Por Altamiro Borges
Outro baque na campanha de Flávio Bolsonaro, vulgo Flávio Rachadinha (PL), no Rio de Janeiro – o território dos milicianos bolsonaristas. Na semana passada, o ex-deputado estadual Thiago Raimundo de Oliveira Santos, mais conhecido como TH Joias, virou réu na Justiça Federal por envolvimento com o Comando Vermelho (CV), maior facção criminosa do estado.
Como relembra reportagem da Agência Brasil, “TH Joias foi preso em setembro de 2025 pela Operação Zargun, que apurava, entre outros fatos, a atuação de uma organização criminosa envolvida com tráfico de armas, de drogas, além de corrupção. À época, ele ocupava mandato como suplente na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Após a prisão, o titular voltou à Alerj, e TH Joias deixou de ter mandato”.
O relator do processo no Tribunal Regional Federal (TRF-2), desembargador Flávio Oliveira Lucas, manteve a prisão preventiva de TH Joias e dos outros integrantes da facção criminosa, com exceção do delegado Gustavo Stteel, que passará para a detenção domiciliar, com monitoramento eletrônico, e foi afastado da PF. O TRF também ordenou a transferência de TH Joias para uma penitenciária federal.
As ligações de TH Joias e Bacellar com Flávio Bolsonaro
Segundo a acusação, o ex-deputado teria exercido papel de articulação entre integrantes da quadrilha e agentes públicos, além de participar de negociações envolvendo drogas, armas e equipamentos antidrones. Ele usava o gabinete na Alerj para acomodar indicações do Comando Vermelho. “O MPF sustenta que o grupo mantinha conexões com o CV e teria participado da compra e distribuição de armamentos provenientes do Paraguai”, detalha a matéria.
A reportagem da Agência Brasil lembra ainda que “a operação que prendeu TH Joias teve desdobramentos na cúpula da política fluminense. Exatamente três meses após a prisão, uma outra operação, a Unha e Carne, prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele foi acusado de passar informações da Operação Zargun para TH Joias... Bacellar, que tinha chegado a assumir interinamente o governo do estado, era cotado para disputar e eleição para governador em outubro de 2026”.
A Agência Brasil só deixou de informar aos seus leitores que Rodrigo Bacellar era o candidato dos sonhos de Flávio Bolsonaro ao governo estadual, o que lhe daria um palanque forte – e bilionário – no Rio de Janeiro. A reportagem também deixou de enfatizar que TH Joias era um dos expoentes da horda bolsonarista no estado.
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