domingo, 15 de novembro de 2020

As cinco razões da irritação de Bolsonaro

Por Altamiro Borges
 

Em sua coluna na revista Época, o jornalista Guilherme Amado aponta alguns motivos que explicariam porque o presidente "saiu da casinha", disparando a sua arminha verbal nestes dias. "O destempero de Bolsonaro, que nunca se moderou de fato, apenas recolheu armas estrategicamente, teve razão. Três razões, aliás", afirma.

A primeira, diz o colunista, é que "o presidente e os seus aliados mais próximos sentiram a derrota de Donald Trump. O naufrágio do strongman populista americano fez muitos apoiadores do presidente, principalmente os não fanáticos, se questionarem se estão certos ao apoiar a versão brasileira".

O segundo motivo é que "a família presidencial assustou-se com a movimentação de Sergio Moro e Luciano Huck rumo a 2022. O surgimento de novas configurações eleitorais na direita, com Moro agora abertamente candidato, também abre fissuras especialmente no eleitorado que não tem relação de idolatria com o Mito".

Derrota eleitoral e queda de popularidade

Já a terceira causa é "a provável derrota de praticamente todos os candidatos apoiados pelo presidente nas capitais, a maioria ainda no primeiro turno... Até a quinta-feira, 12, só dois dos seis candidatos para quem o presidente pediu voto nas capitais tinham chance de ir ao segundo turno".

O colunista da revista Época conclui: “Os três fatores mostraram que a reeleição em 2022 talvez não seja um passeio. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 12 reforçou isso: o “ruim e péssimo” de Bolsonaro em São Paulo está em 50%. No Rio, 42%”.

Flávio Rachadinha e caos econômico 

Às três razões expostas por Guilherme Amado é possível acrescentar várias outras que explicariam o recente piriri verborrágico do Bolsonaro. Cito mais duas: A primeira é o cerco ao filhote 01, o Flávio Rachadinha, está se fechando. Já há quem preveja a cassação do seu mandato de senador; outros falam até em possível prisão.

O segundo motivo da irritação presidencial (ou quinto na soma) é o temor do total descarrilamento da economia no pós-eleições. O fim do auxílio emergencial em dezembro, a explosão das taxas de desemprego e a frágil retomada da economia assustam Jair Bolsonaro. Ele sabe que isto pode significar o seu fim!

Na semana passada, a Folha noticiou que “os indicadores especiais de atividade, criados durante a pandemia para monitorar a retomada, mostram que o período de forte recuperação da economia, iniciado já em meados de abril, se encerrou em outubro – mês em que ocorreu a redução de estímulos governamentais”.

A bravata do "V" de Paulo Guedes

“Dados para novembro confirmam que a atividade se estabilizou em um nível ainda abaixo do patamar pré-crise, e a expectativa dos analistas responsáveis por esses índices é de uma recuperação mais lenta na sequência”, informa o jornal rentista.

Ou seja: o próprio “deus-mercado” não acredita na tal “recuperação em V” tão bravateada pelo abutre Paulo Guedes, que está cada dia mais com a cabeça a prêmio. Se a própria mídia neoliberal, que segue apoiando a agenda econômica do laranjal, está tão pessimista, imagine-se a irritação do desbocado Jair Bolsonaro.

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