Por Altamiro Borges
Com sua conversa mansa e suas platitudes, o coach de autoajuda Augusto Cury tem conseguido seduzir muita gente, conforme atestam recentes pesquisas. Mas o seu telhado é de vidro e pode se estilhaçar em breve. Aos poucos, seus podres vão aparecendo. Neste sábado (4), até a Folha de S.Paulo – um dos jornais mais obcecados na busca de uma “terceira via” para a disputa presidencial – acabou revelando um possível crime eleitoral do postulante do minúsculo partido Avante.
Segundo a matéria, “candidato que subiu para a terceira posição nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, o escritor Augusto Cury deixou uma série de negócios na Flórida de fora da declaração de bens que apresentou à Justiça Eleitoral brasileira. Cury é o presidenciável que declarou o maior patrimônio, R$ 242,3 milhões, mas ao menos três empresas nos Estados Unidos – além de duas no Brasil – ficaram de fora da relação”.
A reportagem detalha que o ricaço tem cinco empresas registradas na Divisão de Corporações da Secretaria de Estado da Flórida, equivalente à Junta Comercial no Brasil. Duas delas constam da sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE): a Intelligence School, constituída em 2014, e a Love Story Josefina, de 2017. As outras três - Cury Academia Comportamental, Contemplare Investments e Free Mind Publish, abertas entre 2021 e 2024 – não foram declaradas à Justiça Eleitoral.
No Brasil, Contemplare é o nome de uma empresa de Cury que também não aparece em sua declaração. Com objeto social de locação de imóveis próprios, aluguel e arrendamento de terras para exploração agrícola, a companhia foi registrada em Dumont (SP), em 2022, e transferida para Ribeirão Preto em julho deste ano. Também ficou fora da declaração a Academia de Pensar e Brincar, da qual o escritor é sócio ao lado da mulher e de duas filhas, registrada no ramo de atividades de recreação com um capital social de R$ 12 mil”, descreve a Folha.
Sócio participante do Fictor Invest
Entre os maiores bens declarados, “Cury informou ainda ao TSE possuir R$ 31,5 milhões como ‘sócio participante’ da Fictor Invest. O mesmo valor aparece em nome dele na relação inicial de credores de uma recuperação judicial do grupo Fictor, repassado por sua equipe à Folha. A Fictor pediu recuperação judicial neste ano e esteve envolvida em tentativa de comprar o Banco Master em 2025 antes da liquidação decretada pelo Banco Central”.
A revelação da Folha não foi destaque nos telejornais, como no Jornal Nacional da TV Globo, e já sumiu da mídia obcecada pela chamada “terceira via”. A denúncia deu apenas um pequeno susto do coach de autoajuda. “Por meio de sua equipe, o candidato disse que seu patrimônio foi ‘construído de forma lícita’ e que eventuais inconsistências na declaração apresentada serão corrigidas”. Haja cinismo!
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