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Em votação unânime nesta terça-feira (28), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu tornar réu o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) sob a acusação de injúria contra o presidente Lula (PT). A ação judicial contra o lacrador bolsonarista teve origem em uma postagem feita em fevereiro de 2024, na qual o provocador divulgou uma montagem que mostrava o atual mandatário segurando um fuzil, acompanhada de símbolos ligados ao nazismo e ao grupo Hamas.
A representação foi encaminhada pelo governo ao Ministério Público Federal (MPF), que ofereceu denúncia ao STF. Com o recebimento da acusação, os ministros entenderam haver provas seguras de autoria e materialidade da ação criminosa, etapa necessária para o início de uma ação penal. A partir de agora, o processo entra na fase de instrução, que inclui coleta de provas, depoimentos e interrogatórios antes do julgamento final.
O relator do caso, ministro Flávio Dino, afirmou que a conduta atribuída ao deputado bolsonarista não está protegida pela imunidade parlamentar. Em seu voto, ele destacou: “Tal montagem ou tal falseamento, adulteração, não se inserem no âmbito protetivo de opiniões, palavras e votos. Na minha perspectiva, nesse instante, ela não abrange montagem, falseamento da imagem alheia, sobretudo, reiterando, em termos de tempos de inteligência artificial”.
Ataque misógino contra Gleisi Hoffmann
Gustavo Gayer tem sofrido várias derrotas na Justiça. No início do mês de abril, o fascistoide já havia sido condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal por violência de gênero contra a ex-ministra Gleisi Hoffmann. Foi fixada uma indenização de apenas R$ 20 mil – uma merreca – ao misógino por ele ter chamado a deputada petista de “garota de programa” em uma criminosa postagem nas suas redes sociais.
Conforme relembrou na ocasião uma matéria da revista Veja, “em março de 2025, Gustavo Gayer publicou no X (antigo Twitter) um vídeo indicando que Lula estaria ‘oferecendo’ Gleisi Hoffmann aos presidentes da Câmara e do Senado da mesma forma que um ‘cafetão’ faz com uma ‘garota de programa’... E aí Lindbergh Farias? Vai mesmo aceitar seu chefe oferecer sua esposa para o Hugo Motta e Alcolumbre como um cafetão oferece uma GP (garota de programa)? Sua esposa sendo humilhada pelo seu chefe e você vai ficar calado?’, escreveu Gayer... O parlamentar do PL ainda insinuou que Alcolumbre deveria formar um ‘trisal’ com Gleisi e Lindbergh”.
Diante dessas insinuações criminosas, o desembargador Alfeu Machado concluiu em sua sentença que o bolsonarista adotou um discurso misógino que constitui “grave forma de violência institucional”. O magistrado também apontou que “a linguagem utilizada é chula, sexualizada e desprovida de qualquer conteúdo político ou institucional” e exigiu que Gustavo Gayer fizesse de imediato a retratação pública em todas suas redes sociais, sob pena de multa diária de mil reais.
“Além de apontar o teor misógino das falas do deputado do PL, o desembargador defendeu que as declarações não estão protegidas pela imunidade parlamentar. ‘Manifestações que configuram discurso de ódio, violência de gênero ou ataques à vida privada não se encontram acobertadas pela imunidade parlamentar’, declarou na decisão, descreve a matéria da revista.

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