terça-feira, 13 de agosto de 2013

Globo e futebol, nada a ver

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Marcos Aurélio Ruy, no sítio da UJS:

Em entrevista do jornal Lance, na semana passada, o meia do Coritiba Alex, artilheiro do Brasileirão série A e considerado melhor jogador do campeonato até aqui, reclama da desorganização do futebol brasileiro. Para ele a Rede Globo, transmissora exclusiva do evento, prejudica o futebol impondo horários restritivos ao público que trabalha. “A gente brinca aqui no Coritiba que os jogos de quarta-feira só rolam depois do último beijo da novela”, desabafa Alex. Depois de carreira vitoriosa no exterior ele retornou ao seu clube de origem e deu entrevista detonando a Globo.

Faz tempo que as Organizações Globo dominam o cenário do futebol brasileiro com exclusividade nas transmissões e determinação de horários e dias de jogos. Em sua grade de programação só há janelas para partidas do campeonato brasileiro às quartas-feiras às 22h e aos domingos, às 16h. Fora isso nada. E na permitem que a coparceira nas transmissões Band exiba as partidas também. Muito menos dá chance para que outras emissoras tenham esta chance.

O jogador que já atuou em grandes clubes nacionais, na seleção brasileira e fez careira de sucesso na Turquia reclama de jogar às 22h da noite porque o jogo faz parte da grade de programação da emissora carioca que detém todos os direitos de transmissão e determina que as partidas só possam começar após o término da novela das 21h. Para ele, os jogos só começam após o “último beijo da novela”.

O meia do coxa tem razão ao ligar os horários dos jogos às bilheterias. Se analisarmos as maiores médias de bilheteiras nos campeonatos brasileiros a queda é vertiginosa. E a principal razão é atribuída ao calendário com horários que não permitem aos trabalhadores assistirem as partidas. Ele também reclama da Lei Pelé que profissionaliza jogadoras aos 16 anos e a maioria vai logo jogar no exterior. Haja vista a Seleção Brasileira que conta com atletas que quase ninguém viu atuar em clube brasileiro.

Alex ainda afirma que para ele como atleta é ruim ficar no hotel o dia todo esperando pela partida, mas ainda está numa situação confortável. Alex afirma que esse é um dos motivos dos estádios brasileiros estarem vazios. Porque as pessoas vão assistir aos jogos às 22h aí voltam pra casa meia noite pra trabalhar cedo no dia seguinte, retrata Alex.

“A gente joga bola dez horas da noite. Eu, que vou jogar, vejo uma situação ruim, preciso ficar no hotel o dia inteiro esperando um jogo dez horas da noite. Isso é ruim. Mas estou dentro de um hotel, confortável, tranqüilo, vou jogar 90 minutos, tomar banho e vou embora para casa”, acentua Alex, mas questiona “e o torcedor? O cara sai de casa ou do trabalho, precisa ir para o estádio dez horas da noite, assistir ao jogo, voltar para casa, e ainda precisa acordar sete horas da manhã no outro dia”, conta e acrescenta que “isso é desumano”. Para Alex, “por isso que os estádios estão vazios”.

O atleta acredita também que “a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é apenas uma sala de reuniões, para ele quem comanda o futebol brasileiro é a Globo. “Acho que a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande. A CBF cuida apenas da Seleção Brasileira”, analisa. Para ele “quem realmente cuida do futebol brasileiro é a Globo” e “a gente sabe que a Globo trabalha na dependência da novela”.

“A Lei Pelé bagunçou um pouquinho a coisa. Não sei se a culpa é do Pelé, mas a lei leva o nome dele. Quando você oferece o nome, você também oferece responsabilidade. Você ter um contrato profissional aos 16 anos, isso aí mudou muita coisa”. acentua. “A molecada hoje em dia chega para treinar com empresário, assessor, quatro ou cinco celulares” e “para piorar, hoje é assim: ‘Pô, esse garoto aí é baixo’” aí “nem olham para ver se ele tem qualidade, tiram a conclusão somente pela altura” e “a nossa escola na parte técnica está perdida”. Mas com otimismo ele acredita que “ainda dá tempo de recuperar. Trazendo a discussão para dentro dos clubes, local onde se formam os jogadores”, porque “deixamos de lado a parte de técnica e priorizamos a parte física”, finaliza.

Alex também se mostra entusiasmado com as recentes manifestações de rua e acredita que o povo no caso do futebol, o povo não suporta mais tantos desmandos. Ele acredita que no início dos anos 1990 os jovens saíram às ruas para derrubar o Collor, mas agora é diferente, defende. Porque as redes sociais ajudam a mobilizar e uma manifestação que ocorre no Nordeste pode ter reflexos em Curitiba, no Sul.

Nos campeonatos brasileiros de futebol a média de público vê caindo e a principal razão é atribuída ao calendário. Os horários dos jogos com transmissão são determinados pela Globo e isso prejudica a quem quer ir ao estádio, mas tem que trabalhar no dia seguinte. Além disso, também a qualidade do futebol, porque muitos jogadores começam atuar no exterior cedo demais.

Em 1972, o Corinthians teve a maior média de público no campeonato nacional com 40.719 pessoas, já em 2004 caiu para 13.547 pessoas e em 2011 subiu para 29.424 pessoas, mas longe da média do Flamengo em 1980 com 66.507 pessoas. Num ranking entre as 100 maiores bilheterias de 2012/2013, o primeiro clube brasileiro da lista é o Corinthians em 91º lugar. O primeiro colocado é um Borussia Dortmund, da Alemanha. Alex atribui isso ao planejamento adequado de horários. O que falta ao futebol brasileiro à mercê dos interesses da Rede Globo, que não paga imposto, mas fatura milhões e não dá chance a ninguém da concorrência.

A petulância da Globo é tanta que seus jornalistas esportivos, inclusive, pressionam a comissão técnica da Seleção Brasileira de Futebol, em favor desse ou daquele jogador, tentam imiscuir-se à delegação dos atletas e usar o privilégio da exclusividade par se dar bem em todos os aspectos. Na Copa do Mundo de 2010, o técnico Dunga, certo ou errado peitou a Globo e foi um massacre, a emissora pegava no pé até na camisa a qual o Dunga vestia, com se isso pudesse interferir no desempenho dos jogadores. Nas transmissões globais, com sues funcionários impedidos de ter privilégios junto aos jogadores, pareciam torcer par ao Brasil perder, assim como a oposição do PSDB-DEM-PPS torce contra o governo Dilma para dar tudo errado e o Brasil afundar como eles fizeram nos anos 1990.

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