sexta-feira, 31 de maio de 2019

A verdade rua e crua

Por Gilberto Maringoni

O ministério da Previdência foi extinto. Ele agora é um anexo do ministério da Economia.

O ministério da Cultura foi extinto. Ele agora é um quartinho dos fundos do ministério da Cidadania. Aquele, do ministro Osmar Terraplana.

O ministério do Trabalho foi extinto. Ele foi esquartejado, seus restos foram salgados e expostos à visitação pública nos ministérios da Economia, Cidadania, Justiça e Segurança Pública e sua alma foi amaldiçoada até a sétima geração.

Da mídia de consenso à de conflito

Por Frei Betto, no site Correio da Cidadania:

De­finha o in­te­resse por no­tí­cias im­pressas ou te­le­vi­sivas. Pes­quisas re­velam que o pú­blico pre­fere notí­cias on­line.

Nos sé­culos 19 e 20, o modo de pensar da so­ci­e­dade tendia a ser mol­dado pelos grandes meios de comu­ni­cação: mídia im­pressa, rádio e TV. Tudo in­dica que ter­mina aquela era. Trump se elegeu atacando a grande mídia dos EUA. Só a Fox o apoiou. Os prin­ci­pais veí­culos da mídia bri­tâ­nica se opu­seram ao Brexit. Ainda assim a mai­oria dos elei­tores votou a favor dele. Bol­so­naro fez cam­panha pre­si­den­cial quase au­sente da grande mídia. Cri­ticou os prin­ci­pais veí­culos, e ainda assim se elegeu. O que acon­tece de novo?

Ruas se tornam novo eixo político do país

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A recessão de 0,2% no primeiro trimestre é a mais recente notícia ruim para o governo Bolsonaro em geral e para Paulo Guedes em particular.

Ao dar continuidade a política econômica de Temer-Meirelles, apenas radicalizando o que se fazia anteriormente, o novo governo colheu o que plantou. Confirma sua incapacidade de apontar qualquer perspectiva crível de melhora nos próximos meses.

Ao insistir na miragem infantil de que o futuro dos empregos e do crescimento da oitava economia do planeta irá depender exclusivamente da reforma da Previdência, o Planalto não apenas confirma a estreiteza de horizontes intelectuais de Paulo Guedes. Faz uma aposta de altíssimo risco.

Bolsonaro está frágil, mas ainda tem base

Por Dennis de Oliveira, em seu blog:

Os atos realizados no último domingo (26) foram menores que os do dia 15 de maio e também demonstraram um refluxo na base de apoio ao governo Bolsonaro. O que as várias pesquisas estão demonstrando se expressou na adesão às ruas. Em três cidades, houve uma certa adesão – São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em outras, os atos foram fracos. Entretanto, considero precipitado dizer que Bolsonaro está acabado.

30M abre caminho para greve geral histórica

Fortaleza, 30/5/19
Editorial do site Vermelho:

Em todo o país, verdadeiras multidões saíram às ruas nesta quinta-feira (30) para manifestar a posição de que na Educação de um povo não se mexe. O colorido dos cartazes, roupas e bandeiras deu o tom de uma enérgica jornada que entra para a história como mais uma página de abnegação do povo brasileiro, nesse caso com destaque para a juventude. A firme ação da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) como as principais entidades que lideram essas manifestações é um ponto a ser registrado com ênfase.

Toffoli, o fantoche

Por Jeferson Miola, em seu blog:             

Fantoche - substantivo masculino
1 boneco cujo corpo se ajusta, como uma luva, à mão de um manipulador oculto, que o faz representar algum papel teatral; mamulengo, presepe
2 p.us.m.q. marionete (no sentido de ‘boneco’)
3 fig.; pej. Indivíduo que se deixa manipular; títere, marionete
apositivo
4 que age e toma decisões a mando de outros ‹governo f.›

Dicionário Houaiss


De qualquer ângulo que se analise, o intenso ativismo político de Dias Toffoli é descabido.

É notório que Toffoli é uma pessoa totalmente deslumbrada com o poder. Mas seu narcisismo, sozinho, não explica o ativismo frenético e a indomável subserviência ao regime.

A paralisação na Argentina contra Macri

Foto: EFE
Por Joaquín Piñero, no jornal Brasil de Fato:

Milhares de trabalhadores e trabalhadoras fecharam os principais acessos da capital Buenos Aires e das cidades do interior do país desde a manhã desta quarta-feira (29) em uma paralisação nacional convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), demais centrais sindicais e pelos movimentos sociais argentinos contra a aplicação das políticas neoliberais do governo Macri.

O pibinho de Paulo Guedes

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

O PIB do 1º trimestre é responsabilidade total de Paulo Guedes, o Ministro da Economia. Em pouco tempo, comandando o superministério que lhe foi conferido, Guedes conseguiu jogar fora até os 6 meses de bônus que acompanha todo início de governo.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram uma queda de 0,5 ponto no PIB estimado do trimestre. Os setores que subiram têm pouca repercussão no PIB. Os que caíram, tem muita: indústria extrativa, de transformação e de construção.


Mídia está por trás da tragédia brasileira

Foto: Franklin Freitas
Por Bepe Damasco, em seu blog:

As grandes manifestações que pela segunda vez tomaram conta do país neste 30 de maio contra os cortes na educação, protagonizadas por professores e estudantes, não se limitaram a esta pauta como quer fazer crer a mídia monopolista.

Somam-se a aos protestos cada vez mais pessoas mobilizadas pela luta para impedir o fim das aposentadorias, a liquidação total de direitos e a entrega da riqueza nacional. Os sentimentos comuns entre os manifestantes são a indignação diante da destruição do país, a obrigação cidadã de resistir às políticas retrógradas e obscurantistas do governo e a forte oposição ao conjunto da agenda econômica dos que estão no poder.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Julian Assange: Carta do cárcere

Do Blog da Boitempo:

Nas suas primeiras palavras liberadas ao público depois de ter retirado a força da embaixada equatoriana em Londres, no qual se encontrava em condição de asilo político desde 2012, Julian Assange, fundador e editor-chefe do WikiLeaks, fala sobre as condições repressivas que enfrenta na prisão britânica de Belmarsh e convoca uma campanha contra a ameaça da sua extradição para os Estados Unidos.

Os donos da mídia eleitos em 2018

Da Rede Brasil Atual:

Em 10 estados brasileiros, pelo menos 34 políticos que se candidataram nas eleições de 2018 possuíam concessões de rádio ou televisão em cidades com mais de 100 mil habitantes. Estratégias como as de donos de emissoras de radiodifusão que se beneficiaram eleitoralmente das concessões públicas são apenas alguns dos dados do Relatório Direito à Comunicação no Brasil de 2018, divulgado nesta terça-feira (28) pelo coletivo Intervozes, indicando que, do total de candidaturas de donos de veículos de comunicação analisadas, 28 conseguiram a eleição.

Modernização neoliberal e trabalho forçado

Por Carlos Drummond, na revista CartaCapital:

Há décadas várias organizações internacionais divulgam recordes seguidos de aumento da desigualdade que, provavelmente por ter assumido características de um problema crônico, suscita perguntas a respeito de eventuais efeitos acumulados das diferenças cada vez mais extremadas entre ricos e pobres. Sabe-se que o abismo atual de renda e de condições de vida e trabalho tem a mesma profundidade daquele existente no fim do século XIX, mostram as estatísticas analisadas em numerosos estudos econômicos, mas o que terá acontecido com as sociedades submetidas ao efeito combinado de concentração de renda, precarização do trabalho, globalização e intensificação do movimento migratório?

Bolsonaro aparelha Ministério da Educação

Por André Cintra, no site da Fundação Maurício Grabois:

A presidenta da União da Juventude Socialista (UJS), Carina Vitral, afirmou que Jair Bolsonaro (PSL) usa o Ministério da Educação (MEC) como eixo da disputa ideológica travada pelo governo federal. As críticas de Carina ao presidente foram feitas nesta terça-feira (28), durante sua participação no 5º Salão do Livro Político, na PUC-SP. Ela foi uma das debatedoras da mesa “Educação ou Barbárie: A Volta da Idade Média?”.

PIB afunda puxado pela queda da indústria

Por Marcelo Manzano, no site da Fundação Perseu Abramo:

Neste dia 30 de maio, os jornais brasileiros estamparam em suas manchetes a contração do PIB do primeiro trimestre, sob o comando de Paulo Guedes. Na série com ajuste sazonal calculada pelo IBGE houve um recuo de 0,2% em relação ao último trimestre de 2018.

Mas os dados mais dramáticos, escondidos das manchetes, foram as quedas acentuadas da produção industrial (-0,7%) e, pelo lado da demanda, dos investimentos (-1,7%). O país segue perdendo densidade industrial, voltando a patamares da década de 1920, enquanto os investimentos se mantêm em um nível não apenas baixo (15,5% do PIB) mas também insuficiente para alavancar ganhos de produtividade, sem os quais não sairemos do buraco.

O capitão em seu labirinto

Por Roberto Amaral, em seu blog:

Assistimos domingo último a um estranho ‘protesto a favor’ de um governo e de suas políticas impopulares, das quais a desmontagem da previdência pública – saudada na Av. Paulista – é apenas um indicador perverso. Quando este texto chegar aos seus leitores o IBGE já terá confirmado, com a queda do PIB, que o Brasil de Guedes e Bolsonaro está prestes a concluir sua caminhada suicida para a depressão econômica – com tudo o que ela traz consigo, a começar pelo agravamento do desemprego, tanto mais grave quanto o ultra-liberalismo investe na desmontagem dos mecanismos de proteção social, na precarização das relações de trabalho e no aprofundamento das desigualdades sociais.

PIB cai 0,2%. É ruim, mas vai ficar pior

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Você pensa que a queda de o,2% apurada pelo IBGE no primeiro trimestre do ano é a pior noticia sobre a situação de nossa economia?

Espere, porque amanhã vai ser pior.

Uma hora antes do IBGE divulgar a retração do PIB, a Fundação Getúlio Vargas revelou resultado de um levantamento feito em 1887 empresas do setor de serviços, entre os dias 02 e 24 deste mês, sobre seu desempenho e expectativas para os próximos meses. O resultado:

“O Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 3,1 pontos em maio, para 89,0 pontos, voltando ao nível de maio de 2018 (89,0 pontos). No acumulando dos últimos quatro meses houve perda de 9,2 pontos, devolvendo a alta de 9,3 pontos entre outubro e janeiro”.

Ou seja, toda a “marola” de expectativas levantada com a eleição e Bolsonaro já refluiu.

Ontem, a FGV mostrou pesquisa idêntica entre as indústrias e deu ao seu release um título que dispensa maiores explicações: "Empresariado pessimista e expectativas piorando em maio“.

O alvo negro do neofascismo

Por Sandra Russo, no site Carta Maior:

Em 14 de março de 2018, quatro balas na cabeça terminaram com a vida de Marielle Franco, no Rio de Janeiro. Seu acompanhante, o motorista Anderson Gomes, também morreu. Ambos saíam de uma reunião política (ela pertencia ao partido PSOL), quando um carro que os perseguia começou a disparar. Quatro atingiram a cabeça de Marielle, onde ela tinha guardadas suas ideias e sonhos, seus projetos para o seu povo, o mais fraco entre os mais fracos.

Economia: a opção pelo “corte eterno”

Por Paulo Kliass, no site Outras Palavras:

No apagar das luzes de 2016, a equipe de Michel Temer achava que estava com a bola toda. O vice-presidente havia conseguido afastar, de forma definitiva, Dilma Rousseff do Palácio do Planalto, graças à articulação e à aprovação de um golpeachment sem nenhum embasamento jurídico consistente. Passados pouco mais de três meses após a votação do afastamento pelo Senado Federal, o comando da economia estava em mãos de Henrique Meirelles e o financismo havia articulado com os grandes meios de comunicação a sedimentação de uma narrativa tão triunfante quanto falaciosa. Afinal, o Brasil ingressava na fase da bonança: não havia dúvidas de que tudo se acertaria dali em diante. Mas para tanto, as elites exigiam novamente o sacrifício da maioria.

Nacionalismo de Bolsonaro é uma farsa

Por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, no site Tutaméia:

“Para a elite brasileira, Bolsonaro é um capitãozinho brega. Eles estão usando o Bolsonaro para acabar com o direito do trabalhador e com a condição de país soberano. Se Bolsonaro não consegue entregar a encomenda feita na campanha, eles derrubam o Bolsonaro. Uma boa parte dos empresários já desembarcou do Bolsonaro”.
Essa é a avaliação do ex-senador Roberto Requião em entrevista ao Tutaméia (acompanhe no vídeo). Para ele, o discurso nacionalista de Bolsonaro “é uma farsa”. Ao contrário, o presidente é um entreguista que segue os interesses dos EUA.

Um ano sem Audálio Dantas

Por Antonio Barbosa Filho

Há exatamente um ano atrás, os jornalistas brasileiros perderam um de seus mais emblemáticos representantes - falecia, aos 88 anos de idade, o repórter, escritor, sindicalista e militante político Audálio Ferreira Dantas. Com ele foi-se um pedaço importante da história das lutas democráticas contra a ditadura anterior, aquela de 64-85, e da própria memória do Jornalismo nacional.

Dizem que ninguém é insubstituível, mas a ausência de Audálio pode demorar um pouco a ser preenchida. Temos brilhantes jornalistas, temos grandes militantes nas novas mídias, temos exemplos de ética profissional. Poucos, entretanto, somarão essas características de maneira tão marcante quanto podemos encontrar em Audálio. Infelizmente, o Jornalismo vive momentos de abastardamento que, num futuro em breve, envergonhará boa parte da categoria profissional.
 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Por que caminhar em defesa da universidade?

Por Cezar Britto, no site Congresso em Foco:

O ano letivo de 2018 ainda não havia concluído o seu papel inclusivo quando, desavisada e surpreendentemente, uma deputada estadual catarinense recém-eleita vociferava que o alunato deveria fiscalizar, denunciar e gravar o conteúdo das aulas dos professores. Era a senha do que seria a “nova política” do “novo” governo eleito que acredita na força do canhão vencendo os livros da educação. Foi o que se revelou nos refrões governamentais seguintes, especialmente quando o próprio presidente e o já exonerado primeiro ministro da área começaram a caminhar e a cantar as rimas dessa “nova lição”.

Radiografia dos massacres no Amazonas

Editorial do site Vermelho:

Ninguém de bom senso nega que a criminalidade atingiu proporções inaceitáveis no Brasil. Não se pode ignorar, também, que essa situação exige pulso firme e medidas urgentes. E isso passa pelo Estado de Direito, com instituições capazes de impor a sua presença e coibir a marginalidade. A violação do arcabouço da legalidade abre caminho para a aceitação de regras que florescem no submundo da sociedade. E há várias formas de se fazer isso, inclusive em nome de uma suposta legalidade para combater o crime.

Bolsonaro quer pacto para submeter poderes

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A notícia de que Jair Bolsonaro pretende convencer o Congresso e o Supremo a formalizar um pacto político já indica, em si, a profundidade da crise em que seu governo se encontra, antes de terminar o quinto mês no Planalto.

A pauta do pretendido acordo é uma aberração pela forma e pelo conteúdo.

Não por acaso a divisão entre poderes ("harmônicos e independentes entre si") é um dos princípios fundamentais da Carta de 1988 e de todo regime democrático digno deste nome.

Sobram democratas, falta democracia

Por Ayrton Centeno, no jornal Brasil de Fato:

O Brasil vive uma situação insólita: possui excesso de democratas mas convive com muito pouca democracia. Democratas saíram às ruas no domingo 26 para, muitos deles, pedirem o fim da democracia com o fechamento do Congresso e do Supremo. Democraticamente.

É preciso admitir, porém, que nem o parlamento nem o judiciário são, por assim dizer, entusiastas da democracia. Ambos assinaram embaixo dos golpes de estado de 1964 e de 2016. Mais delicada ainda a situação do STF. Embora entre suas atribuições conste o papel de “Guardião da Constituição”, num momento e noutro, achou por bem cuidar mais de suas lagostas do que da Carta Magna. Assim, em Pindorama, o amor dos democratas por sua condição convive sem sobressaltos com sua ojeriza à democracia.

Neoliberalismo, neofascismo e burguesia

Por Luiz Filgueiras e Graça Druck, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

O objetivo deste texto é discutir a conjuntura imediata que, nas últimas semanas, tem se acelerado de forma impressionante. Para isso, se faz necessário tentar identificar e estabelecer o nexo, as relações existentes, entre neoliberalismo, neofascismo e burguesia no Brasil; tal como se evidenciou a partir do movimento social de massa que desembocou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Dessa forma, espera-se conseguir contextualizar a conjuntura para além de sua aparência imediata, reconstituindo-se a disputa dos interesses de classe, e frações de classe, que estão subjacentes. Acredita-se que essa contextualização permitirá identificar e compreender melhor as possíveis ações das distintas classes, frações de classe e sujeitos em disputa; permitindo especular acerca do futuro do Governo Bolsonaro.


Um pacto para destruir o Brasil

Por José Reinaldo Carvalho, no blog Resistência:

No último domingo (26), as hordas fascistas bolsonarianas, sob o comando do seu líder, declararam guerra aos poderes Legislativo e Judiciário. “Fechar o STF e o Congresso Nacional” foram palavras de ordem e ameaças com que a militância de extrema-direita arremeteu contra a democracia e o Estado de direito.

A empresa não é fácil e o resultado é duvidoso, mas num quadro em que a luta política é aberta e sem quartel, as forças que têm sentido estratégico e objetivos finais desvelam a sua identidade, mesmo quando determinados objetivos são de imediato inexequíveis.

A insana e insólita destruição do Brasil

Por José Eduardo Bicudo, no Diário do Centro do Mundo:

Muito já foi dito sobre o processo de desconstrução do Brasil, desde o golpe branco de 2016 até o presente momento. Certamente o que escrevo não é novidade para ninguém.

O que ocorre, e não posso me conformar com isso, é que a destruição vem sendo feita de maneira insana e insólita, às vezes de modo silencioso e nefasto. Até agora, porém, sem os tanques nas ruas, sob o comando de um terrorista amplamente conhecido desde os tempos da ditadura militar e eleito presidente pelos “bolsocrentes”, conforme qualificação muito bem posta por Eliane Brum em seu artigo recente no El País. Dentre esses bolsocrentes há uma parcela ponderável da classe média, inclusive uma parte que se considera intelectualizada. Alguns destes são também fiéis seguidores do “deus mercado”, mas que desconhecem ou preferem desconhecer a história recente do país. É curioso, no entanto, ouvir com frequência desses bolsocrentes intelectualizados que eles depositavam esperanças em um “novo governo”, que as coisas poderiam ser diferentes.

O day after da farra dos bolsominions

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Cessada a farra de domingo, recolhidas as faixas e bandeiras e guardadas as camisetas amarelas da CBF, voltamos à vida real.

Como as manifestações a favor do governo não geraram nenhum emprego, a segunda-feira de ressaca começa com novos números negativos na economia.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a previsão de crescimento do PIB para este ano caiu pela 13ª vez e está em 1,23%, um colosso produzido pelos frentistas do Posto Ipiranga. A China que se cuide…

Estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revela que estão novamente fechando mais lojas do que sendo abertas no país.

terça-feira, 28 de maio de 2019

McDonald´s promove assédio sexual e racismo

Foto: Scott Olson/Getty Images
Por Altamiro Borges

Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho recebeu denúncias contra a rede estadunidense de fast-food McDonald´s por assédio sexual e racismo que vitimaram 25 ex-funcionários. As acusações foram entregues ao procurador regional Alberto Emiliano de Oliveira Neto do MPT do Paraná. O documento, elaborado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), ressalta que as provas dos crimes confirmam um “padrão sistemático de abuso contra os direitos dos trabalhadores” e exige uma intervenção imediata do Ministério Público do Trabalho.

IV Curso de Comunicação do Barão de Itararé

Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

O IV Curso Nacional de Comunicação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé está com as inscrições abertas. Entre os dias 29 e 31 de julho, o Barão reunirá, na sua sede, em São Paulo, um timaço de debatedores para tratarem dos temas mais pulsantes envolvendo comunicação, mídia alternativa, ativismo digital e a complexa conjuntura instalada a partir do governo Bolsonaro.

Ato pró-Bolsonaro revela que governo vai mal

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Independentemente do seu sucesso, a manifestação deste domingo é uma demonstração de fracasso do governo. Bolsonaro assumiu com uma boa base de apoio no Congresso e apoio popular, mas conseguiu destruir tudo isso em poucos meses.

O ato foi convocado logo após dois episódios que fragilizaram ainda mais o presidente. O primeiro foi o avanço das investigações do caso Queiroz, mostrando que a lama na qual Flávio Bolsonaro está atolado é maior do que se supunha. Uma lama que respinga no presidente. Jair Bolsonaro manteve transações financeiras mal explicadas com Queiroz, um amigo de confiança de mais de 30 anos, que operou o esquema de corrupção no gabinete do seu filho e é suspeito de ser miliciano.

O histriônico Bolsonaro e o intimista Mourão

Por Clarisse Gurgel, na revista CartaCapital:

Nos últimos dias, começou-se a ventilar a hipótese de um impeachment do atual presidente, Jair Bolsonaro. Correlato a isto, o presidente alardeou contra as corporações, convocando um ato da sociedade civil, em combate à “velha forma de fazer política”, o que costumamos chamar aqui de “mercado político”.

Na chamada para o ato, Bolsonaro fez uso de um texto informal de um seguidor, em que afirma a “disfuncionalidade” do Brasil. O atual presidente, mesmo aparentando não entender o papel dos meios institucionais, só tem feito reafirmar os pilares das instituições liberais. Isto porque reproduz, mesmo que sem perceber, um valor fundante do pensamento funcionalista capitalista, que ensina a nós que a sociedade é como um corpo humano, cujos órgãos possuem uma função predeterminada e cujos problemas devem ser tratados como se fossem doenças, desvios. Assim seriam os órgãos públicos.

O covarde Moro diante das armas

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O Globo divulga trechos das justificativas enviadas pelo Ministério da Justiça ao STF diante das ações que pedem que seja decretada a ilegalidade do decreto faroeste que estendeu para milhões de pessoas o direito a portar armas, inclusive as de calibres antes proibidos ao cidadão comum.

É, para variar, uma demonstração de sabujismo ao Planalto e covardia ante a discussão do essencial: a adequação ou não da extensão do direito de portar armas e fogo.

Empenho mobilizador e unitário

Por João Guilherme Vargas Netto

Depois da jornada do dia 26 ficou tudo como antes e, portanto, o ímpeto governista foi derrotado.

A cobertura da mídia grande de maneira unânime ressaltou o apoio dos manifestantes às deformas, mas não pode deixar de dizer que ele se chocará com a vontade da população quando ela for confrontada, por exemplo, com a deforma previdenciária.

Para o movimento sindical dos trabalhadores persiste a tarefa de resistência a ela e de preparação da greve geral de 14 de junho.

Tarefa fundamental é isolar o fascismo

Por Marcelo Zero

A tarefa fundamental e inadiável das forças que ainda têm um compromisso mínimo com a democracia é isolar politicamente o neofascismo tupiniquim.

A total ausência de real compromisso democrático das nossas forças políticas conservadoras tradicionais foi o que permitiu a ascensão de um mentecapto extremamente perigoso, que ameaça acabar com o que restou da nossa democracia, após o golpe de 2016 e a prisão política de Lula.

As últimas manifestações, apesar de seu volume apenas mediano, mesmo nos maiores redutos bolsonaristas, foram convocadas pelo capitão com o objetivo principal de emparedar as instituições democráticas, especialmente o Congresso Nacional, que demonstra alguma independência, face ao festival inacreditável de absoluta incompetência do governo.

Neofascismo foi às ruas travestido de amarelo

Charge: Cristóvão Villela
Por Valerio Arcary, na revista Fórum:

Sangue frio e olho vivo. Já é possível retirar duas conclusões rápidas sobre as manifestações de apoio a Bolsonaro.

Primeiro, foram ações de uma franja mais ressentida e enfurecida da contrarrevolução, mas sem conseguir arrastar setores de massa da classe média. Neste domingo (26), a mágoa da classe média com o Brasil em estagnação e decadência saiu às ruas vestida de amarelo. A ansiedade, a angústia, a insegurança diante do futuro continua radicalizando setores sociais intermédios, que fantasiam que a sua vida deveria ser mais segura, como se vivessem na Europa, ou nos EUA, que passaram a visitar em excursões. O que move esta multidão zangada é uma visão do mundo. Compartilham a percepção ingênua de que o problema do Brasil é a roubalheira. Mas é muito mais do que o mal-estar com a corrupção. É o cada um por si, todos contra todos.

Campanha Lula Livre e os podres poderes

Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                         

Esta semana mais uma notícia capaz de chocar integrantes de judiciários ao redor do mundo que se sustentam nos pilares da imparcialidade, da impessoalidade e do distanciamento dos magistrados das querelas político-partidárias: o desembargador Thompson Flores está deixando a presidência do TRF-4 e fará parte da 8ª Turma, a que julga processos da Lava Jato na 2ª instância. Caberá a essa turma julgar o recurso de Lula relativo à condenação no processo do sítio de Atibaia.

Fim do bipartidarismo no Parlamento Europeu

Por Mirko C. Trudeau, no site Carta Maior:

A Europa despertou nesta segunda-feira (27/5) com o fim do bipartidarismo e o legislativo continental mais liberal e mais verde de toda a sua história: o Grupo Popular Europeu foi um dos que mais perdeu assentos, caindo de 216 a 179 eurodeputados, enquanto os socialdemocratas foram de 185 a 150. Na França, Marine Le Pen superou Macron, e no Reino Unidos o Partido do Brexit, de Nigel Farage, será o de maior representação, com 29 eurodeputados.

O perfil dos manifestantes pró-Bolsonaro

Da Rede Brasil Atual:

A maioria que atendeu aos apelos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e foi à Avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo (26), é composta por homens (65%), brancos (66%), de direita (76%), muito conservadores (72%), nada feministas (68%), antipetistas (88%) e com ensino superior completo (68%). O levantamento foi realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para Acesso à Informação da Universidade de São Paulo (USP) e ouviu 434 participantes.

Lava-Jato favorece mercado de multa nos EUA

Por Jeferson Miola, em seu blog:

A Lava Jato criou um mercado bilionário de arrecadação de multas de empresas brasileiras. Este mercado, porém, não foi criado no Brasil, mas para os EUA.

Reportagem do jornal Valor revelou que entre 2016 e 2018, 30% das multas aplicadas pelos Estados Unidos a empresas estrangeiras com base na Lei [norte-americana] de Práticas de Corrupção no Exterior, penalizaram empresas brasileiras.

A reportagem apurou que neste período as companhias brasileiras desembolsaram U$ 7,3 bilhões. De acordo com representante de escritório de advocacia especializado na indústria de multas pró-EUA, “a forte concentração de pagamentos por empresas brasileiras nesses últimos três anos é reflexo da Operação Lava-Jato”.

As manifestações e o Jornalismo Matrix

Por Gilberto Maringoni

Eu estava errado em minha avaliação sobre os atos de ontem (26).

Escrevi que as manifestações foram médias em São Paulo e Rio (em relação ao 15 de maio) e fracas em outras tantas dezenas de cidades pelo país.

Opinei que Bolsonaro cometera um erro tático e que se enfraquecera dentro da coalizão reacionária que compõe os três poderes da República. O Congresso ganhara peso relativo na balança.

Eu não contava com a astúcia da grande mídia.

As manchetes dos ex-jornalões colocam no chinelo qualquer roteirista de Matrix (1999) ou de outros filmes que lidam com realidade virtual.

A prioridade é preparar a greve geral

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Qualquer que venha a ser o volume das mobilizações anti-democráticas convocadas para hoje, é preciso refletir a respeito de um ponto.

Ainda que o bolsonarismo se encontre numa curva descendente, como mostram as ruas e as pesquisas de opinião, cabe reconhecer que o país continua polarizado, cinco meses depois da posse de um presidente eleito com 57 milhões de votos.

Em função de uma escandalosa incapacidade política para apontar anunciar qualquer saída crível para as grandes mazelas do país - desemprego, pobreza crescente - Bolsonaro passa dificuldades no Congresso, é alvo de críticas duras na mídia de maior credibilidade. Também assiste ao afastamento de lideranças militares que lhe deram sustentação na campanha e de aliados políticos indispensáveis para sua chegada ao Planalto. Mesmo as minúsculas parcelas de artistas e intelectuais que lhe davam apoio querem distância.

Folha manipula noticiário sobre ato fascista

Por Luís Felipe Miguel, no Diário do Centro do Mundo:

A Folha quer nos fazer acreditar que as manifestações de ontem foram predominantemente em favor de Guedes e do fim da previdência.

Mesmo no próprio jornal, não há uma foto que corrobore essa afirmação. A custo, em toda a cobertura, aparecem dois depoimentos nesta direção – um deles de um jovem ajudante de pedreiro que afirma estar na rua “pelo pacote do Moro, pela reforma da previdência e contra os ministros do STF”.

A última parte do discurso do ajudante de pedreiro é, na verdade, a que dominou as ruas. Ele mesmo desenvolve a ideia, na continuação de sua fala: “Bolsonaro está tentando governar, mas tem interferência do Parlamento”.

Capitão vai às ruas e perde de goleada

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Bolsonaro resolveu medir forças com o Brasil civilizado, que defende a Educação e a democracia, e perdeu de goleada.

Por mais que as televisões quisessem ajudar, os “protestos a favor” do governo, do pacote de Sergio Moro e da reforma da Previdência, foram um fracasso de público e de crítica, uma repetição dos 7 a 1 do Mineirão de triste lembrança.

Na hora marcada para as manifestações, havia pouca gente nas ruas e, apesar do esforço de repórteres e cinegrafistas, o fracasso era evidente.

Nada de novo no front

Por Roberto Amaral, em seu blog:

Não obstante os riscos que corre a ordem institucional democrática, o processo político brasileiro segue sua rota de extrema previsibilidade. Em face dos percalços e dos sustos – os solavancos de nosso cotidiano –, ninguém, nenhuma força política, pode alegar qualquer sorte de surpresa. O agravamento do desgaste do novo regime, à mercê, por enquanto, da crassa imperícia do capitão e seus ajudantes imediatos, é a crônica de fatos de há muito escritos pois esperados desde o primeiro dia do governo, sendo o capitão personagem do baixo clero há cerca três décadas. Todos os atores da trama (pessoas e instituições) são conhecidos em seus propósitos, objetivos e limitações. Não há nada de novo na cena.

Uber: assim começam as greves do futuro

Por Felipe Moda e Marco Antonio G. de Oliveira, no site Outras Palavras:

No último dia 8 de maio, motoristas “parceiros e parceiras” que trabalham nas principais empresas de transporte de passageiros por aplicativo como Uber, Cabify, 99 e Lyft realizaram uma grande manifestação global por melhores condições de trabalho. A data escolhida pela legião de trabalhadores e trabalhadoras para a realização dos protestos foi um dia antes de a maior empresa do setor, a Uber, estrear seus papéis na bolsa estadunidense.

Previdência e a maldade com as mulheres

Por Alexandre Padilha, no jornal Brasil de Fato:

Se tem um seguimento da nossa população que a proposta da Previdência de Bolsonaro é mais cruel, são as mulheres. Estou absolutamente convencido disso, a partir das propostas de mudança em relação à idade mínima, às contribuições das trabalhadoras rurais, das professoras e das viúvas que recebem pensão. Isso ficou mais nítido nas audiências públicas que estou conduzindo no estado de São Paulo, como parte da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, especificamente para ouvir estudos de lideranças e técnicos sobre o impacto da proposta do Bolsonaro na vida das mulheres.

A situação de Bolsonaro é muito grave

Por Renato Rovai, em seu blog:

Após o sucesso das manifestações em defesa da educação no dia 15 de maio, Bolsonaro convocou sua tropa para ir às ruas neste dia 26. Havia muita expectativa acerca do tamanho delas, principalmente depois que movimentos como MBL e Vem Pra Rua, entre outros, decidiram não apoiar a decisão do presidente.

Se os atos não foram um mico total, o resultado geral é mais negativo do que positivo para Bolsonaro. Só no Rio de Janeiro e em São Paulo que as manifestações tiveram alguma relevância. E mesmo na avenida Paulista, local que concentrou mais gente, a frase que melhor define o que ocorreu é a do colunista da Folha, José Simão.


Escolha de Sofia: impeachment ou não?

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – impeachment, teoria e realidade

Em meu longo trajeto no jornalismo econômico, aprendi uma verdade comprovada: no campo das ciências sociais (dentre as quais se inclui a política) só existe teoria aplicada à realidade. Não existe a teoria solta no ar, como um passarinho. Vale para a economia, a política, o direito.

Um dos grandes dramas brasileiros que impediu, aliás, que o país deslanchasse no período das grandes transformações globais, dos anos 90 em diante, foi a teoria econômica se impondo sobre a realidade.

Digo isso a respeito das discussões sobre o impeachment ou não de Bolsonaro.

As novas mentiras de Palocci

Do site de Dilma Rousseff:

A propósito da reportagem “Palocci diz que André Esteves deu R$ 5 mi para ser o ‘banqueiro do pré-sal’”, publicada pela Folha de S.Paulo neste sábado, 25 de maio, a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. Mais uma vez, delações vazadas para a imprensa tentam manchar a honra de Dilma Rousseff. Foi assim durante seu governo, quando a Justiça Federal a grampeou ilegalmente e vazou trechos de sua conversa telefônica com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem autorização do Supremo Tribunal Federal, para desestabilizar seu governo.