sexta-feira, 24 de julho de 2020

Acuada, Lava-Jato agora mira em Alckmin

Por Altamiro Borges

Em um cenário em que o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro perde seguidores até nas redes sociais e o procurador do power point Deltan Dallagnol corre o risco de sofrer represálias do próprio Ministério Público Federal, a desgastada Lava-Jato decidiu finalmente incomodar os tucanos de alta plumagem de São Paulo. Até parece manobra para salvar a imagem da midiática operação.

Na semana passada, ela alvejou o moribundo senador José Serra, que já foi um dos principais líderes do PSDB e disputou duas eleições presidenciais pela sigla. Já nesta quinta-feira (23), o Ministério Público denunciou o ex-governador Geraldo Alckmin por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Segundo o MP-SP, o “picolé de chuchu” recebeu R$ 2 milhões em espécie da empresa Odebrecht nas eleições para o governo paulista em 2010 e outros R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição, em 2014. A acusação da promotoria é consistente e dura, conforme nota divulgada na imprensa.

Falsidade ideológica, corrupção e lavagem

“Os recursos não foram registrados na prestação de contas do candidato (falsidade ideológica), que solicitou e recebeu vantagem indevida (corrupção passiva), pagas pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht, a partir do emprego de métodos ilícitos como uso de 'doleiros', com o fim de ocultar a origem dos valores e dificultar a possibilidade de seu rastreio (lavagem de dinheiro)”.

Ainda segundo a nota, “esses recursos destinavam-se, num primeiro momento, ao financiamento eleitoral indevido (não declarado) e, num momento seguinte, pós-eleições, à manutenção da influência do grupo empresarial junto ao governo". Na denúncia, os promotores apontam que o operador da transação em 2010 foi Adhemar César Ribeiro, cunhado do então candidato Alckmin:

“Ao longo do período eleitoral, a Odebrecht fez repasses a Ribeiro em seu escritório, totalizando a quantia de R$ 2 milhões, conforme atestam as planilhas do Departamento de Operações Estruturadas, na qual Alckmin aparecia com o codinome "Belém", e mensagens trocadas entre os participantes do esquema".

Ex-governador tucano nega os crimes

Já em 2014, a denúncia do MP aponta que coube ao tesoureiro do PSDB, Marco Antônio Monteiro, "fazer a ponte entre aqueles que autorizaram, planejaram e executaram os pagamentos e o político". Ao longo da campanha, realizaram-se 11 repasses, totalizando R$ 9,3 milhões, ao então candidato tucano à reeleição.

Segundo reportagem da Folha, “a denúncia apresentada nesta quinta-feira, 23, tem como origem os 77 acordos de colaboração premiada firmados por executivos e funcionários do Grupo Odebrecht com a Procuradoria-Geral da República e homologados pelo Supremo Tribunal Federal”.

Diante das graves acusações do MP, o jornal ouviu os acusados. “Geraldo Alckmin, por meio de sua defesa, ‘lamentou a denúncia oferecida, pois jamais foi procurado pelas autoridades policiais para se manifestar a respeito dos fatos”. Outros tucanos denunciados também negaram qualquer irregularidade.

Na semana retrasada, Geraldo Alckmin e outros envolvidos no esquema já tinham sido indiciados pela Polícia Federal. Na ocasião, a defesa também tratou como “injustificável” e “precipitada” a ação. "O ex-governador sequer foi chamado a prestar esclarecimentos que poderiam ter evitado seu indevido e imerecido indiciamento".

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