quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mervais saem em defesa dos bancos

Por Altamiro Borges

Merval Pereira, o “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL), não gostou do pronunciamento de Dilma Rousseff contra a “lógica perversa dos bancos”. Transmitido em cadeia de rádio e TV na véspera do 1º de Maio, o discurso foi saudado pelos sindicalistas e espinafrado pela mídia rentista. O colunista da Rede Globo não perdeu a chance para prestar os seus serviços aos banqueiros.


Para ele, a fala da presidenta exigindo a redução dos juros “sinaliza uma perigosa tendência de seu governo de se apoiar nas altas taxas de popularidade para pressionar setores da economia que não se enquadrem nas suas orientações”. No seu entender, esse debate deveria ser “técnico”, limitando-se às negociações do Ministério da Fazenda com a federação dos banqueiros (Febraban).

O medo das "táticas populistas"

Merval até elogia os bancos privados, que “anunciaram que acompanharão os bancos públicos” na redução dos juros. Mas, como porta-voz dos rentistas, diz que eles “querem uma contrapartida governamental para aderir à queda mais firmemente”. Metido a astro da televisão, o enfadonho comentarista da TV Globo também opina sobre a performance de Dilma Rousseff nas telinhas:

“Embora sua fisionomia amena na ocasião não possa ser comparada à carranca da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que parece estar sempre em luta contra os dragões da maldade do capitalismo, a postura da presidente brasileira pode ser comparável à de sua colega argentina”. Ou seja: para o “imortal”, ambas são demagogas. Em síntese: o saudoso de FHC acha que isto conduzirá o país ao desastre:

“A utilização da política para resolver questões técnicas é tática populista que pode render frutos eleitorais a curto prazo, mas leva a decisões que podem ter consequências maléficas a longo prazo para a economia do país... O discurso de Dilma foi muito bem elaborado, como sempre, pelo marqueteiro João Santana, e até mesmo questões técnicas como a inadimplência foram tratadas pelo viés populista, na intenção de jogar os argumentos dos bancos contra a população”.

"As Malvinas de Dilma" 

Merval Pereira não foi o único a sair correndo, desesperadamente, em defesa dos banqueiros. A versão online da revista Veja saiu à frente nesta tarefa (ver texto). Hoje o Estadão também espinafra o discurso da presidenta. O título já é pura provocação: “As Malvinas de Dilma”. Num discurso combinado da mídia, o editorial critica o “populismo” das presidentas do Brasil e da Argentina.

“Discurso contra banqueiro é sempre um sucesso de público - e muitas vezes de crítica - e a presidente Dilma Rousseff tem-se dedicado com notável empenho a essa tarefa”, inicia o artigo. E conclui: “A retórica da presidente não se distancia muito das perorações habituais de sua colega argentina. Serão os bancos as Malvinas do governo brasileiro?”.

A guerra está declarada

Como se observa, a mídia rentista está preocupada com a mudança de postura do governo diante da agiotagem financeira. Este temor se deve basicamente a dois fatores. O primeiro é ideológico: os barões da mídia são adoradores do “deus-mercado” e não toleram qualquer ação indutora do Estado. São neoliberais convictos. O segundo é econômico: eles estão associados aos bancos e dependem, inclusive, dos seus bilionários anúncios publicitários. A guerra parece que foi declarada!

Um comentário:

  1. Viram o blog do Merval Pereira hoje?

    Lá pelas tantas, lí o seguinte:

    Governistas querem impor maioria na CPI

    Merval Pereira 2.5.2012 13h10m

    "A lei do mais forte na CPI do Cachoeira. Se prevalecer trator situacionista, CPI dará mostras de que será usada para aniquilar a oposição, em vez investigar relações de bicheiro."

    http://oglobo.globo.com/blogs/blogdomerval/posts/2012/05/02/governistas-querem-impor-maioria-na-cpi-443063.asp

    Eu acho que ele tem razão.

    Afinal os governistas são maioria e a oposição é minoria. Isso é extremamente injusto. Se a maioria sempre vence a minoria, onde está a democracia?

    Talvez fosse o caso de promover uma reforma constitucional. A cada eleição, aqueles que obtivessem mais votos deveriam ter menos parlamentares e vice-versa. Assim, seriam assegurados os direitos da oposição.

    Grande Merval.

    É por isso que ele é imortal.

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