Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. O corte coloca a Selic em seu menor patamar desde março de 2025, quando ela foi de 13,25%. Essa foi a quarta redução seguida de 0,25 ponto percentual decidida pelo colegiado, repetindo os cortes realizados nas reuniões de março, abril e junho. A perda do ritmo da inflação, que em julho subiu apenas 0,06%, foi o argumento central para a nova queda.
Além de tímido, bem abaixo das necessidades da economia brasileira que dá sinais evidentes de retração, o corte ainda veio cheio de alertas terroristas do Banco Central. Mesmo confessando que “a atividade econômica indica resfriamento gradual”, o órgão criticou “o mercado de trabalho aquecido” e alertou que “a inflação cheia desacelerou, porém ainda está acima do limite superior da meta”. O Copom ainda justificou a “cautela” ao prolongamento das tensões geopolíticas. “O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas".
O documento final da reunião voltou a defender o austericídio, bem ao gosto do “deus-mercado” e da mídia rentista. "O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. Por fim, o órgão evitou dar garantias sobre a continuidade dos cortes da Selic nas próximas reuniões, “em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços”.
Maiores juros reais do mundo
A decisão acovardada do Banco Central agradou os abutres financeiros, que lucram especulando com os juros nas alturas, mas gerou críticas de lideranças da indústria e comércio e das centrais de trabalhadores. “Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria e compromete gravemente a renda das famílias”, advertiu nota da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).
No mesmo dia da reunião, em entrevista para os canais Meteoro e Os 3 Elementos, o presidente Lula enfatizou que é urgente reduzir a Selic. “O único gasto que a gente faz de verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de juros da dívida. Aqui no Brasil, o Estado foi aprisionado pela Faria Lima”. Ele está certo no diagnóstico, mas falta ousadia do governo para enfrentar a ditadura dos rentistas.
Segundo levantamento compilado do site MoneYou, o Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo mesmo após o Copom reduzir a Selic para 14% ao ano. Subtraindo a inflação prevista para os próximos 12 meses, a taxa do país está agora em 9,30%. A segunda posição do ranking fica com a Rússia, que registrou uma taxa real de 9,09%. A Colômbia aparece na terceira posição, com juros reais de 6,16%. Esses índices pornográficos confirmam que o Brasil é prisioneiro dos abutres da Faria Lima.

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