quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Assessor de imprensa do novo governo?

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Vivemos num país onde qualquer vereador de província ou dono de restaurante tem hoje um jornalista profissional como assessor de Imprensa.

Jair Bolsonaro, o presidente eleito, ainda não tem e, se depender dos filhos dele, não terá tão cedo, embora não faltem candidatos.

Pensando bem, assessor para quê?, se já tem muitos coleguinhas fazendo esse serviço de graça.

São porta-vozes voluntários do novo governo que fazem a defesa do presidente e publicam press-releases eletrônicos em suas colunas assinadas.

Luta social não pode ser criminalizada

Por Cristiane Sampaio, no jornal Brasil de Fato:

Em ato realizado nesta quarta-feira (21), na Câmara dos Deputados, parlamentares e lideranças de movimentos populares se manifestaram contra as tentativas de criminalização da luta social. A pauta ganhou fôlego após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais, e está em debate no Congresso Nacional por meio de diferentes projetos de lei.

O protesto reuniu membros dos partidos de oposição, como PT, PCdoB e Psol, e contou com a presença de lideranças de expressão nacional, como a indígena Sônia Guajajara, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos.

A lição do asilo político de Alan Garcia

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Proibido de deixar o Peru por 19 meses, em consequência da investigação sobre seu suposto envolvimento em casos de corrupção ligados à Odebrecht, o ex-presidente peruano Alan Garcia pediu asilo político ao Uruguai. Primeiro através de contato direito com o presidente Tabaré Vázquez e, na sequência, formalizando o pedido na embaixada do Uruguai em Lima.

Mas o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, já informou que a solicitação será aceita, pois com base na Convenção sobre Asilo Diplomático, assinada em 1954 pelos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), todo Estado tem direito, no exercício de sua soberania, a receber as pessoas que julgue convenientes, sem que outro país possa fazer qualquer exigência.

O reinado dos brontosauros

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – a falência das democracias representativas

Até alguns anos atrás, cabia à esquerda a defesa da democracia direta, em lugar da democracia representativa. Sua estrutura complexa, seus ritos, suas limitações, faziam com que os avanços sociais e a modernização política, na democracia direta, ocorressem em ritmo muito lento.

Com as redes sociais, esse descompasso se acentuou. As redes sociais passaram a refletir e a multiplicar, de forma imediata, expectativas e anseios da sociedade. E a democracia representativa continuou presa a modelos estáticos e, em todos os países, contaminada pelo financiamento de campanha e pelas formas de imbricação com o capital privado.

Festa de fim de ano do Barão de Itararé

Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Após um ano desgastante, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé anuncia a data para a sua tradicional festa de fim de ano. A confraternização, que reúne representantes de movimentos sociais, militantes, ativistas e simpatizantes da luta pela democratização da comunicação, acontecerá no dia 4 de dezembro, a partir das 18h, em São Paulo. O local que nos acolherá será o Café dos Bancários, situado na Rua São Bento, 413. Nada melhor do que unidade - e alguns tragos! - para recarregar as baterias e preparar a luta contra o fascismo!


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bolsonaro e a queima de confiança

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Entre a eleição e a posse, presidentes eleitos transpiram legitimidade e nadam num mar de confiança e boa vontade.

Nos primeiros cem dias de governo, vivem a lua de mel com o eleitorado e com as instituições.

Jair Bolsonaro está conseguindo dilapidar seu crédito de confiança com o acúmulo de erros e precipitações na fase preliminar: com decisões erráticas sobre a estrutura administrativa, com o trato negligente das relações com o Congresso e com anúncios impetuosos que geram consequências nocivas, seja para grupos econômicos ou para a população, a exemplo do atrito com os países árabes e agora com a decisão de Cuba, de sair do programa Mais Médicos em resposta às suas declarações ameaçadoras e depreciativas.

Bilionários ficam 20% mais ricos em 2017

Brasília, embaixada da República de Curitiba

Por Sergio Lirio, na revista CartaCapital:

A influência da “República de Curitiba” não para de aumentar em Brasília. Depois de integrar Érika Marena e Rosalvo Ferreira Franco, delegados da Polícia Federal, à equipe de transição do futuro governo Bolsonaro, o “superministro” Sérgio Moro convidou para a chefia da Polícia Federal o superintendente da corporação no Paraná, Maurício Valeixo.

Valeixo ocupou no passado o cargo de diretor de inteligência da PF e comandou o departamento de Combate ao Crime Organizado. O futuro ministro declarou recentemente a intenção de reeditar o modelo de força-tarefa adotado na Lava Jato no combate às facções criminosas, uma das promessas da campanha de Bolsonaro. Valeixo é descrito como um quadro “operacional”, oposto ao perfil “intelectual” do atual diretor da corporação, Rogério Galloro.

Sítio de Atibaia e a omissão da "Justiça"

Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

No último ato da defesa, antes da sentença no processo sobre o sítio de Atibaia, os advogados de Lula pediram uma série de providências, dentre elas duas se destacaram: querem a resposta dos peritos da Polícia Federal a um parecer técnico que desmonta a tese de acusação e o depoimento de Rodrigo Tacla Durán.

Os advogados começam o texto pela declaração de que não reconhecem na 13a. Vara Federal Criminal do Paraná competência legal para processar o ex-presidente.

Ultra-ricos preparam um mundo pós-humano

Por Douglas Rushkoff, no site Outras Palavras:

No ano passado, fui convidado a fazer conferência num resort superluxuoso para um público que, imaginei, seria de aproximadamente cem banqueiros de investimento. Era de longe a maior remuneração que jamais me foi oferecida por uma palestra – metade do meu salário anual como professor – tudo para fornecer algumas dicas sobre o tema “o futuro da tecnologia”.

Nunca gostei de falar sobre o futuro. A sessão de perguntas e respostas sempre acaba mais como um jogo de salão, em que me pedem para opinar sobre as últimas tendências da tecnologia como se fossem dicas precisas para potenciais investimentos: blockchain, impressão 3D, CRISPR. As audiências raramente estão interessadas em aprender sobre essas tecnologias ou sobre seus impactos potenciais, além da escolha binária entre investir nelas ou não. Mas o dinheiro chama; por isso, entrei no show.

A democracia deve ir às ruas

Por Wanderley Guilherme dos Santos, no blog Cafezinho:

Pelo tempo que existir, o próximo será um governo culturalmente tosco. Não basta a nulidade reconhecida do anunciado chefe da casa civil, a impostura de um anônimo Bebiano, agraciado com os despojos do toma lá dá cá de uma legenda sem destino, a truculência do futuro ministro da fazenda e a grosseria das manifestações orais do próprio clã Bolsonaro.

Era preciso adicionar ao espetáculo fantasmagórico um ministro das relações exteriores que se entusiasma com a confissão, por outras palavras, de ser um frankstein ideológico. Difícil interpretar como a Casa de Rio Branco concedeu-se o vexame de abrigar semelhante exemplar de talidomida diplomático. Mas, se o mundo não estiver ensandecido à la Trump, a Europa ocidental, os nórdicos, mais os russos e sobretudo a China se encarregarão de expulsá-lo do Itamaraty, já que os nossos não o fizeram.

Uma ditadura de novo tipo no Brasil

Por Marcio Sotelo Felippe, na Revista Cult:

O regime da Constituição de 1988 acabou. Vivemos uma ditadura dissimulada, de novo tipo, com a aparência espectral de formas jurídicas e políticas de um Estado de direito.

O fim desse regime não seguiu o padrão histórico. Nós nos habituamos a ver uma ruptura quando uma Constituição é revogada e surge outra, seja por padrões democráticos, como a convocação de uma constituinte, seja por atos de força, como a outorga de um texto constitucional. Assim, por exemplo, o Estado Novo em 1937, a 5º República francesa em 1958, a Constituinte de 1945, a Carta de 1967 e sua alteração em 1969 e a própria Constituição de 1988.

Moro e o Estado policial

Por Jeferson Miola, em seu blog:                                 

Sérgio Moro se encaixa com perfeição no conceito de déspota do dicionário Houaiss:

“1. que ou quem exerce autoridade arbitrária ou absoluta (diz-se de governante); tirano

2. que emprega ou quem quer que empregue de autoridade tirânica para dominar, revelando caráter autoritário

3. que ou o que exerce alguma forma de imposição ou autoritarismo, em qualquer campo”.


Moro não é um déspota por acidente. Sua forma de agir, como autoridade dotada de poderes ilimitados que despreza a ordem constitucional e legal vigente, foi sendo legitimada e banalizada por um judiciário de exceção, permissivo com a transmutação do juiz provinciano em agente político e celebridade influente da cena brasileira.

Bolsonaro mentiu sobre médicos cubanos

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Bolsonaro praticamente acabou com o programa Mais Médicos ao atacar Cuba e os médicos que o país nos enviou. E disse que esses médicos só poderiam continuar no Brasil se Cuba permitisse que suas famílias viessem para cá. Porém, em 2013, como deputado, tentou barrar a vinda das famílias dos médicos para o Brasil dizendo que eram compostas de “mercenários”

A nova cara do presidencialismo

Charge: Pataxó
Por Gabriel Cohn, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Durante longo período o presidencialismo brasileiro foi caracterizado como sendo de “coalizão”, aquele arranjo no qual o centro do Executivo negocia cada passo com uma nuvem de partidos ou consórcios de interesse pouco significativos por si mesmos, mas dotados do inestimável recurso que é o poder de veto. Pois bem, isso que agora vemos ser construído, tudo indica que em consonância a plano muito bem pensado em escala transnacional, é regime bem diferente. Pode ser denominado, à falta de outro termo, “presidencialismo de ocupação”. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Privataria nos levará de volta à selva!

O drama humanitário da caravana aos EUA

Charge: Hajo/Holanda
Do site Vermelho:

O drama da caravana com milhares de migrantes da Guatemala, Honduras e El Salvador com destino aos Estados Unidos retrata a catástrofe social e econômica do modelo econômico e social que vem sendo reinserido na América Latina. Fala-se em sete mil pessoas, mas há jornais que calculam o dobro disto.

Nos Estados Unidos, a resposta do presidente Donald Trump tem sido à base das ameaças e da truculência. Além das represálias econômicas aos países originários da marcha, mesmo com governos servis ao regime de Washington, ele mobiliza seu aparato militar para conter os migrantes.

#LulaLivre no G-20 em Buenos Aires

Por Antonio Barbosa Filho

Reuniões de líderes internacionais como a do G-20, que acontecerá em Buenos Aires no dia 30 de novembro e 1o de dezembro próximos, costumam ter dois efeitos correlatos: a grande atenção de toda a mídia planetária; e os protestos de grupos contrários a ordem econômica mundial defendida por esse e outros organismos globalistas, como o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial de Davos, a Organização Internacional do Comércio, etc.

Moro e a "fantasia da perseguição política"

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Numa mudança de planos, Sérgio Moro pediu exoneração do cargo de juiz federal e será ex-juiz quando o ato for publicado, provavelmente na segunda-feira.

Mas, nos derradeiros dias de toga, age como em todo o tempo em que esteve à frente da lava Jato: faz política.

Em entrevista a IstoÉ – aliás, outra vez dentro de seu ‘ex-gabinete” na 13ª Vara Criminal de Curitiba – dá uma nova sentença sobre o ex-presidente Lula – “é o mentor” do esquema criminoso que teria desviado R$ 6 bilhões da Petrobras.

As bravatas de Trump e Bolsonaro

Por Reginaldo Nasser, no site Carta Maior:

Tem se estabelecido uma espécie de cumplicidade, voluntária ou não, entre presidentes que assumem novos governos, e jornalistas e analistas no que se refere, principalmente, no anúncio de inovações e mudanças.

Ultimamente, um dos temas que mais tem chamado a atenção são os assuntos internacionais. Lembram-se do governo golpista de Temer quando anunciou José Serra para ministro das relações exteriores? Nem bem tomou posse já se falava numa espécie de “doutrina Serra”, que durou pouco. Mas, logo veio Aluísio Nunes, que foi também anunciado com pompas e circunstâncias e, acreditem, ele ainda é ministro, mas nem parece de tão insignificante que é sua presença.