Por Altamiro Borges
Nesta quinta-feira (11), a Polícia Federal negou a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a Agência Brasil, “a decisão da PF já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisa a proposta de colaboração do banqueiro. As razões pelas quais o acordo foi rejeitado estão em sigilo e não foram divulgadas pela corporação”.
Em maio passado, ao rejeitar a primeira proposta de delação, a polícia concluiu que o mafioso não apresentou novidades em relação ao material já apreendido – principalmente o contido em um de seus oito celulares – e ainda negou ter cometido crime contra o sistema financeiro. Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março em decorrência da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Abatido com o xilindró na Superintendência da PF em Brasília, o mafioso quer fazer a delação para deixar a cadeia e reaver seu banco liquidado judicialmente. Mas o malandro insiste em proteger os seus cupinchas, como o "irmãozão” Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL, e o “grande amigo” Ciro Nogueira, chefão do PP. Segundo apurou o site Metrópoles, “os anexos entregues por Vorcaro foram considerados frágeis e incapazes de acrescentar informações que não estivessem no radar dos investigadores”. Diante desse cenário, a PF rejeitou a delação e trabalha com outra estratégia.
Ex-presidente do BRB conclui anexos
“Com a negativa, as atenções da investigação se voltam agora para o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Preso desde 16 de abril, ele trabalha na elaboração dos anexos de sua própria proposta de colaboração premiada, vista por investigadores como uma fonte potencialmente mais promissora de informações”. O cupincha do ex-governador Ibaneis Rocha foi “peça essencial” na compra de títulos podres do Master e ganhou de propina do mafioso seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146 milhões.
Ainda segundo o site, “outros presos na operação também devem ajudar a PF a desmembrar todo o esquema fraudulento do Master. São eles: Fabiano Zettel (cunhado de Daniel Vorcaro) – suspeito de ser o operador financeiro da organização criminosa do dono do Master; Henrique Vorcaro (pai de Daniel Vorcaro) – é investigado como um integrante de A Turma, milícia privada do banqueiro, e suspeito de ajudar a ocultar o patrimônio do filho; Felipe Cançado (primo de Daniel Vorcaro) – investigado como operador financeiro de esquema que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro; Daniel Monteiro (advogado de Daniel Vorcaro) – apontado como arquiteto jurídico do banqueiro; Anderson da Silva Lima (policial federal) – suspeito de repassar ao dono do Master informações sigilosas da PF; e David Henrique Alves (especialista em tecnologia) - descrito pela investigação como líder do núcleo tecnológico de A Turma”.
Mafioso aposta em vitória eleitoral da extrema-direita
Como tantas possibilidades de novas delações, o cerco tende a se fechar. Mesmo assim, o mafioso insiste em proteger seus “irmãozãos”. Para Leonardo Sakamoto, a razão é simples. “Daniel Vorcaro estaria tentando ganhar tempo, enquanto aguarda definição do STF sobre as medidas cautelares impostas contra ele e seus familiares, garanta melhores condições para salvar seu patrimônio, ou seja premiado com uma mudança no governo federal e, portanto, no comando da Polícia Federal”.
“Vorcaro pode estar sinalizando uma blindagem ao grupo político na esperança de se livrar da cadeia em eventual governo da ultradireita. O cálculo é simples, ainda que moralmente tortuoso: se você acredita que seus amigos poderosos vão vencer a eleição de 2026, não faz sentido destruí-los antes. Melhor chegar ao outro lado com o crédito intacto... Vorcaro não está com medo de delatar seus amigos. Ele está com esperança de que eles apareçam para resgatá-lo”, conclui em postagem no site UOL.
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