quinta-feira, 9 de abril de 2020

Domínio militar, equilíbrio instável

Por Emiliano José, na revista Teoria e Debate:

Tempos estranhos.

Não apenas pelo coronavírus, esse Deus ex machina.

Mas, pelo modo como a política se move, como o poder se movimenta, e como há dificuldade de dar nome aos bois.

Luís Nassif, intrépido jornalista, teve a ousadia de manchetar no dia 29 de março, agora agorinha: “Xadrez do novo período, em que Bolsonaro não mais governa”.

Li com atenção o texto. Essencial a quem quiser entender os meandros da atual conjuntura, penetrar a sua complexidade, entender singularidades.

A grande mídia não trata do assunto. Ao menos, dessa maneira. Prefere vociferar, e o faz, depois de ter sido parte indissociável da eleição do atual presidente.

Bolsonaro usa vidas em seu pôquer mortal

Por Fernando Brito, em seu blog:

Traz O Globo, hoje, o retrato, na Favela da Rocinha, do que chamei no TV Afiada de “Quarentena da Porcina”: a que deixou de ser sem nunca ter sido.

“60% a 70% das lojas abriram [e] o mercado popular está funcionando”, diz um líder comunitário que fala em “uma avalanche de pessoas” nas ladeiras estreitas da comunidade.

É mais, muito mais do que se registrou nos primeiros dias de isolamento parcial e infinitamente além do que seria prudente na hora em que a epidemia se prepara para exibir sua escalada de números.

Com o presidente da República defendendo a volta ao trabalho, contra as orientações médicas e a estas fazendo se dobrar com a “cura-jabuticaba” da cloriquina, as ruas da pobreza vão se encher mais e mais.

Bolsonaro e a panaceia da cloroquina

Do site Vermelho:

O pronunciamento oficial do presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite de quarta-feira (8) foi mais uma demonstração de descaso com a situação dramática do povo. Repisando seus falsos conceitos, ele voltou a insistir no relaxamento da regra básica de contenção da transmissão do coronavírus, o isolamento social, destratou governadores novamente e reiterou a receita da cloroquina como panaceia contra a Covid-19.

Relaxar quarentena é brincar com a bomba

Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

Na segunda-feira, dia em que o ministro Henrique Mandetta balançou mas não caiu, o Ministério da Saúde divulgou boletim epidemiológico com parâmetros para o relaxamento do isolamento social: governadores de estados que não estivessem com 50% da capacidade hospitalar comprometida poderiam flexibilizar as medidas restritivas a partir do dia 13.

Ontem o ministro e seus auxiliares voltaram a explicar a orientação, dizendo tratar-se apenas de “parâmetros”.

Bolsonaro e Mandetta, por sinal, tiveram hoje uma conversa definida como "tranquila".

Um novo mundo surgirá. Mas, qual mundo?

Charge: Marco De Angelis/Itália
Por Gilson Reis

O confinamento social ao qual foram submetidos milhões de pessoas em todo o mundo, nos últimos meses, é algo jamais experimentado pela sociedade humana ao longo da história. É verdade que a nossa existência no planeta foi colocada à prova em dezenas de episódios factuais: disputas inter-impérios, doenças e pestes, guerras mundiais e continentais, confrontos étnicos, raciais e religiosos, enfim, uma coleção de fenômenos naturais e não naturais que submeteram a humanidade à diversos impasses existenciais.

Mulheres da periferia lutam contra a fome

Um "pacto pela vida e pelo Brasil"

Os ensaios do próximo jogo político

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Petardo: O isolamento e o pacto com a morte

Por Altamiro Borges

Nesta quarta-feira (8), o Brasil bateu novo recorde de mortes por coronavírus – 133 óbitos. Agora já são 822 vítimas fatais. Apesar da notória subnotificação, 16.195 casos foram confirmados. Mesmo assim, Bolsonaro – inimigo da ciência e apologista da morte – insiste no fim do isolamento social e pactua um recuo na área da saúde.

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No Boletim Epidemiológico-7, o Ministério da Saúde já sinalizou com a possibilidade do relaxamento gradual do isolamento. Segundo a Folha, a recuo agradou o "capetão", que "vê sinais de alinhamento do ministro Mandetta aos desejos do Planalto". A morte ronda os lares brasileiros!

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O recuo na quarentena é preocupante. Ao ultrapassar pela segunda vez a marca de cem mortes num único dia, Brasil entrou em uma nova fase na epidemia. "Daqui para a frente, o país deverá enfrentar uma forte escalada no número de vítimas", relata o jornalista Bernardo Mello Franco, no jornal O Globo.

O recuo vergonhoso de Bolsonaro

Milícia digital bolsonarista fuzila Mandetta

Por Altamiro Borges

O mundo é mesmo cheio de contradições e dá muitas voltas. O ainda ministro Luiz Henrique Mandetta – um ex-deputado do DEM que participou da cavalgada golpista contra Dilma Rousseff, que satanizou os cubanos do programa Mais Médicos e que ajudou na eleição do fascista Jair Bolsonaro – agora virou alvo das milícias digitais bolsonaristas. Mesmo após firmar um pacto com o presidente e permanecer na chefia do Ministério da Saúde, a “estrela” que causa tanto ciuminho no “capetão” segue apanhando dos milicianos virtuais.

Fim da quarentena? Pandemônio da pandemia

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