Por Jair de Souza
Com a histórica aprovação no Congresso do projeto que pôs fim à jornada de trabalho 6 por 1, teve início uma campanha de distorção da realidade por parte dos eternos exploradores.
Vem de longa data a estratégia dos grandes capitalistas de procurar confrontar os pequenos e médios empresários com as maiorias populares e, neste momento, estão tentando causar o mesmo pânico em função da redução da carga horária dos trabalhadores assalariados. Estão jogando pesado com vista a atemorizar, inclusive, aqueles aos quais denominam empreendedores.
Sem dúvidas, é bastante compreensível que os magnatas do capital procedam assim, visto que constituem um grupo numericamente ínfimo de pessoas que, em nenhuma hipótese, ultrapassa dois porcento de nossa população.
Portanto, eles estão plenamente conscientes de que lhes seria impossível exercer o domínio político da nação e fazer prevalecer seus privilégios com base tão somente no apoio e mobilização daqueles que integram efetivamente sua categoria.
Sendo assim, recrutar elementos pertencentes aos demais setores torna-se algo fundamental para impedir que os interesses dos poderosos venham a ser afetados. Em vista disto, intensas campanhas de caráter ideológico são desenvolvidas com o objetivo de induzir pequenos e médios empresários, assim como os chamados empreendedores, a identificarem as reivindicações das massas populares como golpes desfechados contra eles.
Então, no intuito de preservar a absurda e monstruosa concentração de rendas que lhes favorece, os grandes capitalistas procuram infundir-lhes o temor de que toda e qualquer melhoria dos rendimentos dos trabalhadores, ou na diminuição de seu tempo de trabalho, acarretará sérios prejuízos aos pequenos e médios empresários. Em decorrência, todas as reivindicações neste sentido deveriam ser resolutamente combatidas.
No entanto, qualquer economista com um mínimo de honestidade e formação acadêmica adequada sabe que nada nesta alegação é verdadeiro. É que todos os agentes econômicos que dependem da comercialização de seus produtos entre as massas populares tendem a ganhar mais quando o potencial de consumo daqueles que adquirem seus bens se expande.
Levando em consideração que, de modo geral, a produção dos pequenos e médios empresários é dirigida essencialmente a pessoas integrantes dos setores populares, o resultado de uma elevação da capacidade de consumo destas camadas tende a ser um significativo aumento de sua demanda por aquilo que estes empresários oferecem.
Em outras palavras, trata-se de um jogo em que as duas partes ganham: o povo adquire mais bens e serviços para atender suas necessidades e os pequenos e médios empresários obtêm maiores ganhos com o acréscimo em sua oferta de seus produtos para atender o aumento da demanda.
Na verdade, sem entrar na discussão sobre a necessidade de alterar o sistema de produção em vigor, conforme o exemplo da República Popular da China nos comprova, até mesmo o grande capitalista acaba tendo maiores lucros a partir da melhoria efetiva do nível de vida do conjunto da população. Apenas aqueles cujos ganhos provêm da especulação têm razões fundamentadas para se opor à ampliação do nível de vida das maiorias trabalhadoras.
Como nem os pequenos e médios empresários nem os empreendedores estão incluídos no grupo dos que dependem da especulação, não há razões ou justificativas válidas para que se sintam ameaçados pelo fim da abominável escala 6 por 1 nem por outras conquistas trabalhadoras que apontam no mesmo sentido.
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