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| Fotomontagem: Elizabeth Brockway/The Daily Beast |
A guerra desencadeada por Donald Trump contra o Brasil deixou de ser apenas econômica. Os tarifaços, utilizados como instrumento de pressão política e comercial, agora são acompanhados por uma ofensiva diplomática que eleva a tensão entre Brasília e Washington a um patamar inédito nas últimas décadas.
O centro do novo conflito é a troca de embaixadores. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado por Washington, procedimento indispensável para que um embaixador possa assumir oficialmente suas funções.
Em resposta, a Casa Branca decidiu retaliar atingindo diretamente a representação diplomática brasileira, transformando uma questão de protocolo em instrumento de pressão política.
A medida mais contundente foi a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão não a obriga a deixar imediatamente os Estados Unidos, mas a impede de retornar ao país caso saia do território estadunidense.
Trata-se de uma forma de pressão diplomática incomum entre dois países que mantêm relações há mais de um século. Segundo o governo estadunidense, a sanção poderá ser revertida tão logo o Brasil conceda o agrément ao político indicado por Washington.
O governo brasileiro reagiu afirmando que a justificativa apresentada pelos Estados Unidos se baseia em premissas falsas e que a escalada diplomática é motivada por razões ideológicas.
Em Brasília, também prevalece a avaliação de que a indicação de Daniel Perez, somada às medidas de pressão adotadas pela administração Trump, revela a intenção de influenciar o ambiente político brasileiro às vésperas das eleições gerais de outubro.
Independentemente dos desdobramentos imediatos, o episódio revela uma mudança preocupante na condução das relações internacionais dos Estados Unidos.
A diplomacia, tradicionalmente voltada à construção de entendimentos entre Estados soberanos, passa a ser utilizada como instrumento de intimidação política.
Durante mais de um século, Brasil e Estados Unidos construíram uma relação marcada pela cooperação. Em muitos momentos, essa cooperação foi além da cordialidade e assumiu contornos de evidente assimetria, com o Brasil frequentemente acomodando seus interesses às prioridades de Washington. Ainda assim, preservaram-se as formas diplomáticas e o respeito institucional.
Agora, a lógica parece outra. O objetivo deixa de ser o entendimento para dar lugar à imposição da vontade da maior potência sobre um parceiro que procura preservar sua autonomia.
A resposta brasileira deve ser firme, mas serena. Firme na defesa de sua soberania e de suas instituições; serena para não transformar divergências diplomáticas em crises permanentes. O Brasil não precisa romper relações com os Estados Unidos, tampouco alimentar confrontos estéreis. Precisa apenas agir como um país soberano, consciente de seus interesses e de seu papel no mundo.
Os Estados Unidos continuarão sendo um parceiro importante. Mas não são o único. O Brasil mantém relações econômicas, políticas e culturais com dezenas de países e dispõe de condições para ampliar sua presença internacional sem aceitar pressões incompatíveis com sua condição de Estado independente.
Soberania não é hostilidade. É a capacidade de decidir os próprios caminhos sem tutela externa. Nas relações entre nações, o respeito não se impõe pela força; conquista-se pelo reconhecimento mútuo da independência e da dignidade de cada povo.
É esse princípio que deve orientar o Brasil neste momento de tensão diplomática.

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