sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Panelaço reforça pressão por impeachment

Minhocão, São Paulo. Foto: @projetemos/Mídia Ninja

Por Altamiro Borges


Vídeos de todos os cantos do país mostram que o panelaço desta sexta-feira (15) contra Jair Bolsonaro foi o maior desde a sua posse. Nas redes sociais, as postagens indicam que cresce o movimento pelo impeachment do "capetão". O crescente descontentamento talvez explique o nervosismo do genocida no programa “Brasil Urgente”, da Band. Ele se enrolou e mentiu descaradamente, sem ser incomodado pelo cordial âncora José Luiz Datena. Algo se move em plena quarentena!

Convocado às pressas pela internet por ativistas sociais, lideranças políticas e artistas, o protesto agitou vários bairros nas capitais e nas maiores cidades do país. Em São Paulo, por exemplo, além do panelaço foram projetadas imagens nos edifícios do centro da cidade contra o genocida que preside o país. “Sem oxigênio, sem vacina, sem governo”, protestava uma das projeções.

Bolsonaro negocia com os lobistas de armas


Por Altamiro Borges


Enquanto os brasileiros morrem por falta de oxigênio em Manaus e milhões passam fome sem o auxílio emergencial, Jair Bolsonaro segue com suas negociatas às escondidas, sem qualquer transparência pública. Ele agora se nega a prestar informações sobre as visitas de lobistas de armas ao Palácio do Planalto.

Segundo denúncia da revista Época, o governo federal decidiu usar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais como base para negar o pedido da Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre a visita de lobistas e de outras figuras sinistras à sede oficial. O pedido rejeitado foi apresentado pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).

A mídia alternativa em tempos de Bolsonaro

Bonner já sabia que "esgrimava com loucos"

Por Eliara Santana, no site Viomundo:

Após uma edição contundente do Jornal Nacional, que mostrou o absoluto caos em Manaus, no Amazonas, onde não há mais oxigênio para tratar dos pacientes do Covid – ou seja, as pessoas estão morrendo sem conseguir respirar –, o jornalista e apresentador do JN, William Bonner, chamou para a apresentação da média móvel, os números compilados pelo Consórcio de Veículos de Imprensa sobre a Covid-19 no Brasil.

E se pronunciou, em forma de um apelo à nação:

Mortes em Manaus: Auschwitz é aqui

Por Jeferson Miola, em seu blog:


A asfixia de seres humanos por falta de oxigênio é, provavelmente, a forma mais cruel, mais sofrível e mais macabra de se matar e de se morrer.

Morre-se em desespero, debatendo-se em sofrimento e em pânico com o fim iminente e asfixiante.

A falta de oxigênio representa a privação do elemento químico absolutamente essencial que o organismo humano não pode prescindir além de alguns segundos.

É impensável que no enfrentamento de uma doença como a Covid, que afeta diretamente a capacidade respiratória das pessoas, não tenha havido provisionamento de respiradores mecânicos e de oxigênio para uso médico compensatório.

Não se pode atribuir a barbárie de Manaus somente à incompetência e ao despreparo do paspalhão general Pazuello e seus militares que desmontaram a excelência técnica do SUS e transformaram o ministério da Saúde em estrebarias dos seus quarteis.

Não dá para adiar fim da praga bolsonarista

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Com 62 pedidos de impeachment de Bolsonaro confortavelmente instalados sob seu traseiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, às vésperas de deixar o cargo, revolveu bater duro no presidente da República chamando-o de covarde e denunciando o que todos que têm mais de dois neurônios estão carecas de saber: a responsabilidade de Bolsonaro pelas mais de 200 mil vidas perdidas para a pandemia de coronavírus.

É provável, porém, que a súbita elevação de tom por parte de Maia não signifique adesão tardia à tese civilizatória do afastamento de um presidente que submete a nação à sua necropolítica.

O fim vai chegando

Por Marcos Coimbra, no site Brasil-247:


Como acontece com tudo na vida, o tempo passa para Bolsonaro. A primeira metade de seu mandato terminou e o relógio começa a andar mais depressa em direção ao fim. Temos que suportá-lo por mais um ano, pois 2022 será dedicado ao processo de removê-lo.

Este é o ano da verdade para o capitão.

O primeiro, quando a parcela pouco politizada e informada da sociedade considerava que era cedo para julgá-lo, é passado longínquo. Ninguém mais acredita que o governo vai se acertar e surpreender por suas realizações.

A pandemia foi excelente para o capitão.

Média móvel de fascismo

Por João Paulo Cunha, no jornal Brasil de Fato:

Estamos pelo menos 100% mais fascistas do que há duas semanas. E a tendência é que a curva se acelere se nada for feito para barrar as ações do bolsonarismo ativo, da reação leniente dos autoproclamados “defensores das instituições” ou mesmo dos arrependidos de última hora, que agora se esgrimam para atacar com mais virulência o horror que elevaram ao poder. Imprensa corporativa aí incluída.

Trump não tomará cianureto

Por Boaventura de Sousa Santos, no site Outras Palavras:


Trump não é Hitler, os EUA não são a Alemanha nazista, nenhum exército invasor está a caminho da Casa Branca. Apesar de tudo isto, não é possível evitar uma comparação entre Trump nestes últimos dias e os últimos dias de Hitler. Hitler no seu bunker, Trump na Casa Branca. Os dois, tendo perdido o sentido da realidade, dão ordens que ninguém cumpre e, quando desobedecidos, declaram traições, e estas vão chegando até aos mais próximos e incondicionais: Himmler, no caso de Hitler, Mike Pence, no caso de Trump. Tal como Hitler se recusou a acreditar que o Exército Vermelho soviético estava a dez quilômetros do bunker, Trump recusa-se a reconhecer que perdeu as eleições. Terminam aqui as comparações. Ao contrário de Hitler, Trump não vê chegado o seu fim político e muito menos recolherá ao seu quarto para, juntamente com a mulher, Melania Trump, ingerir cianureto, e ter os seus corpos incinerados, conforme testamento, no exterior do bunker, ou seja, nos jardins da Casa Branca. Por que não o faz?

Redes sociais e o impeachment de Bolsonaro

Da Rede Brasil Atual:

A morte de pacientes com covid-19 por falta de oxigênio hospitalar em Manaus causa profunda indignação, expressada em um intenso movimento nas redes sociais, que desde ontem (14), pedem o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Internautas pedem também a responsabilização do governo federal pelo colapso do sistema de saúde no Amazonas.

A hashtag #ImpeachmentBolsonaroUrgente é um dos assuntos mais comentados do Twitter, com quase 100 mil citações ao longo de toda a manhã desta sexta-feira. “Panelaço” também é outro termo que aparece entre os mais citados, em referência ao protesto convocado para esta noite contra o presidente.

Milícias: o novo poder

O caos tem nome e sobrenome

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Milhares na fila por alimentos na Ceagesp

Foto: Ceagesp
Por Altamiro Borges

Com o fim do auxílio emergencial e a explosão do desemprego, o Brasil passará a registrar cenas chocantes como as da madrugada desta quinta-feira (14) na Ceagesp, na capital paulista. Milhares de pessoas formaram uma fila gigantesca para receber alimentos doados pelos comerciantes. Muitos aparentavam estar famélicos, à míngua.

Segundo relato da revista Veja, "o anúncio da distribuição de cestas com alimentos pela Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) atraiu uma multidão ao local, com pessoas esperando mais de 12 horas para poder receber a ajuda". Foram distribuídas 3 mil cestas com frutas, legumes e verduras - as senhas começaram a ser entregues às 8 horas da manhã.

Tragédia: hospitais de Manaus sem oxigênio!

Por Altamiro Borges


Título assustador da coluna de Mônica Bergamo na Folha: "Oxigênio acaba em hospitais de Manaus; pesquisador diz que leitos viraram câmara de asfixia". Segundo a notinha, "pacientes estão sendo transferidos para o Piauí". Cadê o genocida Jair Bolsonaro e o "craque em logística", general Eduardo Pazuello?

A nota informa que "a situação em Manaus voltou a se agravar nas últimas horas, segundo relato de profissionais que atuam em hospitais atendendo os pacientes de Covid-19". O governador bolsonarista Wilson Lima (PSC), que era todo metido a valentão quando apresentava o programa “Alô Amazonas”, na TV A Crítica, agora está desesperado e confuso, revelando sua total incompetência para o cargo.

YouTube também bloqueia Donald Trump


Por Altamiro Borges


Depois do Twitter e do Facebook, agora foi a vez do YouTube suspender a conta do ainda presidente dos EUA, o neofascista Donald Trump. Nesta quarta-feira (13), a plataforma de vídeos, que pertence ao Google, bloqueou por "pelo menos sete dias" a página do difusor de fake news e terrorista ianque.

Além da suspensão, o YouTube deletou um dos vídeos do líder do império decadente por estimular o ódio. “Devido às preocupações com o risco atual de violência, suprimimos o novo conteúdo postado no canal de Donald J. Trump por violação de nossa política”, explicou a empresa em comunicado oficial.

Uma conjuntura ameaçadora

Por Armando Boito, no site A terra é redonda:

Há conexões e comparações a serem feitas entre os acontecimentos dos Estados Unidos e a conjuntura brasileira. Diria que, tanto num caso como no outro, a conjuntura é muito crítica e até ameaçadora. No Brasil e nos Estados Unidos temos duas das maiores lideranças da extrema direita contemporânea. Em minha opinião, ambas devem ser caracterizadas como neofascistas.

O que nós vimos lá foi sim – na minha avaliação – uma ofensiva golpista do presidente Donald Trump. Muitos dizem que não, que ninguém pode dar um golpe de Estado com algumas centenas de aloprados ocupando a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Acontece que não podemos separar esse episódio final do processo em seu conjunto.

A Ford e a desindustrialização

Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:
 

Estamos todos de acordo de que Bolsonaro realiza um governo autoritário, com traços nitidamente neofascistas. Sabemos também que a sua postura irresponsável perante a pandemia pode ser claramente qualificada como genocídio. Tampouco restam dúvidas quanto às intenções neoliberais de Paulo Guedes no comando da economia, onde o objetivo central sempre foi o de promover a destruição do Estado e o desmonte das políticas públicas. Nesse conjunto, a obsessão com a dilapidação do patrimônio estatal se concretiza por meio da venda das empresas estatais e outras formas mais sutis de privatização.

Vacina e o 'Plano Nacional de Esculhambação'

Por Fernando Brito, em seu blog:


A “corrida maluca” da vacinação contra a Covid-19, depois que o governo federal saiu de seu longo período de “para que a angústia?” prossegue com lances dignos de uma mórbida comédia pastelão.

O pedidos de licença emergencial, tanto da Coronavac/Butantan quando da Astrazêneca/Fiocruz poderiam ter sido apresentado bem antes e não o foram porque as duas instituições científicas se meteram em um jogo de gato e rato.

No melhor estilo espetaculoso, a Anvisa vai transformar o que deveria ser uma reunião técnica num espetáculo televisionado, pestes para animar a torcida: “vai, Oxford; Cuidado, Sinovac, não descuida da defesa, etc” com todos se movimentando para conseguir o “gol” e se cuidando para não receber “cartão amarelo” (adiamento) ou “vermelho” (recusa de registro).

Ford escancara agenda econômica da mídia

Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Não é novidade que o comportamento fanático e agressivo do oligopólio midiático brasileiro quando se trata da cobertura econômica faz os torcedores "ultras" russos e os "hooligans" ingleses parecerem criancinhas indefesas.

Mais um prego no caixão de um país outrora em construção chamado Brasil, a partida da montadora Ford escancara, de novo, o desastre da agenda econômica defendida em uníssono pelos "colonistas" (ou "calunistas", como preferirem) econômicos de canais tão sofisticados e moderninhos como a GloboNews, se comparados à face grotesca da serpente neopentec-policial-bolsonarista que "cancela CPFs" ao vivo. Sabemos, porém, que as aparências enganam.

Preparar-se para o pior, conter os danos

Por João Guilherme Vargas Netto


Escrevo este primeiro texto de 2021 impressionado pela velocidade com que avançam a Covid, o desemprego e o desespero dos brasileiros acossados pela fome.

As seis centrais sindicais, no dia 5 de janeiro, determinaram a concentração de nossas preocupações e exigências na luta pela vacinação já, pelo auxílio emergencial e pela solidariedade social aos mais desvalidos.

Mas então houve o brutal anúncio da Ford do fechamento de três fábricas no Brasil. A crise, que até então infernizava a massa da população paupérrima (assolada pela doença e pela falta de recursos) entrou pela casa adentro do setor organizado, arrombando a porta.