segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

TV paga perde quase um milhão de assinantes

Por Altamiro Borges

Após o golpe que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, a GloboNews, “o canal de notícias 24 horas no ar” da televisão por assinatura, insiste em divulgar dados otimistas sobre a economia. Nos governos Lula e Dilma, o noticiário era puro pessimismo – o que resultou no apelido de “urubólogos” para seus “analistas de mercado”, o nome fictício dos porta-vozes dos abutres financeiros. Agora, o Brasil parece ter ingressado no paraíso. Tudo está ruim, mas vai melhorar, juram os ex-urubólogos. Este cenário róseo, porém, não bate com a dura realidade, inclusive o da tevê por assinatura. A Anatel acaba de divulgar que entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017 houve uma perda de 938,7 assinantes das emissoras pagas de televisão.

Segundo a agência estatal, foi a maior queda registrada na história do setor. O número de assinantes caiu de 18,79 milhões para 17,85 milhões em apenas um ano – uma perda de cerca de 5% do total. Ainda no primeiro governo Dilma, o setor atingiu seu ápice, em novembro de 2014, com 19,58 milhões de assinantes. Desde então, ele só vem caindo. Em 2017, registrou-se a maior queda. A empresa que mais perdeu assinantes foi a Claro, que engloba também a Net – 832 mil clientes. Mas ela ainda segue como líder do mercado, à frente da Sky, que ganhou 109 mil clientes no ano passado.

As próprias operadoras de televisão a cabo atribuem o péssimo resultado à crise econômica que segue devastando o Brasil – apesar dos otimistas de plantão que insistem em ludibriar os “midiotas”. Mas há outros fatores que pesam nesta queda, como a explosão da internet, a péssima programação e a própria perda de credibilidade das atuais emissoras. Como observa Keila Jimenez, do portal R7, a crise atinge os principais centros urbanos e deve se agravar. “Nos últimos 12 meses, os três estados com maior número de assinantes do serviço apresentaram redução. Em São Paulo, a TV paga perdeu 447,1 mil contratos ativos (-6,21%). No Rio de Janeiro houve redução de 97,8 mil (-3,83%) e, em Minas Gerais, a queda foi de 38,3 mil (-2,41%)”.

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