sexta-feira, 3 de junho de 2016

Um país governado pelos editoriais da Globo?

Por Thiago Cassis, no site da UJS:

Chamam muita atenção dois recentes editoriais do jornal “O Globo” (sim, aquele jornal que apoiou a ditadura) em que parecem ditar os rumos do governo ilegítimo de Temer.

No dia 23 de maio, o jornal carioca encerra assim seu editorial: “Até para não dar razão aos lulopetistas que denunciam uma trama contra a Lava-Jato por trás do impeachment de Dilma, o presidente não pode demorar para afastar o auxiliar”. O auxiliar no caso seria Romero Jucá (PMDB-RR), ministro do Planejamento, que teve suas conversas com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, gravadas e divulgadas por outro grupo historicamente apoiador de golpes, a Folha de S.P..

Alguns dias depois e Romero Jucá não estava mais lá. Como o Globo mandou.

Ontem, dia 30 de Maio, o editorial do Globo foi impositivo “Fabiano Silveira não pode continuar ministro”. O, até antes do editorial, ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, que substituiu a Controladoria Geral da União (CGU), Fabiano Silveira, também não compõe mais o governo temporário.

O texto do Globo ainda elogia a rapidez com que o presidente ilegítimo acatou suas sugestões da semana passada “Temer agiu com a rapidez necessária, e Jucá perdeu o cargo”, ou seja, “para bom entendedor meia palavra basta” como diz o ditado, era chegada hora de afastar mais um. E assim foi.

O jornal encerra o editorial repetindo o mantra da “caça a corrupção” que hipnotizou o país e colocou muita gente nas ruas com a camiseta da CBF (rs) afirmando que “Só assim (com o afastamento de Silveira) será levado a sério o compromisso público assumido pelo presidente de apoiar a Operação (Lava-Jato) e todo o combate à corrupção. Isso é tão essencial para o governo Temer como a contenção da crise econômica”.

As organizações Globo tem decidido o destino do país, sugerindo os passos seguintes do conluio golpista, do qual é porta-voz, “preparando” dessa forma a vasta opinião pública direcionada por seus editoriais, e construindo o senso comum, como tem feito desde a década de 60. Também não podemos afirmar com precisão a quem, ou a que grupos interessam, os vazamentos recentes que balançam parte do staff do governo temporário, causando o afastamento de duas peças até o momento, mas não existe jogada em falso no xadrez dos golpistas, resta saber o que está sendo preparado para, enfim, detectarmos quem, de fato, quer governar o país através do golpe?

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