terça-feira, 9 de abril de 2013

O choro de Carla Vilhena

Por Marco Aurélio Mello, no blog DoLaDoDeLá:

A nova direção de jornalismo da TV Globo parece que não gosta muito de investir nas relações humanas. Nem mesmo o departamento de RH, que deveria gerenciar "as emoções", consegue saber com antecedência o que está acontecendo, para tomar medidas paliativas necessárias numa grande corporação.

O choro copioso da querida Carla Vilhena, apresentadora do Bom Dia São Paulo e do bloco local do Bom Dia Brasil, impedida de se despedir de seus telespectadores na última sexta-feira, dá bem a dimensão da falta de tato dos gestores.

Depois de saber pela imprensa que seria substituída na bancada pelo correspondente em Nova Iorque, Rodrigo Bocardi, Carla, com a delicadeza que lhe é peculiar, escreveu uma mensagem de despedida, mas a direção proibiu-a de lê-la.
Abalada, Carla não conseguiu terminar sua participação e foi substituída pela uma moça do tempo. Saiu do ar amparada por funcionários da Globo sem levar nem suas roupas e nem seus pertences.

Trazer Rodrigo de volta para o Brasil com assento em uma bancada é um movimento importante. O repórter, que teve carreira meteórica na emissora durante o mensalão, faz com desenvoltura o jogo da casa. Quem não se lembra da moedinha na pista do aeroporto de Congonhas, para incriminar Lula pelo acidente da TAM, em julho de 2007?
Rodrigo é um bom sujeito. Trabalhamos juntos no Jornal da Globo, com Ana Paula Padrão. Ele tinha vindo da Band, onde começou como coordenador de telejornal, uma função burocrática. Teve a felicidade de fazer jornalismo na Faculdade do Morumbi, onde a elite paulistana se encontra. Fez amizade com os Saad, circula em altas rodas e conhece detalhadamente a cartilha neolibelês.
Sonhava em ser editor de economia e pediu para que eu o apadrinhasse nesse sentido. Como acumulava - para que testassem minha capacidade - as funções de editor de política e economia do telejornal, cujo noticiário era majoritariamente composto por esses dois temas, concordei e indiquei seu nome ao então editor-chefe, Luiz Claudio Latgé.
Competente, logo Rodrigo caiu nas graças de toda a equipe, mas alimentava em silêncio o sonho de ser repórter, o que no caso dele não era difícil, porque tem boa estampa, boa voz e é muito bem relacionado. Será muito bem teleguiado na nova função.

Depois de dois anos na bancada, Carla volta à reportagem. Passa a engrossar o coro do Fantástico. Como apresentadora, a bela morena de olhos azuis encantou o país no Jornal da Band, no fim dos anos 90. Beleza, postura e voz eram tão marcantes, que foi convidada pela Globo para ser apresentadora do Novo SPTV, em 1998.
Como na emissora a fila é grande, Carla ficou para lá e para cá, até que conseguisse sua própria bancada num jornal de rede. Apresentou os SPTV, os Bom Dias, o Jornal Hoje, o Fantástico e até o Jornal Nacional, nas folgas dos apresentadores titulares. É o tipo de profissional de quem não se ouve críticas, só elogios.
Torço para que ela supere a dor de ser cortada sumariamente, como já aconteceu com tantos outros. Carla, o mundo não só aí. Um beijo no seu coração.

9 comentários:

  1. Belo comentário.... concordo plenamente.
    Esperamos que a Carla tenha outras opções em emissoras tão competentes e que possuem ao meu ver mais qualidade e profissionalismo que a Globo...
    "Hoje em Dia" ela não é tão poderosa assim...

    Mário.

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  2. Beijo no coração não Miro. Isso é muito brega.

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  3. Miro,

    O não investimento no ser humano não é um privilégio da globo. As grandes corporações agem assim no mundo todo. Acho que o grande erro que cometemos e não nos apercebermos que a importância das pessoas é nenhuma nesse processo, que diga-se, acentuou-se com a chegado ao poder do woytila, tatcher e reagan.

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  4. Uma empresa que se diz tão preocupada com o social, que vende uma imagem tão solidária em sua programação (Criança Esperança, quadros Lar Doce Lar, Lata Velha, Soletrando etc do Caldeirão do Huck, Transformação do TV Xuxa, e por aí vai...), deveria se preocupar com seus funcionários de forma igual. Mas não é isso o que acontece. Existem muitos funcionários esquecidos, sem qualquer perspectiva dentro da empresa, adoencendo às vistas de gestores e do RH. Não é a toa que internamente chamam o setor de Recursos Desumanos. É triste constatar que o sonho de muitos universitários não passa de sonho mesmo. Ou melhor, pesadelo.

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  5. Eunice Costa
    E decepcionante quando uma organização manifesta na "telinha" SEU "compromisso COM O SER HUMANO, COM A VERDADE E COM A ÉTICA". mas, jogaram tudo isso no lixo, na hora de "descartar" uma profissional do peso da Carla Vilhena. Ela não merece ir para a rua fazer reportagem. Esse tempo já passou. Ela construiu seu caminho com capacidade, respeito e muita dedicação.
    Tomara que outra empresa com ÉTICA DE VERDADE possa olhar para ela ew contratá-la para um padrão do porte dela.

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  6. infelizmente as corporações agem com seus colaboradores desta maneira que estamos vendo,isto é ótimo para dismotivar o profissional porque eles não visto como seres humanos e sim como números.

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  7. "Beijo no coração"... essa doeu.

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  8. Uma jornalista excelente, com opinião que falava muitas vezes sobre a indignação no momento da reportagem. Talvez tenha sido este o motivo. A covardia da Globo é explicita.

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  9. Queria que a Carla pudesse ler isto:
    Tentei assistir ao Jornal depois que ela saiu...Não consigo, nunca mais verei este programa, pois ela era a alma de tudo. Esse Bocardi conseguiu errar no improviso, sorte dele a repórter que estava ali ao lado dele para tentar salvá-lo. Impossivel Rodrigo,vai ler texto, va apresentar Globo Reporter se conseguir. CARLA, AVISE AONDE FOR..QUEM SABE NA BAND EM> SAUDADES...ROSE.

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