domingo, 4 de outubro de 2026

Fim da desumana escala 6x1: agora vai?

Por Altamiro Borges

Já sem o fator pressão das urnas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), agendou para a próxima terça-feira (6) o início da tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a desumana escala de 6x1, com a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte salarial. A medida civilizatória é um importante bandeira do governo Lula, mas sofreu forte rejeição do lobby patronal, da mídia hegemônica e da bancada bolsonarista.

A princípio, a PEC deve ser analisada pelo rito tradicional, que prevê cinco sessões de discussão antes de o texto ser levado à votação final. Mas esse intervalo pode ser encurtado por acordo entre os senadores. Por enquanto, a proposta aparece na pauta do Senado nos dias 6, 7 e 8 de outubro. Se as outras duas sessões de debate forem marcadas para a semana seguinte, os senadores poderão votar a PEC antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A pressão da cloaca burguesa e da sua mídia

Em seu perfil no X, o presidente Lula cumprimentou Davi Alcolumbre e disse que o fim da escala 6x1 é prioridade de seu governo: “Estou convicto de que o Senado também saberá ouvir a sociedade e aprovar esse avanço histórico para milhões de trabalhadores”. Já em nota, o senador afirmou que o projeto “será debatido com responsabilidade, equilíbrio e respeito às diferentes perspectivas envolvidas”. A PEC precisa dos votos de 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação.

A cloaca burguesa e sua mídia venal já estão em campo para derrotar a proposta. Segundo veneno publicado na Folha, o anúncio da votação já na próxima semana “simboliza um trunfo eleitoral do presidente Lula (PT) e do grupo de Alcolumbre no Amapá, onde o governador Clécio Luís (União Brasil) enfrenta difícil campanha para reeleição contra o ex-prefeito de Macapá, Dr. Antônio Furlan (PSD), que lidera as pesquisas”. A PEC seria apenas uma medida eleitoreira, que “quebrará o país”!

Redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos

Vários estudos, porém, mostram exatamente o contrário. Em março passado, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou o “Dossiê 6x1” – com 37 textos, escritos por 63 pesquisadores. Ele prova que a redução da jornada pode beneficiar 45 milhões de trabalhadores e gerar 4,5 milhões de novos empregos, além de elevar a produtividade em até 4% e dinamizar a economia.

A pesquisa mostra que a redução da jornada não implica em queda na produção ou na renda, ao contrário do que prega a cloaca burguesa e sua mídia. A própria experiência brasileira confirma essa avaliação. Com a Constituição de 1988, a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. Na década seguinte, entre os anos 1990 e 2000, a produtividade do trabalho cresceu, em média, 6,5% ao ano.

Para os autores, a melhora na qualidade de vida e no descanso contribuiu para o aumento do desempenho nas funções. O dossiê aponta que, com trabalhadores mais descansados, há mais agilidade, precisão e menor incidência de erros, o que eleva a produtividade no trabalho. O estudo destaca ainda os impactos na saúde física e mental do trabalhador. A diminuição da carga horária reduz a exposição a ambientes insalubres, acidentes de trabalho e situações de desgaste extremo.

O estudo do Cesit, feito com base na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad-Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que cerca de 21 milhões de brasileiros trabalham mais de 44 horas semanais, ultrapassando o limite previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); 76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas semanais. Esses números desmascaram a farsa midiática de que “o Brasil trabalha pouco”.

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