domingo, 7 de junho de 2026

Trump e a traição da família Bolsonaro

Editorial do site Vermelho:

Enquanto a família Bolsonaro festejava a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, expondo o país a possíveis intervenções dos Estados Unidos, mais um ataque à soberania do Brasil, Eduardo Bolsonaro deu entrevista ao portal de notícias Metrópoles anunciando que havia “mais por vir”.

Na conversa com o presidente estadunidense Donald Trump, com a presença do vice-presidente, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio, da qual participaram também seu irmão, o pré-candidato a presidente da República da extrema direita, Flávio Bolsonaro, e o jornalista Paulo Figueiredo, ele “pediu mais coisas”.

Eduardo Bolsonaro estava antecipando o que estava engatilhado: um novo tarifaço contra o Brasil, com total apoio dos Bolsonaro. O anúncio veio pela decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aumento, para 50%, das tarifas comerciais de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, com a alegação de supostas práticas desleais, citando como exemplos o Pix e a regulamentação de big techs. Em seguida, foi anunciado uma tarifa adicional de 12,5% a ser aplicada ao Brasil e outros 59 países, dessa vez sob o argumento falso de uso de trabalho forçado.

Diante dessa investida contra a soberania nacional, avolumou-se uma onda de repúdio, a começar pelo firme rechaço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Além do repúdio de amplas camadas do povo, entidades industriais e representantes do sistema financeiro se manifestaram. Nas redes sociais, ecoou forte a narrativa de “traição ao Brasil”, emparedando o entreguismo bolsonarista.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que as tarifas prejudicarão tanto a indústria brasileira quanto o mercado norte-americano, com efeitos negativos sobre cadeias produtivas.

Também em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que o Pix, ferramenta desenvolvida pelo Banco Central, é uma “infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica”.

Formou-se, portanto, um arco amplo de oposição ao tarifaço, do empresariado aos trabalhadores, abarcando também o setor financeiro.

Sentindo as graves consequência para a sua candidatura, Flávio Bolsonaro, num gesto de desespero e pura hipocrisia, disse, numa carta a Rúbio, que solicitou a Trump e a seus colaboradores a revogação do tarifaço, negando a obviedade de que tal posição deveria ter sido adotada na própria reunião com Trump, além de contrariar a versão do irmão Eduardo. O presidente estadunidense, que nada publicara sobre o encontro com a trupe bolsonarista, horas após a nova proposta de tarifar o Brasil postou a foto com Flávio Bolsonaro e o elogiou em sua rede social.

Em nota, o governo brasileiro manifestou indignação com a decisão do USTR “relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil”, iniciativa provocada pela “família Bolsonaro”, associada “à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país”. “Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.”

A nota esclarece que não há justificativa para essas medidas unilaterais. “Segundo estatísticas do Bureau of Economic Analysis, os Estados Unidos acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.”

Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Brasil pode perder até R$ 175 bilhões no longo prazo, equivalente a uma queda de 1,94% no PIB. A CNI estimou a queda em 0,16%. O BTG Pactual avaliou que, só neste ano, o Brasil deve perder US$ 7 bilhões em exportações. O Goldman Sachs estimou impacto de 0,3 ponto percentual no PIB.

A exemplo do tarifaço de 2025, é preciso uma articulação ampla, reunindo as instituições da República, o empresariado, os trabalhadores, o campo patriótico, democrático e popular para uma grande mobilização em defesa da soberania nacional, da economia, das empresas e do emprego.

É preciso, também, conscientizar o povo sobre a gravidade dessa medida e das atitudes do governo estadunidense e de sua quinta-coluna bolsonarista na democracia brasileira e na soberania do voto popular. Ir à ofensiva na luta de ideias, nas redes sociais e no contato direto com as pessoas, denunciando e desmascarando os Bolsonaro – vendilhões da pátria, com bem os caracterizou o presidente Lula.

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