sexta-feira, 21 de outubro de 2011

João Dias não apresenta provas à PF

Por Pedro Peduzzi e Roberta Lopes, na Agência Brasil:

A Polícia Federal informa que até agora não recebeu do policial militar João Dias Ferreira, autor de denúncias sobre a existência de um esquema de corrupção no Ministério do Esporte, nenhum documento ou gravação que possa resultar em prova material para embasar as investigações sobre o caso que envolve o ministro da pasta, Orlando Silva.

A informação foi confirmada hoje (21) pela Agência Brasil no Departamento de Polícia Federal, no Instituto Nacional de Criminalística e nas superintendências da PF no Distrito Federal e em São Paulo.

Ao deixar a Superintendência da Polícia Federal no DF, onde prestou depoimento por mais de sete horas na quarta-feira (19), João Dias disse ter entregue “alguns materiais, algumas provas, algumas degravações e alguns documentos fraudados emitidos pelo ministério”. Além disso, ele prometeu entregar novos documentos e áudios na segunda-feira (24).

Em matéria publicada pela revista Veja, o militar denunciou um esquema de corrupção no Programa Segundo Tempo, que repassa recursos para incentivar a prática de esportes entre crianças de baixa renda. Segundo a publicação, o próprio ministro recebeu dinheiro desviado do programa, em troca da liberação de recursos para uma organização não governamental.

Um comentário:

  1. Orlando cai?

    Certos analistas vêm apresentando um comportamento estranho diante da fritura explícita do ministro Orlando Silva. Todos concordam que a Veja utiliza fonte inconfiável, que há falhas na denúncia, que parece orquestração da Fifa e da CBF, que é subterfúgio para desviar o foco do “mensalão da Alesp” e do eventual sucesso brasileiro nos Jogos Pan-Americanos, e por aí vai. Mas, sacumé, defendem que ele peça demissão até provar sua inocência. Ora, se essas objeções não bastam para alguém repudiar os ataques, o que seria necessário?

    Pela enésima vez, parte da blogosfera cai na pauta mequetrefe da pior mídia corporativa, reproduzindo seu conteúdo em vez de checá-lo dignamente. Com a ajuda da blogosfera, o golpe baixo na reputação alheia vira um crime perfeito. O farisaísmo ético da oposição ganha ares republicanos e o jornalismo investigativo se rebaixa a publicar delações premiadas de bandidos notórios (algo que jamais serviria para envolver José Serra). Mesmo que processe os malditos, a vítima passará uma eternidade lutando contra o véu de suspeita, que a acompanhará onde estiver.

    A Folha de São Paulo acaba de publicar uma retratação determinada pela Justiça para limpar uma ínfima parte do prejuízo causado a um cidadão. Foram treze anos desde a publicação do material difamatório. Há quase sete anos esperamos uma conclusão definitiva sobre o chamado “mensalão do PT” (sim, há outros), que serviu para expor dezenas de pessoas na imprensa diária.

    Não sei se Orlando Silva e o PC do B são inocentes. Mas acho que deveríamos acompanhar o episódio lembrando que vai demorar um bocado para termos qualquer certeza a esse respeito. A Copa e as Olimpíadas terminarão bem antes.

    http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

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