sexta-feira, 22 de março de 2019

Olavo de Carvalho vira profeta do apocalipse

Por Sergio Araújo, no site Sul-21:

A viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos da América não poderia ter sido mais proveitosa. Claro que não me refiro aos avanços nas relações comerciais e de comprometimento institucional, pois estes ficaram apenas nas promessas do presidente Donald Trump e nas poucas medidas objetivamente tomadas que partiram do presidente brasileiro e direcionadas aos interesses norte-americanos.

Refiro-me a translucidez provocada pela manifestação do aconselhador-mor de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, feita na antevéspera da chegada da comitiva brasileira, em evento público realizado no Trump International Hotel, em Washington, quando foi apresentado um documentário sobre suas ideias.

No encontro, promovido pelo ex-estrategista de Trump e agitador de movimentos populistas de direita, Steve Bannon, e que contou com a presença do deputado Eduardo Bolsonaro, Olavo, com a arrogância e prepotência que lhe é peculiar, vaticinou a iminente derrocada do governo Bolsonaro.

“Se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal. É só continuar assim. Mais seis meses, acabou”, disse. E justificou: “Bolsonaro é um grande homem, mas está sozinho e cercado por traidores fardados”.

E, na condição de todo poderoso, disparou sua verborragia abrutalhada contra os militares. “Ele (Bolsonaro) não escolheu 200 generais. Foram 200 generais que o escolheram. Esse pessoal quer restaurar o regime de 1964 sob um aspecto democrático. Eles estão governando e usando o Bolsonaro como camisinha.”

Nem mesmo o general Hamilton Mourão foi poupado. Pelo contrário, foi colocado numa “saia justa” pelo guru que creditou ao vice-presidente a declaração de que os militares conseguiram voltar ao poder pela via democrática. “Se isso não é um golpe, é uma mentalidade golpista’, enfatizou Olavo de Carvalho.

Pois apesar da crítica e dos ataques, Olavo foi o convidado de honra do jantar promovido pela embaixada brasileira em Washington e que contou com a presença de Jair Bolsonaro e ministros, dentre eles o general Augusto Heleno.

O desprestígio de ministros, aliás, parece não preocupar o presidente. Ao realizar visita surpresa à sede da CIA preferiu a companhia do ministro da Justiça, Sérgio Moro, do que a do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Heleno.

E repetiu a dose no encontro com Donald Trump, no salão oval da Casa Branca. Ao invés de se acompanhar do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, levou consigo o filho Eduardo.

Depois, numa conversa mano a mano com Trump, onde levou uma prensa para endurecer o combate à Nicolás Maduro, deu entrevista coletiva falando do sucesso do encontro, embora não tenha conseguido informar sequer uma conquista objetiva e muito menos anunciar que Donald Trump retribuiria a visita numa futura ida ao Brasil.

De tudo, entretanto, num “the end” típico de o sonho acabou, restou o indício de que a profecia de Olavo de Carvalho começa a se concretizar. Ao retornar ao Brasil, Jair Bolsonaro ficou sabendo que sua popularidade está em queda. É o que disse a pesquisa da XP Investimentos, onde a avaliação de ótimo e bom do governo caiu de 40% para 37% e a de ruim e péssima subiu de 17% para 24%.

É a dura e implacável realidade batendo continência e dizendo, presente.

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