quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Bozo, Marreco e Porcina apostam no deboche

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Não sei como ainda tem gente levando esse governo a sério.

Depois de uma semana fora do ar, catando conchinhas na praia da imaginação, volto e reencontro os mesmos personagens ocupando o picadeiro, tirando um sarro da nossa cara.

Se não fossem tão trágicos, seriam apenas uns gaiatos que se divertem ao distrair a platéia bestificada com novelinhas sem graça no “Gran Circo Brasil”.

Ressuscitaram até a “Viúva Porcina”, a que foi sem nunca ter sido, convocada para o lugar daquele nazista de hospício, enquanto Bozo e Marreco fingem uma luta de marmelada.

Eles agora resolveram partir para o deboche com os jornalistas, já que não encontram nenhuma reação pela frente.

Depois de fingir que era um homem sério no “Roda Viva” da semana passada, o ex-juiz apareceu nesta segunda-feira no lugar certo: o Programa “Pânico”, da Jovem Pan, montado com um elenco de ex-jornalistas que só fazem piadas a favor do governo e batem em quem é contra.

Lá pelas tantas, um deles imitou a voz do ministro, aqueles grunhidos sem nexo, e tentou ser engraçado:

“Espero que você não me dê voz de prisão, ministro”.

Entrando na onda, o ex-temível Marreco abriu um sorriso largo:

“Agora tem a Lei do Abuso de Autoridade, não pode mais prender jornalista, né?”

Porcina aprendeu rápido e já avisou que, se passar no “teste de noivado”, vai querer morar em casas separadas para combater o “marxismo cultural”.

Besta ela não é. Não quer ficar em Brasília, onde a concorrência de figuras limítrofes é muito grande.

Como nas novelas mexicanas do SBT do amigo Silvio, Bozo teve um ataque de ciúme por Witzel ter chamado o vice Mourão de “presidente”, durante sua vilegiatura pela Índia.

E tudo é tratado pelos colunistas da grande imprensa como se esse enredo tragicômico mostrasse uma obra shakespeariana encenada no parlamento britânico.

Promovida a Damares da Cultura, mesmo sem ter ainda assinado contrato, o sorriso de aeromoça de Porcina ocupa as primeiras páginas dos jornais empilhados na minha mesa que ainda não tive vontade de ler.

Para falar bem a verdade, também não tenho nenhum prazer em escrever sobre toda essa cambada da “nova política” que só pensa em 2022, mas fazer o quê?

É o que temos para hoje, um dia como outro qualquer num país da América do Sul invadido por um exército de ocupação, em que todos batem cabeça e dão tiros no pé, sem precisar de oposição.

Nem acredito que passei uma bela semana longe das notícias de Brasília, sem sair do Brasil.

A apenas 200 quilômetros de São Paulo, encontrei uma cidade onde os serviços públicos funcionam, as ruas são limpas, há uma intensa agenda cultural e esportiva, os jardins bem cuidados e os pedestres respeitados.

Não se vê uma bituca de cigarro ou latinhas de cerveja jogadas no centro histórico e no Balneário dos Trabalhadores. Para o bem ou para o mal, o exemplo sempre vem de cima.

Quando o poder público cumpre seu papel, a população respeita.

Nas pequenas cidades, há esperanças.

Vida que segue.

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