segunda-feira, 22 de maio de 2017

A semana mortal para o Judas Temer

Por Altamiro Borges

Esta semana será infernal para o usurpador Michel Temer. Vários partidos da base governista reúnem suas bancadas e já ameaçam debandar do covil golpista. O PSB foi o primeiro a deixar o navio à deriva. Outros estão na fila, fazendo cálculos entre as benesses dos cargos e o inevitável desgaste eleitoral. Na quarta-feira (24), as centrais sindicais prometem “ocupar Brasília” para exigir a retirada das contrarreformas trabalhista e previdenciária e a convocação imediata das eleições diretas. Caravanas de todos os Estados já estão a caminho e há quem garanta que o protesto reunirá mais de 80 mil manifestantes e que será dos mais radicalizados e criativos. Há ainda os conchavos de bastidor, com forças golpistas que já decidiram descartar o Judas rapidamente para garantir o processo indireto de escolha do novo presidente e a continuidade das maldades ultraliberais.

Até a Folha tucana, que ainda insiste na manutenção de Michel Temer por prever que a sua queda inviabilizará as contrarreformas e abrirá espaço para as forças de esquerda, já dá sinais de que não confia muito na sua sobrevivência. Em editorial publicado nesta segunda-feira (22), intitulado “Por um fio”, o jornal da famiglia Frias indicou que também pode deixar o covil golpista. “Passado o impacto inicial – e arrasador – da delação da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) dedica-se a convencer uma audiência restrita de que tem condições de permanecer no cargo”. Mas, admite, “a sua tarefa [é] dificílima”, em especial para “evitar a debandada de sua coalizão parlamentar”. Apesar de ainda considerar as provas “inconclusivas”, a Folha reconhece que a coisa está feia:

“Sob o prisma político, as gravíssimas suspeitas levantadas contra Temer são plausíveis o bastante para comprometer a capacidade de governar – ainda que o inquérito em curso não revele de pronto novas complicações... Na arena parlamentar, Temer depende de manter uma coalizão que não apenas contenha investidas por seu impedimento, mas que respalde a agenda de estabilização econômica – esteio básico, talvez único, de sua gestão... A própria hipótese de que Temer venha a ser deposto basta para provocar a retração de consumidores e empresas. À Folha, o presidente descarta a renúncia: ‘Se quiserem, me derrubem’. Vislumbra-se, assim, um círculo vicioso em que fragilidades do mandatário, de sua base e da economia acentuam umas às outras. É ameaça que o governo, por um fio, terá de debelar em questão de dias”.

Diante deste cenário devastador, o Judas viverá momentos cruciais nesta semana. Como afirma um colunista do mesmo jornal, “as próximas 72 horas demonstrarão a real consistência da liga que ainda mantém de pé a cada vez mais cambaleante pinguela comandada por Michel Temer. Se até quarta o peemedebista não conseguir imprimir um mínimo de normalidade e controle sobre o Congresso, a vaca pode ir para o brejo. Temer não tem militância que o defenda e sua popularidade é similar à de corda em casa de enforcado. É o conjunto de deputados e senadores que liderou o impeachment de Dilma Rousseff que o sustenta no cargo... A oposição vinha conseguindo travar votações apesar de ter pouco mais de 100 dos 513 deputados. Revigorada pelo clima de ebulição política e reforçada pelas primeiras siglas que debandaram – PTN, PPS e PSB –, promete parar o Legislativo”.

A mídia chapa-branca que ainda aposta na sobrevida do golpista – o que não é o caso da poderosa Rede Globo, que já tirou o time e se apressa em emplacar um nome de sua confiança nas eleições indiretas para manter o mesmo receituário neoliberal – também não esconde o medo das mobilizações marcadas para quarta-feira. A “ocupação de Brasília” por milhares de manifestantes é vista como decisiva para definir os rumos políticos nos próximos dias. Para complicar ainda mais o calvário, os ministros do STF devem decidir nesta semana se acatam o pedido de abertura de inquérito contra o chefão da quadrilha que assaltou o poder. Em síntese, somando todas estas variáveis, é possível que Michel Temer seja defecado do Palácio do Planalto ainda nesta semana.

Em tempo: Vale conferir o calendário elaborado pela Folha sobre as pedras no caminho do usurpador nesta semana decisiva e mortal:

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Segunda-feira (22)

- Desembarque de aliados

Os partidos da base governista começam a discutir seu apoio a Temer. PSDB, DEM e PPS vão retomar discussões sobre a permanência na coalizão.

Terça-feira (23)

- Reforma trabalhista

O governo vai testar sua força para avançar sua agenda de reformas com a tentativa de votação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O relator, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), disse que suspenderia a discussão.

Terça e quarta-feira (23 e 24)

- Votações na Câmara

Temer medirá seu apoio na Câmara em votações de medidas provisórias e do projeto de convalidação de incentivos fiscais.

Impeachment da OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil anunciou que deve protocolar na terça ou na quarta um pedido de impeachment de Temer por crime de responsabilidade. O presidente vai procurar outras entidades, como CNA, CNI e AMB, para tentar neutralizar essa ação.

Quarta-feira (24)

- Julgamento no STF

O plenário do Supremo Tribunal Federal vai decidir se atende ao pedido de Temer para suspender o inquérito aberto contra ele por corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa.

Centrais sindicais

Sindicalistas convocaram uma marcha que pretende levar 80 mil pessoas a Brasília para protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária, e contra o governo Temer.


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