segunda-feira, 25 de maio de 2026

Advogado deixa Vorcaro após PF rejeitar delação

Charge: Clayton
Por Altamiro Borges


A situação do mafioso Daniel Vorcaro, “irmãozão” do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está cada dia mais enrolada. Na semana passada, o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa do dono do Banco Master em meio ao agravamento da crise enfrentada pelo presidiário. A desistência foi revelada pelo site g1, do Grupo Globo, e confirmada pela equipe jurídica do banqueiro, que alegou “decisão em comum acordo”. A saída ocorre logo depois da Polícia Federal rejeitar a proposta de delação premiada apresentada pelo criminoso.

Como registra o site, “Juca assumiu a defesa de Vorcaro em março. O advogado tem no currículo diversos acordos de delação premiada em casos de grande repercussão – caso do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, na Operação Lava-Jato. Interlocutores que acompanham o caso afirmam que Daniel Vorcaro não suporta mais a pressão de permanecer preso. Segundo relatos, após uma fase inicial de blindagem e proteção de aliados, o banqueiro estaria disposto a ampliar o escopo da colaboração premiada”. Essa disposição teria motivado a troca de advogado.

Ainda segundo matéria de Andréia Sadi, o banqueiro “estaria até mesmo disposto a subir de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido em eventual delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR)... Na quinta-feira (21), a então defesa do empresário pediu a sua transferência de uma cela na Superintendência da PF no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. O prédio é conhecido como Papudinha. Alegou que as condições do local em que Vorcaro está sob custódia na PF não estão adequadas”.

As fases da Operação Compliance Zero da PF

Um dia antes, na quarta-feira (20), a Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do mafioso. “A PF apontou que a colaboração apresentada continha omissões relevantes e tentativas de preservar figuras influentes de Brasília, supostamente envolvidas nas fraudes financeiras investigadas. Os anexos entregues pela defesa foram considerados insuficientes e sem utilidade prática para o avanço das apurações conduzidas pela PF e pela PGR”, informou o site Metrópoles, que ilustrou a reportagem com um cronograma da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal:

1ª fase – novembro de 2025: A PF prendeu Vorcaro e outros executivos do banco. Foram apreendidos carros de luxo, relógios, obras de arte e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo.

2ª fase – janeiro de 2026: A investigação avançou sobre familiares e aliados do banqueiro. O STF autorizou buscas em cinco estados e bloqueou R$ 5,7 bilhões em ativos.

3ª fase – março de 2026: Vorcaro voltou a ser preso. A PF passou a investigar suspeitas de ameaça, corrupção, invasão de dispositivos e atuação de uma suposta “milícia privada” ligada ao banqueiro.

4ª fase – abril de 2026: A operação mirou supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB. Investigadores apuram possível uso de imóveis para lavagem de dinheiro.

5ª fase – maio de 2026: A PF chegou ao núcleo político do caso e mirou o senador Ciro Nogueira, suspeito de receber repasses ligados ao esquema.

6ª fase – maio de 2026: O pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso. A operação também atingiu policiais suspeitos de participação no esquema.

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