quinta-feira, 16 de julho de 2026

Governador fascistoide de SC xinga indígenas

Ilustração: Juventude Laklãnõ/Xokleng
Por Altamiro Borges


O governador Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, é um fascistoide convicto, que adora lacrar nas redes digitais e atiçar o ódio entre seus seguidores fanáticos. Na semana passada, o velhaco bolsonarista voltou a xingar indígenas durante visita a obras na Barragem Norte, no município de José Boiteux. Em função de mais essa atitude truculenta e discriminatória, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que ele seja investigado e responsabilizado por seus crimes.

Conforme relato da Folha, “Jorginho Mello dava uma entrevista para uma TV dizendo que estava ‘restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas’. Na sequência, ele para de falar e se dirige a integrantes do Povo Xokleng, que faziam uma manifestação no local. ‘Vai para a puta que o pariu’, diz ao grupo. Após encerrar a entrevista, uma mulher questiona o governador sobre ele ter dito que ‘está tudo sob controle’. Mello responde: ‘A senhora não quer ir à merda?’. Ela afirma que é cacique e exige respeito, ao que ele rebate: ‘E eu com isso?’”.

Ofensas não são um episódio isolado

Vídeos do bate-boca entre o governador fascistoide e as lideranças indígenas circularam nas redes sociais e geraram protestos. Conforme apontou o CNDH, que é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos do governo Lula, “o episódio atingiu diretamente uma liderança tradicional e, em sua dimensão pública, alcançou a dignidade e a honra coletiva do Povo Xokleng”.

“As ofensas dirigidas ao povo Xokleng durante uma agenda oficial não podem ser tratadas como um episódio isolado”, diz a presidente do CNDH, Ivana Leal. Ela acrescenta que os fatos precisam ser apurados, assim como devem ser adotadas medidas de responsabilização, reparação e de não repetição para reafirmar o “compromisso do Estado brasileiro com os direitos dos povos indígenas e com o respeito à Constituição”.

A construção da barragem na Terra Indígena Laklãnõ Xokleng já provocou vários conflitos. Como lembra a matéria da Folha, “em um acordo judicial para a retomada da operação da barragem, que envolveu também a União, o governo de Santa Catarina se comprometeu a assumir contrapartidas como a construção de casas para as famílias que moram no local. Os indígenas, porém, seguem insatisfeitos com promessas que não teriam sido cumpridas”.

Novo ataque às cotas raciais no ensino superior 

Bolsonarista hidrófobo, Jorginho Mello detesta as chamadas minorias e tem se esforçado para transformar Santa Catarina em um Estado de preconceito e ódio. Reportagem do Estadão desta quarta-feira (15) informa que “cerca de três meses depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar por unanimidade a lei catarinense que proibia cotas raciais no ensino superior, deputados passaram a discutir um novo projeto na Assembleia Legislativa para alterar as regras para o acesso às vagas reservadas nas universidades estaduais”.

De autoria do deputado Alex Brasil (PL), da base de apoio do governador fascistóide, o projeto de lei número 0310/2026 mantém a possibilidade de adoção de cotas raciais, mas determina que os candidatos negros só poderão disputar essas vagas se também atenderem aos critérios de vulnerabilidade socioeconômica estabelecidos em edital. Além disso, limita a 20% o total de vagas destinadas às modalidades de cotas e outras ações afirmativas em cada processo seletivo.

Segundo o Estadão, “o projeto foi protocolado em maio, poucas semanas após o STF declarar inconstitucional a Lei Estadual nº 19.722/2026, sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL). A norma proibia a adoção de cotas raciais e outras ações afirmativas em universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebessem recursos públicos do Estado. Por unanimidade, os ministros do Supremo derrubaram a legislação”.

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