sexta-feira, 6 de março de 2026

Mídia blinda Campos Neto no roubo do Master

Charge: Miguel Paiva/247
Por Altamiro Borges


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou nesta quarta-feira (4) uma notícia-crime na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo investigação criminal contra Roberto Campos Neto, vulgo Bob Fields Neto, ex-presidente do Banco Central na gestão do fascista Jair Bolsonaro, para apurar sua relação com o Banco Master e com o mafioso Daniel Vorcaro. A iniciativa, porém, não foi destaque nos jornalões e nas emissoras de TV. O rentista segue blindado pela mídia venal – ele inclusive é colunista do jornal Folha de S.Paulo e vive sendo paparicado nos telejornais.

A solicitação à PGR ocorre após a terceira fase da Operação “Compliance Zero” da Polícia Federal revelar que integrantes do BC na gestão de Campos Neto recebiam propina do dono do Master. O ex-diretor de fiscalização do banco, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, foram detidos nesta semana e agora cumprem medidas cautelaras. Em seu despacho, o ministro-relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, considerou que ambos atuavam como se fossem empregados de Daniel Vorcaro.

Medidas cautelares contra ex-diretores do BC

Como relembra Mônica Bergamo no site UOL, “Paulo Sérgio Neves de Souza comandou a diretoria de fiscalização do BC de 2019 a 2023, quando Roberto Campos Neto era presidente da instituição. Foi ele quem assinou a autorização da compra do Banco Máxima por Vorcaro, que rebatizou a instituição financeira como Banco Master. Ambos [Souza e Belline] já haviam sido afastados das funções pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. Agora, foram impedidos judicialmente de exercer funções na instituição por determinação do magistrado”.

Na notícia-crime, o deputado Lindbergh Farias pede que a PGR investigue Roberto Campos Neto por “omissão dolosa na fiscalização bancária” e apure indícios de que norma editada durante sua gestão possa ter contribuído para facilitar fraudes atribuídas ao Banco Master. Pelas redes sociais, o parlamentar indagou: “O que falta para PF e PGR investigarem também o papel do Roberto Campos Neto na fraude do Banco Master?". Já Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, ironizou: “Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”.

O ex-presidente do BC é hoje o principal cotado para comandar o Ministério da Economia caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. Atualmente, o banqueiro é vice-presidente do conselho e chefe global de políticas públicas do Nubank. A sua postura ultraneoliberal talvez explique a blindagem da mídia rentista.

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