terça-feira, 15 de setembro de 2026

Dino pede investigação sobre Iter de Mendonça

Por Altamiro Borges

O clima no Supremo Tribunal Federal é mesmo o de uma “carnificina institucional” após o incêndio provocado pelo “terrivelmente evangélico” nomeado ao STF por Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira (15), o ministro Flávio Dino solicitou a abertura de investigação sobre as relações entre o Instituto Iter, fundado por André Mendonça, e o mafioso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em contratos firmados com a prefeitura de São Paulo para administrar cemitérios privatizados no município.

O pedido de investigação tem como base uma ação aberta pelo Ministério Público sobre irregularidades na concessão dos serviços funerários e o voto do “ungido por Deus” contra uma decisão do STF, de abril de 2025, que afetava os lucros dos donos de cemitérios. Segundo matéria do site g1, “ao analisar o caso, Flávio Dino chamou atenção para o fato de que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, trabalha na SP Regula, agência responsável pela regulação de serviços públicos de São Paulo, justamente na área funerária e cemiterial”.

Na solicitação, Flávio Dino cita o “encontro secreto” entre André Mendonça e o criminoso Daniel Vorcaro em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, e lembra que ele suspendeu o julgamento sobre os cemitérios privatizados um dia depois, em 15 de março. “O caso foi devolvido por Mendonça para julgamento no dia 4 de abril. Ele abriu divergência ‘votando, portanto, de acordo com os pleitos dos cemitérios privados’, afirmou Dino”, detalha a matéria. Coincidentemente, em julho de 2025, Alexandre Mendonça foi nomeado superintendente da agência.

Contratos com a prefeitura de São Paulo

O ministro lembra ainda que o Instituto Iter, criado por André Mendonça em 2024, firmou contrato com a prefeitura de São Paulo para prestar serviços de assessoria jurídica. A prefeitura, por sua vez, é responsável pela contratação de empresas privadas que atuam no setor funerário, como a Cortel. “Na decisão, Dino cita ainda que Fabiano Zettel – cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero –, trabalhava na Cortel”, conclui a reportagem.

Vale lembrar que além dessa negociata com a gestão de Ricardo Nunes (MDB), o instituto do “terrivelmente evangélico!” também firmou, sem licitação pública, um contrato de R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante desses episódios suspeitos, Flávio Dino pediu a abertura de investigação “para esclarecer se existe alguma relação entre o encontro de Daniel Vorcaro com André Mendonça e o Instituto Iter”. O objetivo é apurar “possíveis conexões”. Pode feder!

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