Por Altamiro Borges
A CNN-Brasil noticiou nesta quarta-feira (30) que “um relatório da Polícia Federal apontou o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, como liderança de uma organização criminosa para ‘obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados’”. O relatório sigiloso foi obtido com exclusividade pela emissora de tevê. A menção ao direitista baiano foi feita numa investigação da PF sobre o direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos em Minas Gerais com o grupo de Marcos Moura, o famoso “Rei do Lixo”.
O documento feito com base em mensagens do celular de Marcos Moura realça que, entre agosto e dezembro de 2024, o empresário e o ex-prefeito de Salvador conversaram 232 vezes – “dados que reforçam a intensa relação entre os dois”. Conforme lembra a CNN, “o Rei do Lixo e outras 24 pessoas foram indiciados pela PF no âmbito da investigação que apura desvio de dinheiro público na destinação de emendas parlamentares. Os delegados federais estimam que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos”.
Dinheiro em malas em jatinhos fretados
O relatório sigiloso agora vazado é taxativo: “Ao analisarmos o conjunto probatório reunido nas oito fases da Operação Overclean, conclui-se que ACM Neto exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para a obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”. Eles foram feitos com a prefeitura de Belo Horizonte e tiveram “movimentações atípicas de dinheiro em espécie transportado em malas de viagens em aeronaves fretadas”.
Os contratos foram realizados pela Secretaria Municipal da Educação entre abril de 2024 e abril de 2025 e envolveram pelo menos seis empresas fornecedoras de materiais e serviços. “Com o fim do mandato de ACM Neto na prefeitura de Salvador, e a partir de 2024, a organização criminosa ampliou sua área de atuação para a capital mineira mediante a ocupação dos seus integrantes em pontos chave da administração municipal”, ressaltou o relatório da PF.
Kassio Nunes Marques rejeita pedidos da PF
Ainda segundo a CNN, “o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com a representação da Polícia Federal em parecer enviado no início de fevereiro ao ministro Kassio Nunes Marques. Gonet afirmou em sua manifestação que os elementos levantados pelos investigadores são consistentes quanto à materialidade e à autoria delitiva e que há fortes elementos que apontam suas participações na organização criminosa”.
A PF até solicitou ao ministro uma operação de busca e apreensão contra o candidato ao governo baiano sob o argumento de que ACM Neto foi responsável por infiltrar membros da organização criminosa na gestão da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. Os delegados também pleitearam o bloqueio de bens e valores do candidato de até R$ 77,8 milhões – soma dos pagamentos efetivados nos três contratos celebrados. Mas Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo fascista Jair Bolsonaro, “rejeitou os pedidos feitos pela Polícia Federal, contrariando os investigadores e o parecer de Paulo Gonet”, descreve a CNN.
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