quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Suprema Corte derrota golpismo de Trump

Cédulas de votação por correio no cartório eleitoral durante
as eleições primárias em San Diego, Califórnia, 2/junho/2026.
Foto: Mike Blake/Reuters


Por Altamiro Borges


O ditador Donald Trump sofreu um importante revés nesta segunda-feira (14). A Suprema Corte dos EUA negou o seu pedido para restringir o voto por correio nas decisivas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro próximo. Por ampla maioria, os ministros mantiveram a liminar da juíza federal Indira Talwani, de Boston, que rejeitou decreto do presidente neofascista, de março passado, que endurecia as regras do Serviço Postal contra esta forma tradicional de votação dos estadunidenses.

Como registra a agência Reuters, “republicanos e democratas travam uma disputa acirrada pelo controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. Restringir o voto pelo correio tende a favorecer os republicanos, já que os eleitores democratas usam essa modalidade em proporção maior, segundo pesquisas. A votação por correio é comum nos EUA e é utilizada por eleitores idosos, que vivem em locais afastados, têm dificuldade de locomoção ou que sabem que estarão viajando no dia da eleição”.

Donald Trump pretendia dificultar essa modalidade de voto em mais uma manobra para se perpetuar no poder. “Críticos dizem que seu decreto poderia interromper a entrega de milhares de cédulas legítimas e provocar confusão às vésperas da votação de novembro. Muitos estados já estão se preparando para enviar cédulas pelo correio aos eleitores. Trump afirma que a regra ajudaria a combater fraudes eleitorais. Evidências de fraude nesse tipo de votação, porém, são raras”, afirma a Reuters.

Em um pedido de emergência apresentado em setembro, o governo pediu à Suprema Corte autorização para implementar a regra, argumentando que ela seria necessária para proteger o sistema postal contra seu uso em fraudes eleitorais. “Estados, em sua maioria governados por democratas, a capital, Washington, e grupos de defesa do direito ao voto contestaram a norma. No último dia 4, Indira Talwani havia bloqueado a medida por meio de liminar. Para a juíza, a regra violava a Constituição, que atribui aos estados a administração das eleições”. Agora, a Suprema Corte derrotou de vez o ditador.

Queda vertiginosa de popularidade do fascista

Essa decisão deve atormentar ainda mais o presidente-pedófilo dos EUA, que tem visto sua popularidade despencar nos últimos meses e corre o sério risco de perder a atual maioria nas duas casas do Congresso. Artigo publicado no jornal O Globo na semana passada mostra que “a dois meses das eleições, democratas são favoritos na Câmara e avançam no Senado. Enfraquecido pela guerra do Irã, Trump vê a oposição ganhar terreno até mesmo em estados mais conservadores; se confirmadas as pesquisas, resultado estabelecerá inédito contrapeso institucional ao avanço ultraconservador do trumpismo não só nos EUA, mas também na seara externa”.

A mais recente pesquisa mensal da Focaldata/Financial Times (FT) cravou aprovação de apenas 33% para Donald Trump, um recorde negativo. A sua rejeição é maior do que a de todos os presidentes anteriores dos EUA neste século. A enquete também constatou a menor média histórica de apoio ao presidente entre os conservadores, pela primeira vez abaixo dos 75%. Entre os republicanos, 53% torcem os narizes para o modo como a Casa Branca conduz a economia, oito pontos a mais do que em agosto.

“A queda livre nas pesquisas, inclusive nas qualitativas, e o abismo na diferença de ânimo entre os dois lados oferece pista importante para a reta final de uma corrida eleitoral com potencial de estabelecer inédito contrapeso institucional ao avanço ultraconservador do Trump 2.0, inclusive na seara externa, com reflexos nas ações de Washington na América Latina”, conclui o artigo do jornal O Globo.

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