quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Os norte-americanos no Oriente Médio

Tariq Ali
Por Ricardo Musse, no site A terra é redonda:

Em 21 de março de 2003, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque. Foi o desfecho de uma guerra anunciada e da polêmica acerca de sua necessidade – cujo fórum privilegiado foi a ONU, mas também as ruas, palco de um protesto mundial, em 15 de fevereiro, que mobilizou cerca de oito milhões de pessoas.

A intenção do exército norte-americano, efetivamente posta em prática, de permanecer no Iraque depois do fim da guerra e da deposição de Saddam Hussein causou perplexidade geral. As potências do Ocidente estariam retornando à “Era dos Impérios” e aos métodos neocoloniais de ocupação territorial? O século XX não havia consolidado, em todo o mundo, a política de “descolonização”? Os Estados Unidos não haviam obtido sua hegemonia incontestável, em parte devido ao seu discurso e à sua ação em favor da autonomia e independências nacionais? As guerras pontuais, após 1945, não foram apenas escaramuças em fronteiras de um mundo dividido pela Guerra Fria e que, com o fim desta, estavam destinadas a desaparecer?

Sopram bons ventos de Espanha

Pedro Sánchez ao lado do rei Felipe VI. Foto: POOL/AFP
Por Boaventura de Sousa Santos, no site Carta Maior:

São bons os ventos que sopram de Espanha. Pela primeira vez desde a transição democrática de 1978, os dois principais partidos de esquerda unem-se para formar governo. A articulação de esquerda de que Portugal foi pioneiro na Europa a partir de 2016 teve um papel importante ainda que indireto na solução espanhola. Sinalizou que o bom senso poderia ocorrer em política mesmo que durante muito tempo tivesse parecido impensável. Mostrou que, para além do muito que divide os diferentes partidos de esquerda, o que os une é suficientemente substantivo para construir um programa de governo partilhado. E porque se tratava de um caminho pouco trilhado houve que reduzir a escrito e detalhar os termos do acordo.

Prefeito desvia R$ 5,96 milhões da saúde

Por Jeferson Miola, em seu blog:

No despacho judicial em que mandou o prefeito Marchezan Júnior suspender publicidade sem caráter educativo, informativo ou de orientação social, a juíza Keila Silene Tortelli identificou a existência de “algumas publicidades de cunho eleitoral, a exemplo das publicações feitas nos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, anunciando ‘As reformas que o Brasil precisa, Porto Alegre já fez’” [liminar concedida em Ação Civil Pública do Sindicato dos Municipários de PoA].

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Lambe-botas de Trump já assusta ruralistas

Por Altamiro Borges

Nesta quarta-feira (8), na primeira entrevista do ano concedida ao imperdível blog DCM (Diário do Centro do Mundo), o ex-presidente Lula disse que Jair Bolsonaro “é um lambe-botas dos EUA”. Ele se referia à postura subserviente e vergonhosa adotada pelo Itamaraty diante do atentado terrorista do genocida Donald Trump contra o Irã. A crítica do petista deve ter obtido a concordância até de setores da cloaca burguesa, como os barões do agronegócios, que financiaram a campanha do “capetão”.

Bolsonaro ataca jornalista: ‘raça em extinção’

Por Altamiro Borges

A mídia monopolista – que adora o programa ultraneoliberal de Jair Bolsonaro, mas que teme a sua agenda civilizatória regressiva e o seu autoritarismo na política – até que tentou fazer as pazes com o “capetão” no final do ano. No clima festivo do período, ela propagou descaradamente a retomada do crescimento da economia, criando um clima de otimismo com a falaciosa explosão das vendas de natal e parcial queda do desemprego.

Finalmente Jair Messias diz uma verdade!

Por Eric Nepomuceno

Bem: é preciso reconhecer que antes ele disse outra verdade, quando assegurou que não pretendia construir um novo Brasil mas ‘desconstruir’ o que existia. E também é preciso reconhecer que ele vem ‘desconstruindo’ tudo com uma voracidade e um ódio sem precedentes.

E qual a segunda das duas únicas verdades que ele proferiu desde que assentou sua deplorável figura na poltrona presidencial?

Que no Brasil o jornalismo é uma espécie em extinção.

Devo admitir que pela primeira e única vez estou de acordo com Jair Messias.

Por razões radicalmente diferentes, é claro. Mas de acordo.

O jornalismo, ao menos o praticado pela minha geração e talvez pelas duas ou três que vieram imediatamente depois, começou a desaparecer há muito, muito tempo. Mais exatamente a partir de 1985, quando a ditadura acabou (ao menos formalmente...) e um civil retomou a presidência.

A vergonhosa entrega do patrimônio nacional

Por Cézar Manoel de Medeiros, na revista Teoria e Debate:

As privatizações e as concessões efetivadas no Brasil desde o início da década de 1990 não vêm resultando em investimentos conforme o esperado. Ao contrário, as empresas alienadas e a maioria das concessionárias ficaram estagnadas ou foram desativadas.

A maioria absoluta foi adquirida por empresas estrangeiras, cujo processo decisório para realização de investimentos passou a ser de suas matrizes no exterior.

As aquisições das empresas estatais na década de 1990, mesmo tendo sido realizadas com títulos públicos pelos valores de faces de cada título a vencer em mais de 20 a 25 anos sem qualquer deságio (denominadas moedas podres), logo, sem comprometer dispêndios financeiros próprios e não menos grave as empresas foram alienadas por preços aviltados devido a avaliações subestimadas via cálculo do valor presente usando elevadas taxas de desconto, superestimativa da evolução de custos operacionais e subestimativa da evolução de receitas.

O Brasil virou Ninguém

Por Gilberto Maringoni

O Brasil perde relevância. Paul Krugman termina sua coluna sobre o ataque dos EUA – publicado ontem na FSP e em vários jornais – da seguinte maneira:

“As autoridades de Trump parecem surpresas com as consequências uniformemente negativas do assassinato de Suleimani: o regime iraniano está fortalecido, o Iraque tornou-se hostil, e ninguém se manifestou em nosso apoio”.

Ninguém, não.

O Brasil apoiou.

Sandices de Bolsonaro e o inferno da guerra

Por Renato Rovai, em seu blog:

O Brasil tem uma das diplomacias mais competentes do planeta há algumas décadas. Não entramos em bola dividida. Sempre nos colocamos como solução para a paz.

Mas com o amadorismo de Ernesto Araújo e a sandice de Bolsonaro estamos próximos a nos envolver numa guerra que não é nossa e com a qual só temos muito a perder, mesmo que ela não atinja nosso território.

O contra-ataque do Irã às bases dos EUA são apenas a ponta do iceberg do que pode vir a ocorrer. O mundo pode estar vivendo o preâmbulo de uma 3a guerra mundial se o Congresso americano não interditar Trump.

Araújo joga a bomba e sai de férias

Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

O chanceler Ernesto Araújo fez como o menino que atira uma pedra na vidraça da vizinha, e no meio do estrondo sai correndo e se esconde.

É inacreditável que ele esteja de férias no exterior numa hora destas.

Mas Bolsonaro informou que está, e que só quando ele voltar (onde estará descansando off-line neste mundo conectado?) irão conversar sobre a cobrança de explicações do Irã, após o Brasil ter oferecido respaldo eloquente ao ataque de Trump que matou o general iraniano Soleimani.

Os últimos sinais são de que Bolsonaro, na ausência do chanceler olavista, agora está confuso, sofrendo pressões internas para que o governo fique “pianinho”, conforme o colunista Lauro Jardim, de O Globo, disse ter ouvido de ministro palaciano.

A mobilização contra as privatizações

Ataque ao Irã foi ato terrorista

Lunáticos, desqualificados e perigosos

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Brasil comporta-se como um imbecil

A antidiplomacia do prejuízo "grátis"

Por Fernando Brito, em seu blog:

A convocação da representação diplomática brasileira em Teerã para explicar-se sobre a nota do Itamarati condenando um “terrorismo” que, se aconteceu, foi no ato de assassinar-se a mísseis uma autoridade de um país com o qual temos relações diplomáticas.

Claro que bastaria uma manifestação de que o país se preocupava com uma escalada de violência, que se fixava na sua posição histórica de soberania dos estados nacionais e que integraria qualquer esforço internacional de pacificação.

Mas não, era necessário exibir-se ao chefe, chamando de terrorista – e até duvidando que tivesse a patente de general – a alguém que estava dentro de um caixão, envolvido pela dor de milhões de pessoas.

Os riscos do alinhamento automático aos EUA


Ontem (6) veio a público a notícia de que a chancelaria do Irã pediu explicações ao Brasil por conta da nota do Itamaraty sobre a morte do general Qassim Soleimani, assassinado em um ataque promovido pelos Estados Unidos na sexta-feira (3).

A nota do Ministério de Relações Exteriores manifestava “seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”, dizendo ainda “que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.”

A conversa se deu com a encarregada de negócios da embaixada, Maria Cristina Lopes, que representou o governo brasileiro, já que o embaixador do país no Irã, Rodrigo Azeredo, está em férias. O teor da conversa não foi revelado.

Reação de Bolsonaro viola a Constituição

Por Paulo Moreira Leite, no site Brasil-247:

Num país onde a Constituição afirma, no parágrafo VII do artigo 4o., que um dos princípios das relações internacionais da Republica Federativa do Brasil é a "solução pacífica dos conflitos", o apoio de Bolsonaro à operação de guerra que assassinou Suleimani configura mais um ataque de seu governo aos fundamentos de nossa democracia.

É muito grave. Mas não é só.

O gesto também pode expor as brasileiras e brasileiros a riscos mais graves do que se costuma imaginar. Em 2004 e 2005, quando seus governos foram solidários com George W Bush na invasão do Iraque, a população civil da Espanha e da Inglaterra pagou a conta com o sangue de mortos e feridos que nada tinham a ver com a história.

Pesquisa escancara machismo contra Dilma

Por Lu Sudré, no jornal Brasil de Fato:

O processo de impedimento da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) foi marcado pela violência em diversos sentidos, a começar pela linguagem. É o que constata pesquisa de doutorado realizada por Perla Haydee da Silva, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Defendida no fim do segundo semestre do ano passado, a tese avaliou as construções discursivas contra a petista durante o impeachment.

Consequências do apoio de Bolsonaro a Trump

Por Alexandre Putti, na revista CartaCapital:

O ano de 2020 começou com uma crise que deixou o mundo em alerta. Um ataque feito pelos EUA, nesta sexta-feira 03, matou o líder militar mais importante do Irã, o general Qassen Soleimani, uma das figuras mais respeitadas do país.

O ataque aconteceu no aeroporto de Bagdá, no Iraque, e logo em seguida foi assumido pelo governo americano. Imediatamente houve uma comoção no país e potencias como China e Rússia declararam apoio ao governo iraniano, que prometeu se vingar da morte de seu líder.

A movimentação deixou uma insegurança no ar e uma suposta terceira guerra mundial dominou as redes sociais nesta sexta-feira. O assunto foi o mais comentado no Twitter durante todo o dia.

Terrorismo de Estado e Soleimani

Foto: Atta Kenare/AFP
Por Marcelo Zero

Os EUA praticam terrorismo de Estado há muito tempo.

Fazem o que querem, muitas vezes à margem do sistema de segurança coletiva da ONU, sempre que consideram necessário ou desejável.

Deflagram guerras, derrubam governos, torturam e assassinam em nome da “democracia”, dos “direitos humanos”, do “combate ao terrorismo” e da suposta necessidade de “salvar vidas americanas”, as únicas que importam.

Estudo da Universidade de Brown estima, de forma bastante conservadora, que, em apenas três países, Iraque, Afeganistão e Paquistão, as guerras e conflitos promovidos pelos EUA mataram diretamente ao menos 480 mil pessoas, desde 2002.