quinta-feira, 26 de março de 2026

Lições da revolução que derrotou a escravidão

Por Jair de Souza

Tornou-se imprescindível retomar os estudos sobre a gloriosa Revolução Haitiana, um processo que contribuiu enormemente para livrar a humanidade do flagelo da escravidão.

As reflexões que podemos extrair desse estudo serão muito úteis para ajudar-nos a entender como, neste momento, o governo e o povo do Irã estão demonstrando uma surpreendente capacidade de resistência ao sofrer uma covarde e vil agressão por parte de dois países que simbolizam quase tudo de mais nefasto que o lado podre dos seres humanos já exibiu. Evidentemente, estamos nos referindo a maior potência armamentista do planeta, os Estados Unidos, e o país que encarna como nenhum outro o espírito do colonialismo e do racismo, ou seja, o sionista Estado de Israel.

Muita gente anda se perguntando: como é possível aguentar com tanta tenacidade e revidar com golpes demolidores a duas potências bélicas que sempre se especializaram em trucidar e destruir suas presas desafetas? E é para responder a esta indagação que vamos encontrar amparo ao repassar o desenvolvimento da luta do povo haitiano naquele momento histórico da passagem do século XVIII para o século XIX.

Aquele caso também era marcado por uma situação de aberrante desequilíbrio de forças entre as partes contrincantes. De um lado, tínhamos a paupérrima comunidade dos negros escravizados do Haiti, quase sem dispor de nenhum recurso material bélico, e, por outro, as forças militares da França de Napoleão, que era tida como a maior potência bélica daquele tempo. Além disso, contra o povo haitiano também se somaram os outros defensores do ignominioso sistema escravocrata em nosso continente. Logicamente, as classes dominantes dos Estados Unidos estavam na linha de frente dos reacionários que visavam acabar de vez com a ousadia daqueles negros que exigiam ser tratados como gente.

Não obstante a absurda assimetria em poder de fogo em favor dos colonialistas-escravistas, os vencedores foram mesmo os escravos rebelados, que conseguiram derrotar fragorosamente todos os contingentes de tropas que a metrópole europeia enviou para tentar massacrá-los. O que poderia explicar um desfecho como este numa situação de tamanha disparidade? De certa maneira, a explicação parece ser análoga ao que estamos constatando na atualidade no Oriente Médio.

É que, quando a imensa maioria de um povo está convencida da validade da causa pela qual luta, sua determinação e resiliência se multiplicam exponencialmente e, por isso, também se eleva de maneira equivalente sua capacidade de absorver os golpes fortes e o sofrimento que lhe impõem. E a coisa não funciona assim do lado dos que defendem causas injustas. Estes últimos podem se regozijar muito com seu avanço e aniquilamento dos mais débeis, mas quase nunca são capazes de manter sua firmeza quando são golpeados.

Isto não quer dizer que, necessariamente, todos os que lutam por uma causa que consideram digna vencem. Mas, significa, sim, que é possível superar obstáculos gigantescos quando o povo em sua maioria está realmente convencido de estar trilhando o caminho da dignidade.

Durante o período da Alemanha hitlerista, os judeus que eram levados para os campos de concentração sofriam barbaridades nas garras de seus carrascos nazistas. Porém, moralmente falando, todos estavam mais preparados para resistir porque nenhum deles duvidava de que sua causa era justa. Já nos dias de hoje, nenhum sionista em sã consciência pode acreditar que as perseguições, os assassinatos de crianças e mulheres, assim como as expulsões praticadas contra o povo palestino, estão amparadas em qualquer base de decência ou humanismo.

É por isso que o grosso da população israelense demonstra sentir bastante os golpes que Israel recebe como revide das forças iranianas. É que quem apoia causas injustas só costuma demonstrar seu entusiasmo nas horas em que estão levando vantagem, e não nos momentos em que sofrem reveses.

Então, queria recomendar que assistissem a um excelente documentário que aborda o processo que gestou a Revolução Haitiana. Sem esperar nenhum comportamento mecanicista, recomendo que reflexionem e sintam quanto de semelhança pode haver entre as massas de escravos que se rebelaram no Haiti e derrotaram a grande potência militar de seu momento e os povos do Irã e da Palestina ocupada em nossos dias. Tenho plena convicção de que não faltarão motivos para fazer tal equiparação. O vídeo sobre a Revolução Haitiana está disponível em: https://odysee.com/A-Revolução-Que-Derrotou-A-Escravidão:8

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