quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Marcha reúne 15 mil pessoas em SP

Por Mariana Serafini, no site Vermelho:

Os movimentos sociais e os partidos de esquerda “pintaram de vermelho” a Avenida Paulista novamente. Apesar da chuva que dificultou o percurso em diversas regiões da cidade, mais de 15 mil pessoas participaram de uma manifestação em defesa da Reforma Política democrática na tarde desta quinta-feira (13) na capital paulista.

Mas não só a Reforma Política movimentou os movimentos sociais, que também foram para a rua mostrar aos setores conservadores a força do povo brasileiro. “Estamos na rua por mais direitos e contra a direita”, disse um dirigente do MTST. Isso porque, há poucos dias uma parcela ultra conservadora da sociedade se reuni no mesmo lugar, no vão livre do Masp, para exigir um impeachment e um golpe militar. Em resposta o povo tomou as ruas para consolidar a vitória nas urnas.

No percurso da Avenida Paulista, os mais de 15 mil manifestantes foram embalados pelo som alto do carro de som, a música Da ponte pra cá, dos Racionais, fez muitos cantarem juntos, afinal na periferia a banda toca diferente, e esse recado também foi dado. “Não adianta querer ser tem que ter para trocar, o mundo é diferente da ponte pra cá”, diz o refrão.

Mas diferente das manifestações que tradicionalmente percorrem apenas a Avenida Paulista, desta vez os manifestantes decidiram mudar o percurso e passar por uma das regiões mais ricas da capital, conhecida como Jardins, onde o candidato Aécio Neves teve cerca de 80% dos votos. O objetivo foi, literalmente “dançar na cara da elite”. Ao som de Asa Branca os manifestantes dançaram na rua Jaú, em frente a um hotel de luxo. “Estamos aqui nesta região rica para mostrar para essa elite branca que São Paulo é uma das cidades mais nordestinas do país”.

Um misto de desprezo e simpatia tomou conta das ruas nobres de São Paulo, enquanto alguns moradores olhavam assustados do alto dos prédios luxuosos, porteiros, manobristas e outros funcionários sorriam e acenavam, alguns até aproveitaram para registrar a grande manifestação com seus smartphones.

Para o dirigente José Bitelli, da CTB, essa manifestação foi uma “intervenção do povo”, ao contrário da direita que pede uma intervenção militar. Ele ressaltou a importância de os setores progressistas tomarem as ruas para garantir os direitos já conquistados e seguir com novas vitórias populares.

A CUT também defendeu a participação popular para garantir direitos e, principalmente, para fortalecer a luta pela Reforma Política e outras reformas estruturantes, entre elas as reformas urbanas e agrárias.

Os movimentos que lutam por moradia, entre eles o MTST e o FLM compareceram em peso na manifestação, milhares de pessoas das mais distantes ocupações fizeram questão de marcar participar da luta pela Reforma Política. Entre as comunidades presentes estavam a Nova Palestina e a Faixa de Gaza, reconhecidas pela resistência popular em defesa do direito à moradia digna.

A UJS também fez questão de participar e levou sua bandeira, a reforma da mídia. Desde a manifestação realizada em frente a Editora Abril contra a revista Veja, a entidade vem engrossando o coro da democratização dos meios de comunicação por acreditar que este setor é importante no processo de conscientizar a população em defesa das demais reformas necessárias.

O presidente municipal do PCdoB da capital paulista, Jamil Murad, afirmou que para garantir mais mudanças e fortalecer o governo da presidenta Dilma, os movimentos sociais devem estar nas ruas, ele vê este momento como um “fator novo na vida politica nacional para impulsionar as reformas estruturais democráticas”.

Ao contrário da direita que defende intervenção militar, e outros regimes antidemocráticos, “os trabalhadores, os estudantes, as mulheres, os partidos políticos de esquerda, os movimentos sociais, e os patriotas que lutam por um país melhor, estão na rua pela democracia”, explicou Jamil.

De acordo com Jamil, a direita “não sabe perder”, porque apesar da derrota, querem impor medias governamentais como escolher o ministro da Fazenda, e o diretor do Banco Central, além de impor o corte de gastos com programas sociais. “Eles perderam, mas querem que a Dilma aplique a política deles, isso é uma coisa esquizofrênica”, diz.

Já o presidente do PCdoB em Pirituba, Donizetti Cunha, classificou o local escolhido para a manifestação como “um bom recorte, iniciar a manifestação do vão do Mas, no mesmo lugar onde a turma do Aécio, essa elite branca, provou que não sabe perder”. Segundo ele, o povo não está disposto a voltar ao passado, e por isso elegeu pela quarta vez um presidente progressista.

A manifestação contou com a participação de diversos movimentos sociais, entre eles UJS, CUT, CTB, Ubes, UEE-SP, MTST, FLM, Coletivo Fora do Eixo, Coletivo Rua, Levante Popular da Juventude e outros. Os manifestantes deram o recado, uma vaia ao preconceito, à polarização do Brasil e às medias reacionárias que os setores conservadores querem impor.

Um comentário:

  1. Darcy Brasil Rodrigues da Silva14 de novembro de 2014 às 18:25

    Fiquei impressionado! 15 mil me parece um ponto de partido auspicioso. Agora gostaria de chamar a atenção para a atuação do MTST. Este movimento tem me surpreendido positivamente cada vez mais. Sua capacidade de organização e mobilização é digna de nota. A justeza de sua linha política igualmente. Me faz lembrar o MST. Lógico que apenas esses dois movimentos não dariam conta de manifestações massivas como esta e como as que se farão necessárias no futuro para viabilizar a aprovação da Reforma Política. Mas reconhecer, no âmbito de uma cidade como São Paulo, a existência de um poderoso movimento social como o MTST constitui uma novidade que nos faz acalentar sonhos de mudanças. A razão porque me dedico a elogiar esse movimento se deve ao fato de que trata-se de forma criativa que viabiliza a organização e a mobilização de massas populares existentes na periferia das grandes cidades. Encontrar maneiras de organizar e mobilizar esses segmentos do povo que, na maioria das vezes, não podem ser abarcados pelas formas de organização tradicional dos trabalhadores, como os sindicatos, sempre foi uma preocupação dos setores progressistas. Muitas foram tentadas, mas não me lembro de alguma que tenha tido tantos êxitos como o MTST. A participação decisiva deste movimento na aprovação do plano diretor da cidade de São Paulo também chamou a atenção. Estreitar os laços políticos com esse movimento, ajudar a levar essa experiência para outras grandes cidades brasileiras me parece ser uma boa tarefa para ser cumprida pelas forças progressistas.

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