Editorial do site Vermelho:
Toda vez que o Brasil se encontra sob pesada ameaça à sua condição de país soberano, vem como luz a frase emblemática do jornalista Barbosa Lima Sobrinho, destacado brasileiro, que se reporta ao confronto recorrente entre os traidores da pátria e os verdadeiros patriotas, sintetizados nas figuras de Tiradentes e Silvério dos Reis. Em 1964, esse antagonismo se estampou na contenda entre o presidente João Goulart e os generais golpistas, em conluio com os Estados Unidos. Em 1984, na batalha final que pôs abaixo a ditadura militar, Tancredo Neves, da frente ampla democrática, versus Paulo Maluf, do decrépito regime entreguista e ditatorial.
Agora, o pré-candidato Flávio Bolsonaro, extremista de direita, neofacista, se apresenta de forma escancarada e abjeta como serviçal de Donald Trump, o que serve como uma luva para a ofensiva neocolonial e imperialista dos Estados Unidos, que ambiciona se apossar das imensas riquezas do Brasil. Eduardo Bolsonaro, seu irmão, abandonou o mandato de deputado federal para se alojar nos Estados Unidos e melhor atuar em conluio com o governo dessa potência estrangeira contra seu próprio país, como foi no caso do tarifaço. Bolsonaro filho disse que, se eleito, Eduardo será o ministro das Relações Exteriores.
O presidente Lula, pela liderança que construiu no Brasil e a respeitabilidade que adquiriu em âmbito mundial, em defesa firme dos interesses e da soberania nacional, é quem tem estatura para liderar uma aliança ampla que derrote a um só tempo o neofascismo e essa ameaça neocolonialista dos Estados Unidos. Uma vez eleito, terá a missão de conduzir o país por um caminho novo, apoiado num projeto de país que desencadeie a realização das reformas estruturais democráticas e que ataque as vulnerabilidades, entre elas a condição de um país dependente, descortinando um ciclo de desenvolvimento soberano.
Às vésperas da semana do 21 de abril, a seis meses das eleições, como se previa, o país se encontra dividido – um quadro de relativo equilíbrio de forças – entre as pré-candidaturas de Lula e de seu principal opositor.
A partir de leituras unilaterais das pesquisas de opinião, e deliberadamente ocultando um conjunto de fatores e variáveis, setores do monopólio midiático, em junção com a máquina de fake news da extrema direita, atuam para propagar uma falsa narrativa que atribui um pretenso favoritismo ao candidato oficial do neofascismo, enquanto depreciam a força e os trunfos da candidatura do presidente Lula.
Flávio Bolsonaro cresceu nas pesquisas agregando os votos do pai, Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado, no âmbito do eleitorado de extrema direita e da direita bolsonarista. Analistas de pesquisas prospectam que a velocidade desse crescimento perdeu tração e, daqui por diante, será mais difícil avançar, até pela fragmentação da direita.
E, também, por outro fator: o combate sistemático para desmascarar Bolsonaro filho começou somente agora. Até então, movimenta-se em relativo céu de brigadeiro. Isso acabou. Além do que enfrentará refregas com as demais candidaturas da direita, que terão que se diferenciar dele para arrancar votos. Caiado e outros moveram-se um ou dois pontos, ao que parece conquistando intenção de votos dos que pretendiam anular ou votar em branco. Mas esse estoque é relativamente pequeno.
São seis meses até o confronto nas urnas — numa campanha que oficialmente começa em agosto —, é muito tempo. A última pesquisa divulgada, da Genial Quaest, mostra que 57% estão convictos de sua escolha, mas 43% admitem que até a eleição podem mudar. Infere-se, perfeitamente, por essa indicação, a possibilidade de alterações, para um lado e outro. Quanto à fidelidade, 65% dos que pretendem votar em Lula afirmam que estão decididos, enquanto 35% indicam que podem optar por outro. Já para Flávio Bolsonaro, as percentagens são 60% e 40%, respectivamente, menor fidelidade, portanto.
Além do que, os fatos do próprio curso político terão enorme efeito pedagógico, ajudando sobretudo o eleitorado indeciso, pendular, a separar o joio do trigo. A tramitação da redução da jornada e fim da escala 6×1 está se iniciando. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, prometeu aos empresários travar a votação ou desfigurar o projeto. Neste momento, vai partir para os Estados Unidos uma comitiva de senadores golpistas, bolsonaristas, para implorar a Trump que conceda asilo político a Alexandre Ramagem, que fugiu do país para não cumprir a pena na Papuda, condenado que foi por tentativa de golpe. Flávio Bolsonaro, num conclave da direita, realizado em solo estadunidense, ofereceu as reservas de terras raras e minerais estratégicos do Brasil ao governo Trump.
A pré-candidatura do presidente Lula segue resiliente, mesmo com o país sofrendo os efeitos das guerras de Trump. Até os donos dos institutos de pesquisa são impelidos a salientar esse fato. Na verdade, segue agregando força, robustecendo a competitividade, construindo, passo a passo, a dura, mas plenamente viável, quarta vitória. As CPIs, manipuladas pela maioria reacionária das duas casas do Congresso, foram encerradas sem aprovar relatórios e desmoralizadas pelo grau de parcialidade e manipulação. O nome indicado pelo governo, pela base aliada, foi aprovado para o Tribunal de Contas da União. O mesmo tende a acontecer com o nome indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Isto demonstra uma retomada eficaz da articulação política no Congresso, com a entrada direta do presidente nos diálogos e mediações.
Enquanto a direita e a extrema direita se apresentam fragmentadas, mesmo que se saiba que se unificarão no segundo turno, o presidente Lula, pela primeira vez, uniu todo o campo progressista, já de início. E, corretamente, como também sublinha o PCdoB, o presidente busca ampliar, indo além da esquerda, tendo já conquistado partes e frações importantes do centro e da centro-direita, resultando em palanques fortes em praticamente toda a região Nordeste e nos estados de maior eleitorado do Norte, Pará e Amazonas. No Rio Grande do Sul, avança a unidade do campo democrático e popular. Em Santa Catarina, formou-se uma aliança representativa da centro-esquerda, assim como no Paraná. No triângulo dos três maiores colégios eleitorais, Lula já construiu palanques sólidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, faltando apenas oficializar o de Minas.
A Marcha das Centrais Sindicais em Brasília, na plenária da Conclat, pode representar o prenúncio do que está por vir: a mobilização do povo, o engajamento na campanha, fator indispensável à vitória.
Como bem indicou a resolução política do Comitê Central do PCdoB, é preciso fazer ecoar, pelo país inteiro, o brado: “O Brasil para os brasileiros”. E desmascarar Flávio Bolsonaro enquanto traidor da pátria e inimigo do povo e da democracia. Batalhar pela reeleição do presidente Lula é honrar a memória e o legado de Tiradentes e de milhares que, ao longo de mais de cinco séculos, lutaram para completar a obra da Independência e firmar a soberania nacional.
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