domingo, 1 de março de 2026

Quando o recuo vira destino

Por Roberto Amaral

“A inação diante de Cuba repete o erro fatal de Munique: apaziguar o agressor só adia a guerra e a torna mais devastadora - a história não perdoa os que se calam diante do fascismo renascente”. Gabriel Cohn (Cuba, a Espanha no século XXI)

Em 1938, regressando de Munique, aonde fôra negociar com Adolf Hitler, o primeiro-ministro Neville Chamberlain declara ao Parlamento britânico haver conquistado o que denominava como “a paz para o nosso tempo”. Enganado ou não, enganava os ingleses e despistava o mundo, em especial o mundo europeu, mal saído da Primeira Guerra Mundial e já se vendo ameaçado por um novo conflito para o qual não estava preparado, como se veria logo depois.

Eram tempos de medo, dominados pela retórica do pacifismo para enfrentar as ameaças do rearmamento alemão comandado pela ascensão do nazifascismo. Ao entregar os Sudetos (parte da então Tchecoslováquia) à Alemanha como compensação pela promessa de Berlim de não reivindicar mais territórios (mote da doutrina do “espaço vital”, que tudo justificava), a monarquia decadente aplainava os avanços das tropas de Hitler: o “acordo de paz” é firmado em 1938 e, já em 1939, a Polônia era invadida. Avança a guerra que a Inglaterra, não podendo enfrentar, tentava não ver, simplesmente ignorando a agressão que vinha a galope.

Como a mídia fabrica um novo Sergio Moro

Por Kiko Nogueira, no site DCM:

A mídia está tentando transformar André Mendonça no novo Joaquim Barbosa ou no novo Sergio Moro.

Ele já está na capa da Veja, como seus antecessores, com a chamada idiota “Supremo papel” (faltou um anãozinho chamando atenção para o trocadilho: “Sacou? sacou?”).

Na CNN, cujo dono tem negócios com Daniel Vorcaro, do Banco Master, conforme revelado por Vinícius Segalla no DCM, a bajulação do ministro terrivelmente evangélico tomou conta de uma conversa mole.

Thaís Herédia se embrenhou pela “psicologia” do Supremo Tribunal Federal, dando o costumeiro cacete nos demônios Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Globo se aliou ao bolsonarismo contra o STF

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Vamos a uma demonstração, ao vivo e em cores, sobre como funcionam as parcerias visando o lançamento da Lava Jato 2, conforme antecipamos no artigo "O monstro despertou: começa a Lava Jato 2".

Houve indícios claros de tentativa de quebra de sigilo de Ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares. Se cometido contra qualquer cidadão, quebra de sigilo fiscal é crime. Contra um Ministro do Supremo, é crime gravíssimo.

A investigação foi conduzida pela Receita Federal e, depois do relatório inicial, Alexandre de Moraes ordenou colocar tornozeleira nos suspeitos e segurar os passaportes.

Imediatamente, O Globo montou uma operação visando escandalizar a atitude de Moraes.

Todas as críticas são atribuídas a auditores da Receita e a outros Ministros do STF, baseadas em um velho truque:

1- Encontre alguém crítico à medida, na Receita e no STF.

2- Utilize o coletivo para dar mais ênfase à declaração em off. Se for de UM Ministro do STF, use um genérico Ministros.

Como manter o apoio das massas populares

Por Jair de Souza

Ao discursar durante sua participação no ato de celebração do 46º aniversário do PT, Lula fez alusões críticas a atuação de seu partido nas últimas décadas. Dos pontos por ele mencionados, podemos destacar a drástica perda de influência e relevância sofrida pela agremiação em diversas regiões importantes.

A esse respeito foram citados nominalmente os grandes centros operários do ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema), as cidades de Guarulhos, Campinas, Araraquara, etc., onde, de principal e mais pujante força política, o PT passou a desempenhar um papel muito mais acanhado.

Poderíamos acrescentar que, além de ser detectado em várias zonas geográficas, esse decaimento também pode ser nitidamente observado no seio de nossa juventude. Não há dúvidas de que, até por volta do fim dos primeiros anos deste século, nenhuma outra organização ou corrente política entusiasmava tanto o imaginário de nossos jovens. Hoje, no entanto, a adesão juvenil ao PT está longe de ser tão apaixonada.

Ainda sobre a redução da jornada de trabalho

Por João Guilherme Vargas Netto

Enquanto as direções nacionais das centrais sindicais e das confederações de trabalhadores preocupam-se em organizar as intervenções no Congresso Nacional, em Brasília, o conjunto do movimento sindical, suas múltiplas entidades e os dirigentes de cada sindicato devem procurar pessoalmente os deputados e senadores de suas cidades, regiões ou estados para, olho no olho, argumentarem e defenderem com eles a redução da jornada e o fim da escala 6 x 1, bem como alertá-los a respeito das próximas eleições em que disputarão novos mandatos.