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Sofrendo forte assédio das corporações midiáticas, os jornalistas brasileiros estão ficando cada dia mais doentes, com sintomas de depressão, ansiedade, estresse e insônia. Esse quadro preocupante foi apontado numa pesquisa inédita feita pela Fundacentro (Fundação de Segurança e Medicina do Trabalho), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgada nessa segunda-feira (14).
O levantamento, que ouviu 257 profissionais da imprensa de todo o país, aponta que mais da metade dos jornalistas apresenta sintomas de depressão (50,2%) e quase metade convive com estresse (47,8%) e insônia (47,9%). Ele mostra ainda que 35,8% dos trabalhadores têm sintomas de ansiedade, sendo que uma parcela significativa apresenta níveis severos ou extremamente severos.
“Além do adoecimento mental, o levantamento evidencia a presença marcante de violência no ambiente de trabalho. Entre os entrevistados, de 26% a 37% afirmam ter sofrido assédio moral, a depender do critério utilizado, enquanto 30,4% relatam ter sido vítimas de cyberbullying”, descreve reportagem do site da Fenaj.
Urgência de políticas de proteção à categoria
O estudo também aponta fatores estruturais que ajudam a explicar esse cenário. Cerca de 28% dos jornalistas estão em situação de “alto desgaste”, caracterizada por alta demanda e baixo controle sobre o trabalho, e 61,1% apontam baixo apoio social no ambiente profissional. A pesquisa revela ainda que 21,5% dos jornalistas apresentam consumo de álcool em níveis de risco ou potencial dependência, o que pode estar associado ao estresse ocupacional e às condições adversas enfrentadas na rotina profissional.
O estudo sobre “Condições de trabalho e saúde mental dos jornalistas do Brasil”, realizado entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, é essencial para entender os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a categoria. Para a presidenta da Fenaj, Samira de Castro, os resultados reforçam a urgência de políticas voltadas à proteção dos jornalistas. “O cenário exige medidas concretas por parte das empresas de comunicação, além do fortalecimento da negociação coletiva e da implementação de políticas de prevenção aos riscos psicossociais”.
A pesquisa também ganha relevância no contexto da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. “Os dados fornecem subsídios importantes para a inclusão efetiva dos riscos psicossociais – como assédio, sobrecarga e pressão constante – nas políticas de saúde e segurança do trabalho”, afirma Norian Segatto, coordenador da pesquisa e secretário-adjunto de Saúde e Segurança da Fenaj.

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