terça-feira, 15 de setembro de 2026

Metade dos jornalistas sofre de depressão

Reprodução
Por Altamiro Borges


Sofrendo forte assédio das corporações midiáticas, os jornalistas brasileiros estão ficando cada dia mais doentes, com sintomas de depressão, ansiedade, estresse e insônia. Esse quadro preocupante foi apontado numa pesquisa inédita feita pela Fundacentro (Fundação de Segurança e Medicina do Trabalho), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgada nessa segunda-feira (14).

O levantamento, que ouviu 257 profissionais da imprensa de todo o país, aponta que mais da metade dos jornalistas apresenta sintomas de depressão (50,2%) e quase metade convive com estresse (47,8%) e insônia (47,9%). Ele mostra ainda que 35,8% dos trabalhadores têm sintomas de ansiedade, sendo que uma parcela significativa apresenta níveis severos ou extremamente severos.

“Além do adoecimento mental, o levantamento evidencia a presença marcante de violência no ambiente de trabalho. Entre os entrevistados, de 26% a 37% afirmam ter sofrido assédio moral, a depender do critério utilizado, enquanto 30,4% relatam ter sido vítimas de cyberbullying”, descreve reportagem do site da Fenaj.

Urgência de políticas de proteção à categoria

O estudo também aponta fatores estruturais que ajudam a explicar esse cenário. Cerca de 28% dos jornalistas estão em situação de “alto desgaste”, caracterizada por alta demanda e baixo controle sobre o trabalho, e 61,1% apontam baixo apoio social no ambiente profissional. A pesquisa revela ainda que 21,5% dos jornalistas apresentam consumo de álcool em níveis de risco ou potencial dependência, o que pode estar associado ao estresse ocupacional e às condições adversas enfrentadas na rotina profissional.

O estudo sobre “Condições de trabalho e saúde mental dos jornalistas do Brasil”, realizado entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, é essencial para entender os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a categoria. Para a presidenta da Fenaj, Samira de Castro, os resultados reforçam a urgência de políticas voltadas à proteção dos jornalistas. “O cenário exige medidas concretas por parte das empresas de comunicação, além do fortalecimento da negociação coletiva e da implementação de políticas de prevenção aos riscos psicossociais”.

A pesquisa também ganha relevância no contexto da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. “Os dados fornecem subsídios importantes para a inclusão efetiva dos riscos psicossociais – como assédio, sobrecarga e pressão constante – nas políticas de saúde e segurança do trabalho”, afirma Norian Segatto, coordenador da pesquisa e secretário-adjunto de Saúde e Segurança da Fenaj.

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