domingo, 10 de maio de 2026

Zé Trovão, Hattem e Pollon têm penas brandas

Por Altamiro Borges


Depois de nove meses de muita enrolação, o Conselho de Ética da Câmara Federal finalmente decidiu suspender os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) por apenas um e dois meses – uma punição branda para os três bolsonaristas arruaceiros que ocuparam a Mesa Diretora da Casa em agosto de 2025. A decisão, porém, precisa ser ratificada pela Comissão de Constituição e Justiça (CNJ) e pelo pleno do plenário da Câmara. Os três amotinados ainda podem ficar impunes por seus crimes contra a democracia.

Conforme relembra reportagem da CNN-Brasil, “os deputados foram alvo de representação apresentada pela própria Mesa Diretora por quebra de decoro parlamentar. Pollon, Zé Trovão e Van Hattem foram acusados de tentar impedir o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) de assumir a cadeira da Presidência durante uma sessão. Na ocasião, deputados da oposição ocuparam o plenário em protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)”.

A reação dos bolsonaristas provocadores

Marcos Pollon foi alvo de duas ações: uma que pedia suspensão de 90 dias por declarações difamatórias contra Hugo Motta e outra de 30 dias por obstruir o acesso à cadeira da Presidência. Ao final, o Conselho decidiu suspendê-lo por 60 dias. Já Van Hattem e Zé Trovão foram alvos apenas de uma ação que pedia a suspensão de 30 dias por conta da obstrução. Se confirmadas as punições, os três não perdem seus mandatos, mas ficam impedidos de exercer suas atividades legislativas e não recebem salário durante o período determinado.

Em seu voto pela branda suspensão dos mandatos – que foi aprovada por 13 votos a quatro –, o relator do processo, deputado Moses Rodrigues (União-CE), argumentou que “esta Casa deve impor reprimenda severa [sic], para que fique claro que este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”. Ele destacou que “a oposição tem ao seu alcance diversos instrumentos regimentais para exercer a obstrução de votações. O que não se pode admitir é que um grupo de parlamentares tente impor, mediante chantagem realizada pela ocupação física dos espaços de deliberação, a pauta de seu interesse”.

A reação dos três fascistas foi carregada de ironias e provocações. Pré-candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Van Hattem comparou seu julgamento ao dos condenados pelos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023, classificando o processo como uma “perseguição política sem qualquer amparo jurídico ou regimental”. Já Marcos Pollon se jactou: “Recomendo aos senhores que, se suspensos formos, imprimam em papel cartão essa decisão e coloquem na sala de suas casas, para que todos que ali passem, saibam que vocês se levantaram para lutar”. E Zé Trovão, choramingando, afirmou que repetiria a ocupação “quantas vezes for necessário”.

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