quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Na ONU, Bolsonaro passa recibo como imbecil

Por Jeferson Miola, em seu blog:         

O discurso do Bolsonaro na ONU é um primoroso cartão de visita. Bolsonaro se apresentou autenticamente como é: uma genuína Aberração [aqui].

O mundo inteiro conheceu, de viva voz e em corpo presente, quem é o imbecil delirante que foi alçado ao mais alto posto de mando do Brasil por meio da farsa eleitoral planejada pela Lava Jato.

Os trechos do discurso, adiante relacionados, dão a exata noção da vergonha a que o Brasil foi exposto desde a mais alta tribuna das Nações Unidas neste 24 de setembro de 2019.

Bolsonaro proclamou o “novo Brasil”, livre do socialismo [sic]:


– “Apresento aos senhores um novo Brasil, que ressurge depois de estar à beira do socialismo”.

– “No meu governo, o Brasil vem trabalhando para reconquistar a confiança do mundo, diminuindo o desemprego, a violência e o risco para os negócios […]”.

– “Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições”.


Sobre os médicos cubanos do Programa Mais Médicos, ele disse:

– “Um verdadeiro trabalho escravo, acreditem… Respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU!”.

Embora Fidel Castro tenha tido o primeiro encontro com Hugo Chávez em dezembro de 1994 e Lula bem depois, Bolsonaro disse que

– “O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido”.

Sobre os povos e as reservas indígenas, o destruidor das florestas e reservas disse:

– “Muitas vezes alguns desses líderes [indígenas], como o Cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”.

– “O Brasil agora tem um presidente que se preocupa com aqueles que lá estavam antes da chegada dos portugueses. […] Nessas reservas [Ianomâmi e Raposa Serra do Sol], existe grande abundância de ouro, diamante, urânio, nióbio e terras raras, entre outros”.


A despeito do derretimento da Amazônia, da multiplicação dos crimes ambientais, das conexões do clã com milícias, dos laranjas do PSL, do fugitivo Queiroz, do tráfico internacional de cocaína no AeroCoca presidencial, do tráfico de armas pelo vizinho de condomínio e suposto assassino de Marielle, dos crimes do clã na política etc – tudo acobertado pela PF controlada por Sérgio Moro – Bolsonaro incrivelmente declarou que

– “Nossa política é de tolerância zero para com a criminalidade, aí incluídos os crimes ambientais”.

No elogio a Sérgio Moro [o único ministro citado no discurso], Bolsonaro acabou revelando ao mundo o papel que o então juiz desempenhou na conspiração para derrubar a presidente Dilma, impedir a candidatura do Lula e abrir caminho para sua eleição:

– “Há pouco, presidentes socialistas que me antecederam desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento, tudo por um projeto de poder absoluto. Foram julgados e punidos graças ao patriotismo, perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o Dr. Sérgio Moro, nosso atual Ministro da Justiça e Segurança Pública”.

Sem dedicar uma única palavra à menininha Ágatha e às milhares de vítimas assassinadas pela política assassina, racista e de insegurança que Sérgio Moro, Witzel e ele defendem, Bolsonaro repetiu a estatística mentirosa que Moro vem propagando:

– “Medidas foram tomadas e conseguimos reduzir em mais de 20% o número de homicídios nos seis primeiros meses de meu governo”.

Naquela que talvez tenha sido a única passagem sincera do discurso, porque faz lembrar a inédita apreensão de 39 kg de cocaína traficada no AeroCoca presidencial para o exterior, Bolsonaro disse que

– “As apreensões de cocaína e outras drogas atingiram níveis recorde”.

Como sintoma da patologia que o faz descolar da realidade, o cada vez mais mundialmente isolado Bolsonaro filosofou que

– “O Brasil que represento é um país que está se reerguendo, revigorando parcerias e reconquistando sua confiança política e economicamente”.

Apesar do bolsonarismo se constituir como usina de ódio, violência e destruição, o psicopata ainda declarou:

– “A ideologia invadiu nossos lares para investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável, a família. A ideologia invadiu a própria alma humana para dela expulsar Deus e a dignidade com que Ele nos revestiu. E, com esses métodos, essa ideologia sempre deixou um rastro de morte, ignorância e miséria por onde passou. Sou prova viva disso. Fui covardemente esfaqueado por um militante de esquerda e só sobrevivi por um milagre de Deus. Mais uma vez agradeço a Deus pela minha vida”.

Citando versículo de João 8,32 – “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – Bolsonaro terminou seu discurso com agradecimento a Deus:

– “Com humildade e confiante no poder libertador da verdade, estejam certos de que poderão contar com este novo Brasil que aqui apresento aos senhores e senhoras. Agradeço a todos pela graça e glória de Deus!”.

O povo brasileiro não tem motivos para se envergonhar de Bolsonaro, porque antes disso tem de resistir e lutar contra a barbárie e a destruição que seu governo promove no país.

O povo brasileiro tem motivos de sobra, sim, para se envergonhar e se enojar da burguesia fétida e canalha que, para impor o projeto ultraliberal destrutivo, genocida e entreguista, prendeu Lula e abriu o caminho do poder para este experimento fascista.

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