases, parte dos textos que foram lidos durante o Festival Lula Livre, que reuniu mais de 80 mil pessoas nos Arcos da Lapa, Rio de Janeiro, no último sábado, representam muito mais que um mantra de manual de autoajuda. São a decifração do objetivo premeditado do golpe e dos ataques neoliberais, e a senha para a necessária resistência.

Bolsonaro, o filho bastardo da Globo

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Em determinado momento da entrevista no Roda Viva, Bolsonaro diz que gostaria de aproveitar a presença dos jornalistas da Globo presentes e lembrá-los de um editorial de Roberto Marinho, de outubro de 1984, exaltando a ditadura militar.

O grupo Globo escalou dois de seus melhores jornalistas para a entrevista: Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor, e Bernardo Mello Franco, do Jornal O Globo.

Em seguida, Bolsonaro lembra que a TV Globo foi fundada em 1965, um ano após o início da ditadura.

Eleição e a divisão das forças populares

Por Roberto Amaral, em seu blog:

A unidade das forças de esquerda, não é, por si só, garantia de vitória ou de conquista do poder, mas é conditio sine qua non para nossa sobrevivência e avanço. Ou, no mínimo, para a resistência, que é a etapa atual da luta democrática.

É certo que, mesmo unidos, podemos ser derrotados, como atesta o resultado das eleições presidenciais de 1989, que, no entanto, significaram um grande avanço político cujas consequências eleitorais falariam em 2002. Foi essa a última grande campanha eleitoral da esquerda brasileira, pois a natural e necessária perseguição dos votos, então, não escamoteou os valores que nos distinguem política e idelogicamente. Ademais da unificação em torno da campanha de Lula, a esquerda organizada (refiro-me ainda às eleições de 1989) soube ampliar com setores ponderáveis do centro e conquistar a esquiva classe média.

A justiça hoje em quatro paradoxos

Por Marcelo Semer, na revista Cult:

Não é fácil lembrar-se de um momento em que a credibilidade do Judiciário estivesse tão arranhada quanto agora. A falta de confiança generalizada e uma avaliação negativa de forma assim persistente. Paradoxalmente, todavia, vivemos um dos momentos de maior demanda à Justiça, seja pelo extraordinário volume de ações que ingressam diariamente, seja pela competência cada vez mais ampliada dos pedidos, levando a judicialização ao patamar nunca antes na história –a começar pela própria incumbência de substituir nada menos do que o eleitor.

A sombra de Herzog eclipsa o Bolsomito

Por Ricardo Miranda, no site Os Divergentes:

Numa eleição como essa, existe o lado certo, o lado errado – sobre isso, podemos até debater – e existe o lado impensável. “O horror, o horror”, descreveu o assombroso Marlon Brando, na pele do Coronel Kurtz, no clássico “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola. O horror, para mim – discorda? entre na fila – chama-se hoje Jair Bolsonaro, o candidato-napalm. Se descartarmos todos os aspectos abjetos do pensamento e obra deste capitão-deputado, que nunca fez nada de bom no parlamento a não ser destilar seu ódio, seu preconceito, seus recalques e seus limites éticos, ainda assim restaria um elemento que, isolado, já seria suficiente para que qualquer pessoa com bom senso descartasse votar nele. Bolsonaro não só defende a tortura, uma das formas mais degradantes e desumanas de humilhação e extermínio de outro ser humano, ele a venera. Bolsonaro é a evidência de que existem pessoas más, e de que existem pessoas más capazes de votar em pessoas más. Simples assim.

Lula Livre - Lula Livro

Por Tatiana Carlotti, no site Carta Maior:

“Lula Livre – Lula Livro” é obra-manifesto. Um grito coletivo ecoado em 86 produções de escritores e cartunistas brasileiros, em forte denúncia contra o golpe e a prisão política de Lula, líder absoluto nas pesquisas de intenção de voto nas eleições de outubro.

Lançando nos dois principais eventos da última semana, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e o Festival Lula-Livre no Rio de Janeiro, “Lula Livre-Lula Livro” foi organizado por Ademir Assunção (“Ninguém na Praia Brava”, Patuá/2016) e Marcelino Freire (“Nossos Ossos”, Record/2013) que, em tempo recorde, conseguiram reunir a contribuição de autores extremamente representativos da literatura brasileira.

Doria mentiu 43 vezes. Quem acredita nele?

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

É preciso ser muito crente ou desinformado para acreditar num candidato a governador, que prometeu por 43 vezes ficar os quatro anos no cargo de prefeito para o qual foi eleito em 2016 e acabou saindo 33 meses antes do final do mandato.

Segundo levantamento feito pela Folha, esse foi o número de mentiras que João Doria contou na campanha para prefeito.

“Vou prefeitar até o último dia do meu mandato”, prometia ele quando lhe perguntavam sobre seus planos políticos.

Descrença na política é a arma da direita

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

A eleição geral de 2018 – a oitava desde 1989 – apresenta-se circunscrita a uma importante contradição. Não obstante a sua significância para o desbravamento do impasse gerado com o golpe que possibilitou a trágica ascensão do governo Temer, a população indica elevado grau de descomprometimento e descrédito com a política.

Pesquisa realizada no ano passado pelo Instituto Paraná indicou, por exemplo, que quase três quartos dos eleitores brasileiros não repetiriam, em 2018, o mesmo voto concedido a deputado federal nas eleições de 2014. Naquele ano, embora o país possuísse um total de 141,8 milhões de eleitores, somente 97,2 milhões deles votou para deputado federal, ou seja, apenas 68,5% dos brasileiros em condições de votar.

Um brigadeiro contra FHC

Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:

É um direito de qualquer brasileiro ter se desgostado do tenente-brigadeiro-do-ar Walter Werner Bräuer, falecido, em maio passado, aos 81 anos. Era pouco conhecido. Mas há também razões para gostar dele.

Bräuer tem, pelo menos, um episódio no qual foi importante protagonista quando ministro da Aeronáutica. Foi ele quem bloqueou a primeira investida de empresas estrangeiras dispostas a comprar a Embraer brasileira. O vento era favorável à venda. Ganhou a queda de braço, mas foi aposentado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.