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| Bogotá, 14/10/26: Protesto contra Espriella. Foto: Sebastián Barros |
Abelardo de la Espriella, o advogado de narcotraficantes e capacho de Donald Trump que foi eleito presidente da Colômbia em junho passado, começa a sentir a resistência popular aos seus intentos fascistas. Nessa quarta-feira (14), milhares de colombianos tomaram às ruas nas principais cidades do país vizinho contra o novo governo. No protesto unitário convocado por sindicatos, entidades indígenas e movimentos sociais, a palavra de ordem dos manifestantes foi “vai cair”.
Segundo relato da agência de notícias AFP, a jornada de luta serviu para advertir sobre os retrocessos já anunciados por Espriella. “A oposição vê ameaçadas as conquistas trabalhistas alcançadas pelo governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, como o maior aumento do salário mínimo em décadas. O ex-presidente também ampliou o acesso gratuito à universidade pública e concedeu benefícios adicionais, como o pagamento extra por horas noturnas”. Tudo isso agora corre risco de regressão.
Riscos de retrocessos e repressão
“O pouco que conquistamos estamos prestes a perder”, afirma Ester Guerra, uma professora de 32 anos, em entrevista à AFP. “Os manifestantes também rejeitaram o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel – rompidas durante o mandato de Petro – e as aproximações com o governo de Donald Trump, que consideram um risco à soberania. ‘Estou com raiva, me sinto ofendida, não merecemos isso, ele [Espriella] só quer entregar o país aos EUA, a Israel. Sinto que tempos sombrios estão por vir’, disse a estudante Jimena Rodríguez, 20.
Ainda segundo a matéria, “os manifestantes hastearam bandeiras palestinas e queimaram uma grande bandeira americana em Bogotá. Gustavo Petro participou do protesto na capital, mas não fez declarações. Mais cedo, também participou da marcha o senador de esquerda Iván Cepeda, que perdeu as eleições presidenciais para Espriella por menos de um ponto percentual”.
Ciclo de protestos foi inaugurado
Em artigo postado na revista Fórum, o jornalista Leonardo Wexell Severo avalia que a luta social deve crescer na Colômbia. Para ele, a mobilização desta semana “inaugura um ciclo de protestos contra o retrocesso neoliberal e pela manutenção dos direitos sociais e trabalhistas ameaçados pelo ultradireitista, colocando ênfase na defesa dos recursos educacionais, da saúde e da reforma agrária”.
“O evento multitudinário que tomou a capital, Bogotá, e localidades como Barranquilla, Bucaramanga, Cali, Neiva, Pereira, Pasto, Santa Marta e Tunja, ocorreu um dia após Espriella abandonar o posto de presidente e agir como fantoche de Trump, assinando um decreto que adultera os protocolos de ação das forças de segurança. Com seu despacho, ele deu carta branca à repressão policial contra os oponentes, que passarão a ser tratados como inimigos do Estado. Para sindicatos e organizações civis, a medida é um ataque ao direito de protestar”.
Fabio Arias, presidente da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) da Colômbia, relatou ao jornalista que ocorreram “grandes mobilizações em mais de 100 municípios, lotando praças e ruas em oposição ao governo... Essa é a primeira resposta contra todas as medidas regressivas que Abelardo de la Espriella vem adotando, o que demonstra a existência de um contingente sólido de ativistas em nível nacional dispostos a manter uma mobilização contínua”.
“Esta é a primeira manifestação ocorrida apenas dois meses após a posse de Abelardo, o que prenuncia uma forte expressão de resistência e, naturalmente, de desconforto e insatisfação com esse governo”. Na avaliação do líder sindical, “a partir do êxito alcançado já se pode pensar coletivamente em outras ações a serem empreendidas rapidamente e que, obviamente, a mobilização continuará a escalar à medida que o governo adotar medidas regressivas”.

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