sábado, 28 de janeiro de 2017

Polícia protege Doria. Medo do quê?

Por Altamiro Borges

Nem bem começou a sua gestão e o demagogo João Doria parece que já está com medo da reação popular às suas políticas cinzentas e autoritárias. Nesta terça-feira (24), o jornal Agora – ligado ao Grupo Folha – revelou que o novo prefeito ordenou a montagem de um policiamento exclusivo para a sua residência. “Um carro e uma base comunitária da GCM (Guarda Civil Metropolitana) fazem vigilância em frente à casa do prefeito João Doria (PSDB), no Jardim Europa (zona oeste), desde 1º de janeiro, quando o tucano tomou posse. Há guardas-civis 24 horas por dia”, informa o jornalista William Correia.

Como aponta a matéria, “os dois prefeitos anteriores, Gilberto Kassab (PSD) e Fernando Haddad (PT), não tinham guardas-civis na porta de suas residências 24 horas por dia. A segurança era feita em ocasiões específicas, como em dias de protesto”. A decisão do ricaço, além de ferir a legislação do setor, revela a sua postura elitista. “O grande problema não é a GCM fazer a segurança do prefeito, mas ter de fazer isso na casa dele”, afirma Guaracy Mingardi, analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Outros especialistas ouvidos pelo jornal Agora também criticaram a iniciativa.

“A legislação não prevê segurança contínua aos prefeitos, mesmo se for da PM. O mais correto seria o prefeito contratar segurança privada”, diz José Vicente da Silva Filho, consultor na área. O Sindguardas-SP (sindicato dos guardas civis) afirma que não há efetivo suficiente nem para fazer a operação obrigatória na cidade. “Não é comum fazer essa vigia. Com outros prefeitos, já fizemos em casos esporádicos. Mas o único problema é que falta gente. Certamente, esses veículos e agentes deixaram algum lugar da cidade sem a operação”, disse Clovis Roberto Pereira, presidente da entidade.

Diante da repercussão negativa, João Doria deixou de lado a sua empáfia autoritária e até tentou se justificar. “Está dentro da lei. Eu não moro em apartamento. Em prédio você tem recurso, tem proteção. Eu moro em uma casa lindeira a uma calçada e vocês acompanharam as manifestações que foram feitas na porta da minha casa antes mesmo de eu me tornar prefeito empossado... Não vou fazer uma situação onde os vizinhos da minha casa tenham que padecer com o sofrimento de movimentos nas suas portas. O prefeito não vai ficar exposto, muito menos os meus filhos”, afirmou à Folha.

Um prefeito cinzento e covarde

Pelo jeito, o novo prefeito já prevê que a sua gestão será traumática, com inúmeros protestos contra suas iniciativas cinzentas, elitistas e autoritárias. Uma delas, por exemplo, já está lhe rendendo uma baita dor de cabeça. A decisão de apagar os grafites – que transformaram a cidade de São Paulo numa referência internacional da arte de rua – gerou críticas de amplos setores da sociedade, inclusive da mídia chapa-branca. A Folha até lhe dedicou um editorial. “João Doria defende princípios liberais na economia e na política; como prefeito, entretanto, lança-se numa empreitada intervencionista e censória contra uma das poucas coisas que, pela espontaneidade criativa, tornam a cidade de São Paulo mais alegre e interessante de ver”.

Num primeiro momento, o prefeito falastrão rechaçou as críticas e tentou posar de valentão. Rosnou que iria aplicar “multa pesada” e “prender os pichadores”. A bravata deflagrou a chamada “guerra do spray” – uma ação conjunta dos grafiteiros em vários cantos da cidade. Um trecho da Avenida 23 de Maio pintado de cinza foi coberto com a palavra “respeito”; no Estádio do Pacaembu, uma pichação gigante estampou: “Chora, Doria”. Percebendo que perderia a “guerra do spray” e a opinião pública, o valentão se acovardou e agora até fala em “pagar cachê e tinta aos grafiteiros”. Pura demagogia!

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